sexta-feira, 11 de abril de 2008

Hoje no Diário do Nordeste

Açudes e rios escondem riscos aos banhistas

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No Açude Jaibaras, em Sobral, assim como em outras regiões, os jovens se arriscam (Foto: Natercia Rocha)

Ainda não existe informação centralizada do número de vítimas de afogamento desde o início das inundações

Iguatu. No sertão, rios cheios e açudes sangrando atraem milhares de moradores e, isto, pode ocasionar mortes. Os moradores buscam o lazer, mas o despreparo e o risco que os banhistas enfrentam trazem resultados desagradáveis. O aumento do número de vítimas por afogamento.

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social ainda não dispõe de informação centralizada do número de vítimas de afogamento desde quando começou no mês passado o período de inundações. A Assessoria de Comunicação da secretaria ficou de enviar informações sobre os dados solicitados pela reportagem, mas não o fez até o fechamento. O major Melo, do Corpo de Bombeiros, explicou que as informações são enviadas por delegacias municipais, polícia militar, IML ou mesmo pelos Bombeiros, mas precisa que seja feito um somatório dos dados.

Mesmo assim, três mortes relacionadas com chuvas foram registradas ontem pelo Comando do Policiamento do Interior (CPI). Mais precisamente em Itapipoca, Graça e Pedra Branca. Entre as vítimas, Márcio Rodrigues, de um ano e seis meses, que foi levado pela correnteza de um riacho de Assunção de Cima, em Itapipoca.

No Centro-Sul, a 1ª Seção de Combate a Incêndios do Corpo de Bombeiros registrou, nos últimos 20 dias, seis vítimas fatais de afogamento de banhistas. O comandante do 4º Grupamento de Bombeiros, major Francisco Silva de Freitas, disse estar preocupado. “O nosso temor é de novas ocorrências nos próximos fins de semana, pois rios e açudes estão atraindo cada vez mais banhistas”.

Desafio

Os jovens banhistas enfrentam riscos e fazem disputas para ver quem dá o salto de maior altura ou com mais acrobacias. Em Icó, por exemplo, a cheia do Rio Salgado atrai os moradores e aqueles que desafiam altura e a força da correnteza. Saltam seguidas vezes do arco da ponte Piquet Carneiro numa altura média de 12 metros. Há pulos com cambalhotas, de costas, salto-mortal, que consiste em dar uma volta completa no ar e entrar na água de ponta-cabeça, dentre outros.

Na semana passada, com a cheia do Rio Jaguaribe, esses desafios também se repetiram no arco da ponte ferroviária sobre o Rio Jaguaribe em Iguatu, numa altura de pelo menos 15 metros. Crianças e adolescentes enfrentam o risco de morte e perigo é iminente.

Os saltos atraem a atenção dos moradores, que fazem fotos com celulares e com máquinas digitais, incentivando repetidos pulos. Nesta semana, a sangria dos açudes Muquém, em Cariús, e Ubaldinho, em Cedro, foi motivo de festa na comunidade. Nesta terça-feira, dezenas de adolescentes aproveitaram a sangria do Açude Ubaldinho e davam seguidos saltos a partir da ponte sobre a CE-284. Eles desafiavam o perigo com pulos de costas, de ponta-cabeça e salto mortal. “Perdi a conta das vezes que pulei”, disse o estudante Ricardo Lima. “Não tenho medo”. O major Freitas tem se dedicado nos últimos dias a alertar a população em emissoras de rádio do Centro-Sul. “As pessoas e principalmente os jovens precisam tomar consciência do risco de saltar de pontes e de querer atravessar rios com fortes correntezas. Quando os banhistas ingerem bebidas alcoólicas o risco de afogamento aumenta porque há perda da noção de perigo e da capacidade física”.

Na região Centro-Sul, os Bombeiros mantém um efetivo de 60 homens divididos entre Lavras da Mangabeira, Icó e Iguatu. Na zona norte, os banhistas também enfrentam perigo. No Açude Ayres de Sousa, no distrito de Jaibaras, em Sobral, os jovens se arriscam fazendo saltos arriscados.

SAIBA MAIS

Cuidados que devem ser tomados pelos banhistas

Não ingerir bebidas alcoólicas e alimentação em excesso antes do banho em açudes e rios; evitar banhos nos rios com correnteza; evitar banho em locais próximos a pedras; evitar travessia de barcos artesanais sem dispositivo de segurança e salva-vidas; antes de entrar na água procurar saber a profundidade do local; ter mais atenção com crianças e idosos; evitar saltar de pontes sobre rios; evitar o retorno imediato às residências que ficaram alagadas.

Inundação

Caso ocorra inundação, deve-se procurar sair o mais rápido, sem permanecer no local por apego aos objetos; além disso deve-se evitar banho em águas nas ruas de municípios inundados que podem estar contaminadas por dejetos de esgoto ou mesmo por urina de ratos que podem transmitir leptospirose.

Mais informações:
Corpo de Bombeiros do Ceará (85) 3101.2211
1ª Seção de Combate a Incêndios de Iguatu
(88) 3581.9133

Fonte: Diário do Nordeste (www.diariodonordeste.com.br)
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