sábado, 2 de fevereiro de 2008

Meu paraíso no sertão


Tenho saudades daquelas noites enluaradas
Quando eu ficava até altas madrugadas,
Contando estrelas no céu azul do meu sertão.
Fogueira acesa para espantar os bichos
Um café preto sem açúcar, no capricho,
Ouvindo o som saudoso de um violão.

Quando não estava sentado numa cadeira,
Ouvindo o rádio tocar moda sertaneja,
Era deitado numa rede a balançar.
Quando entrava deixava a janela aberta,
Pra ver a lua entrando por entre as frestas
E adormecia vendo os raios do luar.

Muitas vezes eu ficava a noite inteira...
Ouvindo o uivo do lobo na ribanceira,
Até os pássaros começarem a cantar.
E quando o sol vinha surgindo atrás dos montes,
Eu levantava ia me banhar na fonte
Depois saia pro roçado carpinar.

Assoviando sozinho pelo caminho,
E acompanhando a melodia os passarinhos,
Junto comigo pulando de galho em galho.
Assim eu era feliz vivendo no mato,
Quando as estradas ainda não tinham asfalto,
Era de terra coberta pelo cascalho.

A onde eu moro, aqui nas terras do sul,
É diferente o céu não é tão azul,
Nem bonito como é no meu lugar!
E o por do sol não tem a mesma magia,
Também não tem passarinhos cantoria,
Nos fins de tardes, como existia lá.

Até a lua, parece ser apagada,
Vive encoberta também não é prateada,
Não tem o brilho do luar do meu sertão!
E as estrelas, nunca mais pude contá-las,
Atrás das nuvens nem consigo enxergá-las,
Escondidas envoltas na poluição.


Hoje distante do meu velho pé de serra
Só a saudade em meu peito se encerra,
Como um punhal cravado em meu coração.
Pois são lembranças que o tempo não apaga...
Este progresso que se alastrou feito praga,
Destruiu meu paraíso no sertão.

Francis Gomes
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