terça-feira, 25 de março de 2008

231 milímetros em Quixelô e calamidade em Caririaçu e cheia em Farias Brito

Rita Célia Faheina
da Redação do Jornal O Povo

Chuvas causam estragos nas regiões do Cariri e Centro-Sul do Estado e contribuem para encher os reservatórios. Doze dos 126 açudes monitorados pela Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) estão sangrando no Ceará

Com as últimas chuvas, ruas de Iguatu ficaram alagadas. De domingo para ontem, foram registrados 130 milímetros no município (Foto: J.GUEDES/JORNAL A PRAÇA)

Regiões ilhadas, 11 açudes com paredes destruídas, cinco pontes caídas e pelo menos 10 famílias desabrigadas. A cidade de Caririaçu, na Região do Cariri, Sul do Estado, ficou nessa situação ontem, após as fortes chuvas registradas desde a noite de domingo até a manhã de ontem. O prefeito da cidade, Edmilson Leite, decretou estado de calamidade pública. No mesmo período, choveu com intensidade em outros municípios da região como Lavras da Mangabeira, Missão Velha, Farias Brito, Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha. E na região Centro-Sul, em Quixelô e Iguatu. Em todo o Estado, 12 açudes administrados pela Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) estão sangrando.

Segundo o boletim diário da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) choveu, das 7 horas de domingo até as 7 horas de ontem, em 155 dos 184 municípios cearenses. Em Quixelô, a 405 quilômetros de Fortaleza, a chuva de 231 milímetros de domingo até ontem (a maior do ano no Estado), prejudicou a lavoura. Muitas áreas estão submersas. A mais prejudicada foi a Vila do Antonico, a oito quilômetros da sede do município.

"Foi a maior chuva do ano. Muitos estão ilhados, a barragem de Quixelô está transbordando e a área do plantio de arroz está submersa", confirma o secretário da Saúde do município, Ernane Bezerra. Ele disse, ontem à tarde, que ainda não tinha sido feito um levantamento sobre desabrigados ou perdas na lavoura. Em Iguatu, município vizinho, choveu 130 milímetros, alagando ruas, principalmente da periferia da cidade.

O rio Salgado encheu e causou inundações em várias ruas da cidade de Lavras da Mangabeira, a 423 quilômetros de Fortaleza. Desde às primeiras horas de ontem, famílias começaram a tirar móveis e objetos doméstico porque a água estava entrando nas casas. Foi o que fez a dona-de-casa Senhoria Carneiro, 68, que mora na rua Tenente Barreira, próximo ao curso do rio. "Estou tirando o que posso pra não ter tanto prejuízo", disse. A cheia do rio provocou alagamentos em ruas como Antonio Lobo e Augusto Dutra e, também, no Parque do Povo. Equipes do Corpo de Bombeiros ajudaram a retirar os que ficaram ilhados.

"Muitas regiões rurais estão ilhadas e, só a partir do meio-dia (de ontem) é que o prefeito pôde sair para a zona rural com uma equipe a fim de fazer o levantamento dos estragos e desabrigados. Ainda não temos esses números", disse ontem à tarde o procurador do município, Cícero Marcelo Bezerra. Ele informou que o açude São Domingos, que abastece a cidade, começou a sangrar. A chuva que caiu na cidade, na madrugada de ontem, foi de 115 milímetros. (Colaboraram Amaury Alencar e Donizete de Souza).

E-mais

O prefeito do município de Farias Brito, José Maria Gomes Pereira disse ontem que, só após as águas baixarem é que poderá fazer uma avaliação das perdas na lavoura. "Houve estragos porque choveu entre 90 a 100 milímetros de ontem (domingo) para hoje (ontem) e há distritos isolados". Essas localidades são Cariutaba e Nova Betânia. Nessa última, as aulas da Escola Municipal Maria Carmosina foram suspensas. Houve inundação com a cheia do rio Cariús que passa próximo à cidade.

Em Missão Velha, com a chuva de 114 milímetros, toda a parte baixa da cidade foi alagada. A água atingiu o prédio da prefeitura.

O mesmo ocorreu no Crato, a 542 quilômetros de Fortaleza. Uma parte do canal do rio Granjeiro está destruída e os moradores das ruas próximas ficaram apreensivos.

Em Juazeiro do Norte, a 10 quilômetros do Crato, as águas invadiram casas no bairro Lagoa Seca e prejudicaram o acesso à Penitenciária Regional Industrial do Cariri.

Fonte: Jornal O Povo
http://www.opovo.com.br/opovo/ceara/775488.html
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