sábado, 22 de março de 2008

Lamentos do Exílio


Acordar cedinho, esticar o pensamento em direção
ao nosso barro querido, e sofrer com uma ponta
de saudade colada no peito, é a coisa mais gostosa
que pode acontecer no coração de um cearense
arretado, que está distante do Cariri.

Hoje quando abri os olhos, e me deparei com uma foto
do meu querido sanfoneiro Aurelino, viajei.
Fui relembrar as presepadas ao lado do grande
companheiro Zé Sidrim, no bate poeira de chão batido,
nas cercanias de Arajara.

O Ceará nos traz tantas maravilhas, que quando
nos tocamos com essa saudade, que para alguns
se chama de banzo, e para nós significa amor profundo,
deixamos muita gente sem entender esse sentimento
estranho dessa terra, que eles só lembram pelas estórias
de pobreza, e de miséria.

Relembrar o galo de campina, a juriti, o preá,
a rolinha fogo apagou, e tantas outras coisas simples,
mais que tem um significado imenso nas nossas lembranças,
realmente é algo deveras estranho para eles,
mais de um sentimento carregado de simbolismo,
para um sertanejo autêntico que só sonha com o retorno.

O caviar pode deixar pra lá, mas a buchada,
vixe.... não quero nem pensar.

Elmano Rodrigues Pinheiro.

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