sexta-feira, 16 de maio de 2008

Falsa abolição

Eu, como poeta escritor e cordelista, quero parabenizar os escritores das poesias, sobre o tema: Brasil, um pais de todas as cores.
mas também como escritor gostaria falar o meu ponto de vista e principalmente sobre a abolição da escravidão pela Princesa Isabel.
No último, dia 13 de maio completaram-se 120 anos da falsa abolição dos escravo pela princesa Isabel. E por que falsa? porque quando ela assinou aquele papel, esqueceu de assinar também os direitos a alimentação, a moradia, e todos os direitos que um trabalhador tem direito.
Os escravos não foram libertos, foram despejados, e sem ter para onde ir, muitos morreram de fome, bêbados e largando no mato como qualquer bicho, morre.
Por isso, que eu infelizmente não comemoro esta data como a libertação dos escravos, sim um dia que aconteceu a falsa abolição, e aqui nossa Associação, Associação Cultural literatura no Brasil, junto com o negro sim, saiu nas ruas de Suzano em uma marcha, pela igualdade racial.
Fiz este texto o declamei, mostrando minha indignação contra todo tipo de preconceito, racismo, e discriminação contra os negros e contra todos os nordestinos, nas grandes metrópoles.


O ENCANTO DO NEGRO

Eu gostaria de ser um poeta, um poeta de verdade,
Para descrever através dos meus versos
Nas entrelinhas de minha poesia,
A vida e seus momentos diversos.
E através dos versos, na melodia das rimas,
Alegrar o coração dos que vivem em prantos.
Fazer vibrar de alegria, os que andam tristes,
E se possível apagar da vida o desencanto.
Mesmo que fosse por um segundo,
Mas eu pudesse mostrar ao mundo,
Do negro o verdadeiro encanto.

Eu não descreveria aquele grito tristonho,
De um negro preso em uma senzala.
Nem tão pouco aquele grito de dor
De uma mulher negra, chamada escrava,
Tratada como um animal selvagem,
Gritando no tronco, quando um chicote surrava.
Não, eu não descreveria tal coisa,
Porque isto, nem um pouco me agrada,
Mas eu descreveria lutas, batalhas e glorias,
De um quilombo, que ficou na história,
Como um valente que enobrece esta raça.

Mas eu sei que não sou um poeta,
Faço rimas e versos quebrados,
O que eu sei que eu sou um valente,
Transpondo barreiras, vencendo obstáculos,
Quando venço, é porque sou capaz...
Não derrubo quem está do meu lado,
Me orgulho de ser como sou,
Aonde vou, sempre dou espetáculo
Se sou negro, me orgulho de ser!
Nem tão pouco me envergonho em dizer,
Que um dia eu já fui escravo.

Mas poeta, eu sei que não sou, não, não sou.
Nem sou sábio, para falar de uma causa tão nobre,
Mas bem sei que eu nasci como todos,
Pelado, sem dentes, não nasci rico nem pobre.
Deus me abençoou com o milagre da vida.
Sou negro, negro sim, mas isto não é motivo,
Para que eu me lamente da sorte.
Se eu levanto não caio, mas se eu caio levanto,
Porque sou um guerreiro, sou bravo, sou forte,
Por isso debulho nas cordas de um violão,
No batuque de um tamborim, na batida do rap,
Na melodia de uma canção,
Eu sou o negro que não nasci chorando,
Eu já nasci gritando:
Liberdade ou morte.

Francis Gomes
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