quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Aristides com sua loucura quixotesca, em prol da memória, e da cultura.


Farias Brito tem uma longa história de loucos.
A loucura que para muitos significa um desvio
de consciência, ou um desequilíbrio das regras
mentais, na minha opinião não passa de um poder
em se opor a todas as regras que a sociedade tenta
amordaçar aos impulsos da liberdade
e de interpretação pessoal.
Farias Brito recebeu, um dos seus principais loucos
que já desembarcaram no seu cotidiano.
Só um possuído por acesso de loucura, largaria
uma confortável vida na principal urbe do sul do país,
para resgatar bens culturais de um torrão tão estranho,
que mal se sabe ao que o levou a tantos desafios.
Com uma vontade incomum de descobrir origens,
e dar cidadania a pessoas que se perderam nas entranças
da vida, essa figura de ares estranhos, caminhado trôpego,
e linguajar alvoroçado, vai demonstrando ao mundo,
como na vida se encara um desafio, de construir laços
históricos, e dar a um povo um resgate de suas origens.
No meio de um amontoado de lixo, e resquícios
de administradores públicos irresponsáveis,
resolveu criar um espaço, que nenhum dos seus filhos
legítimos um dia se quer, ousou em sonhar:
o Arquivo Público de Farias Brito.
Como um louco comportou-se, como um louco viveu
uma vida de trabalho e dedicação, como um louco
deu a Farias Brito o maior exemplo de dignidade,
que só um louco pela vida e pela dignidade humana,
poderia imaginar.
Ao Aristides, guardo pela sua pessoa, um respeito
humano dos mais profundos, e externo o maior sentimento
de agradecimento e de gratidão, por ter tornado possível,
clarear mentes e abrir horizontes, no meio de tantos
desafios impostos.
Farias Brito um dia irá reconhecer esse amor tão profundo,
que só aos loucos, é dado o poder soberano de entendê-los.

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