segunda-feira, 14 de abril de 2008

Imensidão do vale

Por: Carlos Rafael


Estou absorto na imensidão da tarde. Não sinto nada passar.
Paulo Rafael dorme. Acho que Atena e Apolo também cochilam em algum cantinho do terreiro. Tudo quieto. Até a música acabou. When the music is over. When the word is orwell!. When the world is over!
Mas dá pra ouvir o farfalhar das borboletas. Até mesmo o assovio do vento. Com tudo, o barulho do tempo. Dá pra senti-los, caso nos ascultemos.
Nada por quem ou porque matar ou morrer.
Dar pra sintonizar as ondas sonoras que trafegam livremente. Apreendê-las, por instantes.
Dar pra escutar uma voz, em forma de grito, em comunicação. O socorro de uma bússola para quem estar perdido na imensidão do vale.
Em situações de perigo o melhor é não desesperar. Buscar as alternativas possíveis de sobrevivência, até achar a saída.
Em primeiro, a tática de que o pior poderia acontecer. Tirar vantagem da desvantagem.
Depois, administrar o tempo. Pensar sobre as melhor maneira de como executar o plano.
Divertir-se.
Nunca perder a capacidade de admirar-se, jamás! Com o sol, com a lua, com o sapo, com a lagoa, com o hidratante, com o desodorante, com o simples e o complicado, desde que sejam auspiciosos.
Evitar conversas bestas, areia movediça, salada com maionese, principalmente em dia quente; barzinho de beira-de-rua, loja de R$ 1,99; disco arranhado, internet discada...
Muita coisa boa, também: limonada, água de coco, coca-cola gelada, o último suspiro da sede, o nascer do sol inebriante à vista, um beijo gostoso na boca, estar ao lado da mulher amada...
Nunca perder a capacidade de indignar-se, jamais!
Nunca perder a capacidade de entender uma mensagem.
Nunca perder a capacidade de ser capaz, never!
Nunca perder a capacidade, nunca.
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