quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Garças-vaqueiras retornam ao Cariri

Diário do Nordeste- Regional - Quarta - Feira - 20/02/2008

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Garças no ninhal em Milagres. Durante o dia, a luta é pela sobrevivência. As aves se espalham nas várzeas do Cariri, alimentando-se de insetos (Foto: Antônio Vicelmo)

O espetáculo maior acontece no fim da tarde, quando voltam para os ninhos a fim de se reproduzirem

Milagres. Um espetáculo da natureza que encanta e emociona. As garças-vaqueiras estão de volta ao Cariri, tingindo de branco a paisagem verde do inverno. Chegaram como a Asa Branca no ronco do primeiro trovão e, seguindo a sina do retirante nordestino, vão embora depois das chuvas, à procura de alimentos noutras paragens. O ninhal está localizado na confluência dos municípios de Brejo Santo, Milagres e Abaiara, no Sítio Cajueiro, nas margens da CE-293.

Ali, as garças montaram o seu espetáculo que é encenado, no fim da tarde, quando voltam para os ninhos a fim de dar continuidade a uma das mais emocionantes cenas da natureza, a reprodução, o mistério da vida, a continuidade da espécie. Durante o dia, é a luta pela sobrevivência. As garças se espalham nas várzeas do Cariri, alimentando-se de insetos. É o controle biológico natural.

O agricultor Pedro Ramos da Silva, que mora ao lado do Ninhal, diz que as garças não incomodam. “Ao contrário, elas devoram as lagartas que prejudicam a lavoura”, afirma o lavrador, acrescentando que, depois que as garças chegaram, não apareceu nenhuma lagarta em sua roça de feijão.

O proprietário do terreno onde está localizado o ninhal, Vianey Sampaio, reclama da onda de moscas trazidas pelas garças. Estes insetos, de acordo com ele, estão impedindo a engorda do gado.

Companhia

Apesar do prejuízo, o agropecuarista gosta tanto da companhia das garças que chega ao ponto de espantar os gaviões, predadores naturais que rondam os bandos, pois eles comem os filhotes. Os biólogos advertem que espantar os gaviões é errado, quebra a cadeia alimentar. E é bom que se diga, apesar de serem milhares, as garças não causam problema ao meio ambiente. Pelo contrário. “Elas acabam atuando no controle da população de insetos”, diz o professor de Zoologia da Faculdade Juazeiro do Norte, Francisco Amarildo Pereira.

A dona-de-casa, Neiane Sampaio Cruz, reclama do mau-cheiro deixado pelas aves. Ela diz que a fedentina é insuportável. “Além disso, as moscas têm uma picada parecida com mutuca. Mesmo assim, o espetáculo oferecido pelas garças é gratificante”.

Esta semana, uma equipe de biólogos da Universidade Regional do Cariri (Urca) esteve no ninhal, fazendo um estudo sobre o comportamento das garças. As pessoas que moram nas proximidades esperam uma informação sobre os males que as aves podem causar à saúde humana.

Aparecimento

O professor Amarildo, que é biólogo, informou que ainda não sabe o motivo do aparecimento dessa espécie na região do Cariri, é uma incógnita, haja vista a escassez de informação sobre essa ocorrência no Estado do Ceará.

“É provável que o seu deslocamento para a região esteja relacionado com o período chuvoso do Cariri e regiões vizinhas, proporcionando-lhes alimentos, formando assim um habitat adequado”.

Apreciar a beleza natural de um ninhal de garças, segundo Amarildo, pode parecer piegas, mas preservar é uma motivação fundamental, já que o perigo representado pelas extinções das espécies pode ser estendido a todos.

Enquete
A importância das garças para os moradores

Neiane Sampaio
Dona-de-casa
'Mesmo com a fedentina, o espetáculo oferecido pelas garças é gratificante para quem pode presenciá-lo´.

Vianey Sampaio
Agropecuarista
'Cheguei ao ponto de espantar os gaviões, predadores naturais que rondam os bandos, pois eles comem os filhotes´.

Pedro Ramos da Silva
Agricultor
'As garças não incomodam. Pelo contrário, estas aves devoram as lagartas que prejudicam a lavoura´.

Francisco Amarildo Pereira
Professor de Zootecnia
'Apreciar a beleza natural de um ninhal de garças-vaqueiras pode parecer piegas, mas preservar é uma fundamental´.

Antônio Vicelmo
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste
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