quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

O Problema (Também) é Nosso

Por: Joilson Kariry Rodrigues

Poucos dias atrás postei aqui um artigo que levantou um princípio de polêmica, que, graças a Deus, foi contido pelos administradores do blog e pelo bom senso dos nossos leitores. Talvez eu não tenha me expressado como devesse ou tenha sido mal interpretado. No texto em questão eu apresentei um problema, não apontei culpados, pois essa não é minha tarefa, nem é do meu feitio. Não sou oposição a atual gestão, nem situação, nem nada, pois nem ao menos sou eleitor em Farias Brito, infelizmente por força das circunstâncias.
Em resposta ao meu pensamento o prefeito Dr. José Maria, o qual é merecedor do meu respeito e admiração, esclareceu alguns pontos focados no problema abordado. Atento para o fato de que não o culpo por esses obstáculos ao nosso progresso. Seria injusto da minha parte.
Em sua réplica o prefeito sugeriu que a fonte de nossos problemas está jorrando lá atrás, no passado, e que essa lama vem se arrastando até os dias de hoje. Concordo. Mas vamos empurrar esse problema para as gerações futuras, como uma herança indigesta? E faço essa pergunta abrangendo um contexto nacional.
Se as novas gerações de prefeitos de FB, que romperam com o modelo antigo de governar e proporcionaram assim um bom desenvolvimento ao município, não agir com mais ousadia, vamos sim ficar num ritmo desacelerado, andando amparados nas muletas do passado que desejamos tanto nos libertar. Já avançamos um bom bocado, é preciso avançar mais para reparar o marasmo de décadas. Não estou sugerindo que o prefeito e sua equipe carreguem esse peso nas costas. Essa tem que ser uma preocupação de todos, não apenas dos governantes.
Essas questões são sérias e não podemos mascarar-las atirando poeira para ocultar responsabilidades. Todos nós somos responsáveis, prefeitos e povo.
É preciso também romper com tradições malignas que cultuamos e que nos faz vítimas de nós mesmos. A primeira delas talvez esteja arraigada no proceder de todo brasileiro, a de jogar toda responsabilidade nas costas de governantes. Milagre é uma distorção da Natureza, e como não se pode distorcer a Natureza sou da opinião que milagre não existe. Portanto não há prefeito que possa fazer milagre, nem um milagre que possa fazer mudanças sem boa vontade e atitude. Se não mudarmos de atitude nunca teremos um avanço proporcional à nossa vontade, nunca teremos melhorias no ritmo desejado. Tem que arriscar e inovar, desligar-se da idéia de que está assim para mim porque está assim para todos.
Os problemas são muitos, o desafio é grande, mas a esperança não pode ser menor.
Já abordei aqui a problemática do vazamento de rendas para as cidades vizinhas, uma prática antiga que aborrece os comerciantes, mas que ninguém se mexe para tentar resolver, nem prefeitos que vêm e vão, nem comerciantes, nem a sociedade civil. E o jorro continua.
Esse e muitos outros problemas precisavam ao menos ser debatidos, já seria aí um ponto de partida. Não deve nos interessar saber de quem é a culpa, mas sim, o que podemos fazer para melhorar. Apontar os culpados não vai nos ajudar em nada. Temos que apontar soluções. FB avançou sim e precisa soltar totalmente o freio de mão para ir mais longe. É cruel investir em educação e ver os nossos profissionais alçarem vôo para trabalhar em outras terras, alavancar o progresso de outras terras. Já fomos exportadores de técnicos agrícolas, de professores, de médicos e até de padres.
A iniciativa privada precisa ser sacudida, acordar do sono da ignorância e contribuir apoiando projetos que visem o desenvolvimento, formando parcerias com os órgãos civis e com a prefeitura, sem politicagem nem favorecimento de alguns, sem se preocupar com quem vai colher os méritos. Não podemos ficar divididos como “bois de Parintins”, o vermelho pro um lado, o azul pro outro. Um prefeito não deve governar só para seus eleitores, tem que governar para todos. Se esquecêssemos o rancor da frustração de não ter sido o nosso candidato o eleito, ganharíamos tempo e ânimo para ajudar na construção dessa nova era.

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