quarta-feira, 29 de abril de 2009

Dia da caatinga o que comemorar?

Nesta terça-feira, dia 28 de abril comemorou-se no Nordeste do Brasil o dia da Caatinga. Mas convenhamos... O que devemos mesmo comemorar? Se o bioma dos nossos sertões nordestinos vem sendo vergonhosamente castigado pela sanha destrutiva do bicho homem. Por sinal o único dos animais, que cabotinamente pensa que não é animal. O que devemos comemorar? Se o caos ambiental também se expressa com todas as suas cores pálidas e negras nos nossos grotões, até mesmo nos mais distantes das grandes metrópoles? O que se há de comemorar? Se a devastação a cada dia continua a crescer como um verdadeiro câncer a se abater sobre a fauna e a flora das nossas matas.

Com que moral nós sertanejos da passividade, os acadêmicos da indiferença, os técnicos dos birôs a ar-condicionado, os latifundiários sedentos de vil metal? Os políticos fisiologistas, os cegos da imprensa-marrom, os pequeno-burgueses das cidades, os sulistas insensíveis, os ecochatos do pensamento tosco e mesquinho acostumados com suas frases feitas? Os covardes que a todos os demais se igualam justamente pelo teor da sua absurda indiferença. Então, o que de fato teremos que comemorar? Nossa caatinga está num processo acelerado de desaparecimento total. Só os cegos dos governos e da pós-modernidade não vêem o que está a ocorrer com os recursos naturais da caatinga nordestina e do Ceará em especial.

Grandes levas de espécies animais e vegetais ou já estão completamente perdidas ou em vias de desaparecerem para sempre. O processo de extinção das nossas espécies é hoje uma realidade que nos fura os olhos e arranha a nossa sensibilidade. Todo o desequilíbrio e a degradação dos ecossistemas planetários também se expressam na biodiversidade dos nossos sertões historicamente ao "Deus dará".

Nossos rios, fontes e riachos passam todos por um intenso e avançado processos de destruição. Explorados que são pela fome de poder de todos aqueles que ainda não estão convencidos de que a natureza é vida e de é impossível se comer dinheiro. Desrespeitada que está pela insensatez e ignorância das pessoas, através de atitudes esdrúxulas como o desmatamento, as queimadas, a caça e a pesca predatória, a poluição dos nossos lençóis freáticos, pelas enxurradas de esgotos despejados nos nossos frágeis mananciais. E daí decorre todo o resto: assoreamento, erosão desenfreada, derrubada da mata ciliar, barramento indiscriminado dos nossos rios, extinção de espécies endêmicas, desertificação, estiagem prolongadas e cheias inexplicáveis entre outros fatores. Outras conseqüências incalculáveis ainda estão por vir. Pois, como bem disse o sábio tibetano, o simples bater de uma asa repercute pelo universo inteiro. Com a natureza acontece exatamente assim...

Mas, digamos, se não temos muito o que comemorar neste dia da Caatinga – um bioma exclusivamente brasileiro, único do planeta. Devemos pelo menos aproveitar este momento para uma reflexão profunda acerca da nossa relação histórica com a "mata branca" do sertão e seus recursos naturais. Quem sabe assim, possamos abrir os olhos para a catástrofe e o abismo que se avizinham e que estando todos, conscientes ou não, indo ao seu encontro. Quem sabe, também possamos despertar deste sono letárgico a que estamos todo submetido, quer seja, o da destruição total do próprio planeta. Talvez, se nada for feito no sentido da mudança dos nossos velhos paradigmas socioambientais, fatalmente experimentar do mesmo fim trágico que tiveram os dinossauros.

Que neste dia dedicado a caatinga possamos pelo menos reavaliar nossos princípios e nossa maneira de relacionarmos com a natureza e os recursos naturais da biosfera de um modo geral.

Vivamos então a Caatinga do Ceará e do Nordeste. Pois este bioma singular é, por assim dizer, o maior patrimônio do homem sertanejo e brasileiro.
Por: José Cícero
Professor, Pesquisdor e poeta
Secretário de Cultura de Aurora-CE.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Carta do Leitor

Edivanio sou de Farias Brito estou em S. Paulo a mais de 40 anos voce ainda nem tinha nascido leio tudo que voce e outros escrevem sobre esta saudosa cidade mais tenho curiosidade de saber quem são seus pais porque de repente eu os conheço. o Elmano eu lembro dele e os pais dele eram compadres dos meus pais. Seu Zé Moura que tambem faleceu agora tambem era padrinho de uma das minhas irmãs foi linda a homenagem a ele fico aguardando tua resposta ok? IRENE
 
Resposta do Blog Farias Brito:
Oi Irene,
 
o Blog Farias Brito é formado por um grupo de pessoas que disponibilizam um tempinho para compartilhar notícias, fotos, poesias e outras informações acerca da cidade de Farias Brito. Além do Dr. José Edivânio, temos muitos outros colaboradores que ajudam a manter viva este berço de cultura que tentamos manter sobre a cidade. O Blog foi idealizado por mim (Yuri), Taciano Pinheiro e pelo Dr. Cazuza. Só conseguimos manter este trabalho gaças aos nobres esforços de vários colaboradores, tais como: Elmano Rodrigues, Cícero Menezes, Joilson Kariri, Francis Gomes, Luiz Domingos, Dr, Aureliano Pinheiro, José Cícero, Dihelson, entre outros.
 
Claro que não conseguiríamos manter este projeto sem o incentivo e apoio dos nossos vários leitores que estão sempre nos prestigiando, lendo o nosso Blog assiuamente.
 
Pedimos aos nossos visitantes que entrem em contato com a gente, pois certamente estas mensagens de apoio ajudam nossos escritores estarem sempre bem criativos e dispostos a compartilhar os artigos.
 
Abraços,
Yuri Lacerda
Administrador do Blog Farias Brito

sábado, 25 de abril de 2009

8ª FEIRA DA MÚSICA tem recorde de inscritos e inicia novo processo de escolha

A 8ª Feira da Música, que acontece em Fortaleza de 19 a 22 de agosto deste ano, teve o maior número de inscritos de todas as edições já realizadas. Foram mais de 570 trabalhos recebidos de bandas, instrumentistas e cantores dos mais diversos gêneros, de todo o país. Todos estes projetos, recebidos pela organização da Feira da Música entre janeiro e início de abril, passarão agora por um processo de seleção da curadoria, que fará uma triagem inicial de 150 trabalhos e, posteriormente, selecionará 60 grupos que deverão participar do evento.

O PROCESSO DE SELEÇÃO

Na primeira fase, que selecionará 150 inscritos, a curadoria da Feira da Música fará uma avaliação sob a perspectiva da qualidade técnica e artística, potencial de mercado da banda e a capacidade de circulação e articulação. Por essa triagem poderão passar tanto bandas novas como grupos mais conhecidos que já tenham boa circulação nacional. A relação completa das 570 bandas já está disponível no site da Feira da Música: www.feiramusica.com.br.

A partir daí, começa a segunda fase, quando será entregue um questionário aos 150 grupos pre-selecionados. Nele, as bandas vão informar de que forma pretendem aproveitar melhor sua participação na Feira da Música e como vão se articular para conseguir estar presente ao evento. Com isso, serão escolhidos os 60 grupos que vão participar ativamente da Feira, não apenas nos palcos.

AS VANTAGENS DO NOVO PROCESSO SELETIVO

Com o novo processo de escolha dos grupos e o vínculo destes com as demais atividades que acontecem dentro da programação do evento, a Feira da Música dá um passo fundamental para a consolidação de sua real proposta, que é estimular a geração de novos negócios e parcerias com todos os envolvidos na cadeia produtiva da música. Por isso a importância de cada grupo estar nas oficinas, palestras, debates, painéis, rodadas de negócios e no pavilhão de exposições. Dessa forma, as bandas passam a ter um maior diálogo com a organização da Feira da Música, que abre várias possibilidades para o máximo aproveitamento das atividades do evento.

QUEM FAZ A FEIRA DA MÚSICA

A Feira da Música, que este ano tem como tema Novas Tecnologias e Ambientes na Web, é uma realização da Associação dos Produtores de Discos do Estado do Ceará (PRODISC) em parceria com o SEBRAE-CE e um comitê gestor, inaugurando uma forma coletiva de gestão do evento.

No campo institucional estão: Ministério da Cultura e Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura (apoio cultural); Prefeitura Municipal de Fortaleza, por meio da SECULTFOR (promoção); PRODISC e Sebrae-CE (realização); Banco do Nordeste e BNDES (patrocínio). Na área operacional o comitê é formado por produtoras associadas com atuação no mercado cearense: Midiamix Comunicação Viva, Caldeirão das Artes, Letra Viva Comunicação e Eventos, JF Produções, Anima Cult e produtores autônomos.

24/04/2009

DÉGAGÉ

Assessoria de Imprensa

Jornalistas Responsáveis: Sônia Lage e Eugênia Nogueira

(85)3252.5401 / 9989.5876 / 9989.3913

degage@degage.com.br / www.degage.com.br

sexta-feira, 24 de abril de 2009

V Vaquejada de Inverno de Farias Brito

Parque de Vaquejada Silva Antero
Farias Brito - CE

Sexta-feira, 15/05/2009
Forró no Parque
Forrozão Tome Amor

Sábado, 16/05/2009
Fran e Felix
Caninana do Forró

Domingo, 17/05/2009
Forró do Kqueado
Ferro na Boneca

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Projeto Cinema no Interior documenta em foto e vídeo as riquezas de cinco municípios cearenses

Projeto Cinema no Interior documenta em foto e vídeo as riquezas de cinco municípios cearenses

FORTALEZA, 24.04.2009 - Após percorrer, na sua primeira fase, o Brasil das Serras Gaúchas ao Amazonas, o Projeto Cinema no Interior, vem desenvolvendo na sua segunda fase um trabalho de registro de parte das principais riquezas interioranas da região Nordeste.

Com patrocínio do Banco do Nordeste, através do Programa BNB de Cultura e apoio do Exército Brasileiro, foram realizadas as Etapas Alagoas e Sergipe. Neste mês de Abril, deu-se início à realizacão da Etapa Ceará.

O projeto percorrerá o estado do Ceará de uma ponta a outra, iniciando pelo município de Juazeiro do Norte (já com o apoio da Prefeitura Local, através da Secretaria de Cultura), seguindo por Assaré, Quixadá, Quixeramobim e Itarema. Durante o  deslocamento do Projeto por essas cidades, outros municipios deverão ser incluídos no roteiro.

O Projeto Cinema no Interior tem como principal objetivo documentar em foto e vídeo as principais riquezas interioranas. O trabalho terá como produto final um catálogo fotográfico e um vídeo-documentário sobre a diversidade cultural, ambiental e histórica de parte do interior cearense, tendo como co-pesquisadores, co-produtores, personagens e platéia principal a própria população local.

Para maiores informações visite o site do Projeto, www.cinemanointerior.com.br <http://www.cinemanointerior.com.br/> , ou através dos telefones abaixo.

Atenciosamente,

Marcos Carvalho
Diretor do Projeto Cinema no Interior
www.cinemanointerior.com.br <http://www.cinemanointerior.com.br/>

Telefones:
87 8806 0597
87 8811 6100

E-mails: marcoscarvalho@cinemanointerior.com.br; cinemanointerior@yahoo.com.br; montserratfilmes@yahoo.com.br

GRANDE ENCHENTE NO RIO CARIUS


O Rio CARIUS que nasce em Santana do Cariri e passa nos municípios de Nova Olinda, Crato, Farias Brito e Carius amanheceu nesta manhã de 5ª Feira transbordando a sua calha.
O acesso de motos e veículos para o distrito de Nova Betânia foi impedido pelo represamento das águas nos Sítios Escondido e Barriga.
Para a Região dos sítios Patarábia, Canabrava e São Vicente o acesso é feito através de uma canoa.
Já o acesso para o distrito de Cariutaba está normal pelo Sítio Oitis. O distrito de Quincuncá também normal utilizando a Ponte Manoel Pinheiro de Almeida, do Rio Carius.
A população de Cariutaba ficou apreensiva durante toda a noite de ontem com a chuva de 160 mm ocorrida naquela localidade e durante todo o dia de hoje, temendo alagamento nas moradias e lavouras.
Durante a tarde as águas começaram a baixar lentamente, mesmo assim, a população está em estado de alerta temendo grandes precipitações.











O acesso para o distrito de Nova Betânia foi impedido na Passagem molhada do Sítio Escondido para veículos e motos devido ao represamento das aguas.
O acesso de pessoas para os sítios das regiões de Canabrava, Paatarábia, São Vicente e outros apenas através da Canoa.

sábado, 18 de abril de 2009

História: Prefeitura de Aurora adquire antigo Casarão da Reffsa

Prefeitura de Aurora adquire prédio antigo preservando patrimônio histórico do município
A Prefeitura de Aurora acaba de conseguiu a aquisição do prédio histórico conhecido popularmente com 'o Casarão da Reffsa". O antigo prédio serviu durante muito tempo com residência do agente da rede ferroviária quando o trem ainda era uma realidade em toda região. Edificado no inicio da década de 20, o velho casarão constitui uma verdadeira relíquia. Um testemunho vivo de parte importante da história de Aurora. Por pouco, não toma o mesmo destino do Galpão da Reffsa e da Cadeia Pública do município. Ambos demolidos há mais de 10 anos.

Sabedor da importância da preservação da memória histórica e cultural, o prefeito Adailton Macêdo decidiu pela aquisição da casa do agente atendendo a uma das primeiras propositivas da Seculte-Aurora.

O prédio está em estágio avançado de reforma e, conforme o secretário de cultura do município, o professor José Cícero, as obras se estendem igualmente ao prédio da Estação. O primeiro abrigará a sede da secreatria, albergando os departamentos de Cultura, Turismo e Esporte. Além de possibilitar um adequado espaço para Exposições permanetes, oficinas de artes e ofícios, bem como de lazer e entretenimento cultural. "Vamos criar novos espaços para nossos artistas e artesãos", disse o chefe da pasta. O casarão será por assim dizer um verdadeiro propulsor do novo movimento sóciocultural de Aurora.

O titular da Seculte, comemorou a aquisição do prédio por ser pesquisador e estusiasta da preservação da história de Aurora. Quanto à estação ferroviária, a idéia é abrigar a bibliotca Pública que terá seu acervo ampliado. O segundo salão da estação servirá a Ilha Digital e o centro um museu, espaço público-cultural e praça de alimentação(centro gastronômico valorizando a rica culinária local), disse o secretário. "Temos um projeto mais extenso com vistas ao tombamento de outros espaços históricos, a exempo do próximo, que será o antigo prédio que serviu como residência ao fundador de Aurora - Cel. Xavier, que remonta os idos de 1731, Além da estação e a casa do agente do distrito de Ingazeiras, finalizou.

XIV Festival de Violeiros

XIV Festival de Violeiros mobiliza a classe trabalhadora da Cidade de Farias Brito 

     O Município de Farias Brito, localizado no Sul do Ceará e antigamente denominado de Quixará, tem as  suas raízes históricas ligadas aos índios Cariús  e recebeu a  atual denominação no ano de 1953, em homenagem ao filósofo cearense Raimundo de Farias Brito.

     Há 14 anos, a classe trabalhadora do Município se reúne em torno do Festival de Violeiros, no dia 1º de Maio, um evento que reúne cantadores e repentistas de diversas cidades do Estado do Ceará e da Região Nordeste.

     O referido evento, promovido pela Prefeitura Municipal é uma forma de resgatar as antigas tradições do Município, enraizadas nas famosas "rodas de violas" e "cantorias" ainda muito presentes na vida do povo e que se perpetuam na memória histórica sertaneja..

     Artistas regionais e locais, amantes da poesia e em especial os trabalhadores, fazem parte do público presente, todos com o objetivo de cultuar a alma  camponesa pela apreciação do toque saudoso da viola. Neste ano, o Festival traz uma homenagem ao Poeta Patativa do Assaré, por ocasião do centenário de seu nascimento. Contam os antigos que a Serra do Quincuncá neste Município, foi por diversas vezes palco das apresentações do renomado poeta.

     A festa de viola é organizada pela Secretaria de Educação e Cultura do Município e pela Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, num clima de entrosamento e participação das escolas e da classe roceira. Na ocasião, são lançados cordéis produzidos pelos alunos, como forma de manter viva tão propagada tradição.

     Junto a esta programação anual fazem parte do calendário cultural do Município de Farias Brito o "Arraiá do Povão", no período junino e a tradicional vaquejada que acontece no mês de setembro atraindo pessoas de todo o Cariri.

     A religiosidade popular cultua a Imaculada Conceição no período de 28 de novembro de 08 de dezembro, período de reflexão religiosa, quermesses e leilões, numa união do sagrado e do profano na vida do povo.

     Desponta com vigor a festa do milho em seu segundo ano, sinalizando o tempo da colheita,oportunidade em que uma comunidade rural do Município é o palco do acontecimento, que reúne uma grande multidão de participantes numa disputa artísticad erainhas, pratos típicos e maior espiga.

     Assim , Farias Brito cresce culturalmente a cada dia, procurando resgatar o que de mais belo existe na alma e no sentimento de sua gente trabalhadora.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Seu ZÉ MOURA - PASTOR DAS COISAS INTANGÍVEIS.



Filho de Francisco Alexandre de Moura e da Maria Romana de Moura, nascido no dia 23 de junho de 1922, no Sítio Umari Torto, no município de Cedro, recebeu, na pia batismal, o nome de José Alexandre de Moura.

A vida do pequeno José seria marcada por grandes dificuldades e sofrimentos. O sonho da escola foi logo trocado pela dura realidade da roça. Trabalha quotidianamente no cultivo do arroz, nas vazantes dos açudes, nas frias madrugadas sertanejas. As condições adversas dessa labuta o levou a contrair uma doença reumática que o deixaria paralisado durante anos. Diante dessa realidade, surgiu na alma do jovem Zé Moura uma decisão que marcaria toda sua trajetória existencial: se a vida parecia absurda e sem sentido, resolveu aquele jovem dar-lhe significado. Logo que recomeçou a andar, já palmilhava as veredas do mundo trabalhando nas frentes de serviços, durante as grandes secas, para se manter e também ajudar os seus pais.

Viajou pelo Ceará, Piauí e Maranhão, abrindo estradas nos sertões hostis e ressequidos, construindo açudes nos grotões das serras mais incultas, convivendo com toda sorte de perigos e privações. Autodidata, lia os poucos livros, jornais e revistas que lhe chegavam às mãos, à luz das lamparinas, nos acampamentos improvisados, em latadas de oiticicas e marmeleiros. Do Piauí, ele chegou a Farias Brito, no final da década de 40, época em que conheceu Anita, singela e delicada flor, a beleza mais suave daquele lugar. Casaram-se, e desse casamento nasceram: Jurema, Tibério César (que se encantou em “anjo” com apenas um ano), Rosemberg, Rita de Cássia e Juruena.

A vida desse homem simples do sertão, naquele período, adquiriu talvez o seu sentido mais profundo: resolveu dedicar-se integralmente à educação dos filhos e semear sua bondade com o próximo. Na grande seca de 1958, Zé Moura, com a família, em cima de um caminhão, deixou a cidade de Farias Brito e foi morar no Cedro, reencontrando seus pais, irmãos e parentes.

Trabalhador incansável e empreendedor, Seu Zé Moura se estabeleceu com um pequeno comércio e uma oficina de ferreiro. Em 1964, veio uma grande invernada, e as águas levaram para o mar o pouco que esse homem colhera, depois de décadas e décadas de trabalho. As águas empurram-no agora para o Crato, para as paisagens mágicas e verdejantes do Cariri. Com ajuda do sogro, Manuel Pereira, reconstruiu, pouco a pouco, o que perdera. Passou a trabalhar na gerência de um posto de gasolina e conseguiu, por fim, montar mais uma vez, uma pequena mercearia e sorveteria, na subida da ladeira do seminário. Esse local se transformaria em ponto de encontro de muitos artistas tradicionais e figuras populares da região, que sempre encontravam em seu Zé Moura o conselho fraterno, o socorro para as pequenas dificuldades, a amizade mais sincera. Entre os seus amigos, Patativa do Assaré, Cego Oliveira, Dona Ciça do Barro Cru, Cego Heleno, Vitório, Zé Gato e tantos outros mestres da cultura popular que os seus filhos aprenderiam a admirar. Figura popular e querida, seu Zé Moura, irradiou a sua imensa generosidade e marcou com sua solidariedade o coração de inúmeros amigos.

Homem sincero e cumpridor da palavra empenhada, teve a admiração das mais proeminentes figuras do Crato, mas sempre manteve uma profunda coerência com os seus princípios de simplicidade, de honestidade e de respeito pelo próximo. Se tanto ajudou os outros, com o seu espírito de desprendimento e de solidariedade, tudo fez pelos filhos. Trabalhou noite e dia, em ininterrupto e desmedido esforço, junto com a sua esposa, para que os filhos estudassem em centros mais adiantados, como Fortaleza e Ouro Preto. Para ele, não era importante amealhar bens materiais. Compreendeu, desde cedo, que a grande riqueza, que a grande herança que poderia deixar para os seus filhos, seria a educação, o seu exemplo de retidão, de amor, de bondade, de amizade, de solidariedade e de sabedoria. Não satisfeito, vendo os filhos formados e bem encaminhados, quis, também, que seus netos, seguissem as mesmas lições de vida e de ética. Incansável, já velhinho, velhinho, quis, ainda, para seus bisnetos todos os exemplos do bem.

Pastor das coisas intangíveis, deixou o legado invisível e de imensurável valor, plantado nos espíritos dos seus filhos, netos, bisnetos, irmãos, parentes, descendentes e amigos: o exemplo da sua bondade e do seu amor.

Durante o sofrimento com a prolongada doença, nunca reclamou da sua dor. Fui um sereno guerreiro, um homem de luz. Zé Moura amou a vida como um monge budista, em sua profunda aceitação e serenidade. Sua família, a esposa, Dona Anita, os filhos e os netos estiveram sempre ao seu lado.

Insondáveis são os mistérios de nossa existência. A morte é a completude do homem. Só com a morte, podemos saber, em profundidade, quem era o homem que nos honrou com sua iluminada presença, durante sua rápida passagem pela terra. No momento derradeiro, ali estava Seu Zé Moura, pobre como São Francisco, que nenhuma riqueza material este homem guardara para si. No entanto, como era grande esse homem! Tremem de emoção, de saudade e de reconhecimento todos os que o conheceram e foram transformados pelo seu amor.

Numa época de exacerbação dos valores materiais, em que muitos são lembrados e louvados pelas suas posses ou pelo tamanho dos marcos físicos que na terra deixaram, Seu Zé Moura dá-nos um comovente exemplo de vida. Nada, nada de material esse homem deixou. Talvez, por isso, tenha deixado o seu tesouro maior: a paz dos seus olhos claros, a doçura do seu sorriso, as palavras amigas, o gesto de solidariedade, as brincadeiras, os bombons que distribuía com os netos, bisnetos e crianças da vizinhança; uma paciência, sem fim, diante das agruras e dos sofrimentos da vida que ele tornou sagrada.

José Alexandre de Moura foi um lírio do campo que fiou e que teceu a ternura da vida. No entanto, nem o mais poderoso e rico dos homens foi capaz de irradiar tanta simplicidade e tanto amor, no cumprimento da sua breve missão sobre a Terra. Ele não esperou que a vida e a absurda condição humana lhe dessem um sentido para a sua existência, ele mesmo o fez e humanizou a vida.


Fortaleza, 10 de abril de 2009

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Triste Sina

Luiz Domingos de Luna

Que triste sina esta minha!
De nascer neste torrão
Pegado na mão da miséria
E agarrado no fracasso
Tem que ter nervo de aço
Para não virar pedaço
E suportar a aturação
O poeta é graduado
Mas sem anel ou anelado
Não vai mudar o estado
Da nossa situação
Convidei os folcloristas
Para assistir nosso forró
Sem sanfona, sem zabumba.
Sem triângulo e sem suor
O teclado agora berra
Não tem mais o pé de serra
Não sei se acerta ou erra
Quem tirou o pão de ló
Fomos olhar a boiada
Que era tangida na estrada
Pois o chocalho se ouviu
Que boiada que nada
Era um coitado que cantava.
E seu nome era Brasil.
Convidamos toda a mídia
Jornal, rádio e televisão.
Todos gritaram a uma só voz
É uma doença que
Atingiu o seu coração
É um vírus persistente,
É uma força onipresente
O seu nome é conhecido
É um bicho bem sabido
O nome é corrupção
Ataca a democracia
Corrói a instituição
O direito se esfarela
Pois até a sua costela
Vira massa de construção
Acaba-se o operário
Ou espertalhão ou otário
Eis aí a prescrição
Dá uma febre danada
O termômetro não
Baixa nada
Pois pode olhar a pesquisa
Só se olha o do outro
Que se visa
Não tem mais o cidadão,
São espertos, vivo, sortudo, sabido?
Todos são conhecidos
Mas não com nome
De ladrão.
Quem falar isso é mentiroso, não é patriota,
Não passa de um agiota
Que quer loar a vernaculação
Cadê a ética, a cidadania.
A dignidade, a família.
O Estado.
A sociedade, o contrato social,
Ainda bem que a justiça
É cega,
O futuro se encerra,
Em mais um filme
Que todo mundo viu,
A imprensa não foi silenciada,
Mas, por mais grito,
Mais grito, mais roucada,
Mais dia, menos dia
Fica calada, pois é um grito
Que ninguém quer ouvir mais não.
É o dia da diária
A quinzena da
quinzenada
É a mensalada do
mensalão
É o grito da boiada que
Ficou para trás não
Tem mais boiada não.
É o sertão que virou mar
É o mar que
Virou sertão.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Flávio Paiva lança livro sobre a crise na Infância


Flávio Paiva é um escritor-educador que vai fazendo as perguntas, que não para, que incomoda e desacomoda, que procura levar consciência às pessoas, uma consciência que liberte.

Pedrinho Guareschi - PUC/RS

O jornalista e escritor cearense Flávio Paiva lança nesta sexta, 17 de abril, sua mais recente obra: Eu Era Assim - Infância, Cultura e Consumismo (Cortez Editora, 2009).  Nela, o autor trata da violência do consumismo na infância, de referências pedagógicas empíricas, da força invisível da cultura, do lúdico como liga da contação de histórias entre adultos e crianças e da urgência do brincar. O lançamento, seguido de autógrafos, acontece na Faculdade Pitágoras - Rua Santa Madalena Sofia, 25, bairro Cidade Jardim, em Belo Horizonte, às 16h. No mesmo dia e local, das 14h às 16h, Flávio Paiva, participa de debate sobre Infância, Consumo e mídia, durante o "V Colóquio ANDI - XII Encontro Nacional de Professores de Jornalismo".

Na crise do padrão civilizatório que atinge o meio ambiente e as relações humanas a infância é a parte mais sacrificada. Em muitos países do mundo, inclusive no Brasil, estão sendo tomadas medidas de proteção à criança diante de um modelo que entrou em exaustão pelos desequilíbrios resultantes de suas próprias inconseqüências.

Em "Eu era assim - Infância, Cultura e Consumismo" Flávio Paiva revela que a única certeza absoluta com a qual a sociedade contemporânea se depara é a de que não há mais espaços para saberes e conhecimentos absolutos. A transdisciplinaridade é uma das características do tempo, dos olhares, das identidades e da comunicação em um mundo que se redescobre na sua própria crise de significados.

A construção da realidade cotidiana desorganiza a lógica do discurso linear e do olhar bem comportado sobre uma educação que não está mais somente na responsabilidade da família, da escola e da igreja, mas também dos meios de comunicação de massa e das redes sociais físicas e virtuais.

As perspectivas de sociabilidade e de sustentabilidade apontam para uma reeducação do múltiplo com o múltiplo e pelo múltiplo, que passa pelo fortalecimento da cultura, da cidadania, da importância da reconsideração da natureza e, sobretudo, pelo respeito à infância.

Em seu livro, Flávio Paiva presenteia o leitor com diálogos praticados na interdependência das disciplinas, nas interfaces das ciências humanas e sociais e no que seria uma proposta educativa do jornalismo, tendo como elementos de catálise o drama social vivido pela infância, diante da homogeneização cultural e do fenômeno do consumismo.

Em seus escritos, o autor, com curiosa estranheza e largado senso de participação, faz o cruzamento desses temas, pelos campos da educação, da literatura, do direito, da filosofia, da psicologia, da neurociência, da sociologia e da comunicação social, em falas cheias de expectativas e de crença na vitória da ética humana.

Do mesmo modo que as circunstâncias atuais fizeram desaparecer os absolutos, nas páginas de "Eu Era Assim...." o único ponto conclusivo é o que coloca o processo como produto da discussão de idéias, opiniões e de conceitos.

Título: Eu era assim - Infância, Cultura e Consumismo

Autor: Flávio Paiva

Editora: Cortez (São Paulo)

Lançamento: 2009

Nº de páginas: 336 p.

Preço de referência: R$ 42,00

Flávio Paiva é colunista semanal do Diário do Nordeste. Para crianças escreveu e compôs Flor de Maravilha (20 histórias e 20 músicas), Benedito Bacurau - o Pássaro que não nasceu de um ovo (prefácio de Rubem Alves e leitura e ilustrações musicais feitas por Antônio Nóbrega), A Festa do Saci (acompanha CD com 13 músicas interpretadas por Giana Viscardi, Marcelo Pretto, Suzana Salles e Orlângelo Leal), Titico achou um anzol (aventura com aves e animais da caatinga) e Fortaleza - de dunas andantes a cidade banhada de sol.

Site: www.flaviopaiva.com.br


Informações para a imprensa

AP Comunicação - (31)3282-130 e (31)9972-8180

E-mail: apio@uai.com.br



Telefone para contato: (85) 9982-2669

E-mail: flaviopaiva@fortalnet.com.br

terça-feira, 7 de abril de 2009

Fanatismo na imprensa

Por Luiz Domingos de Luna

 

No final da Semana Santa, sempre ocorre na imprensa escrita, reportagens que sem o olhar acurado da ciência social, ou no oportunismo gratuito do momento de oração e vigilância, muitos jornalistas se arvoram no poder de posse dos donos da verdade e no filtro viciado das salas de jornalismo a fazerem reportagens gratuitas e inoportunas, desprovidos de um estudo empírico ou um trabalho sério de campo comprometido com a realidade dos fatos. Neste período é comum a Ordem Santa Cruz – Penitentes- Santa Igreja de Roma ser tratada como um seita de fanáticos, lunáticos, com uma linguagem e  um acervo fotográfico que repassa sempre uma visão negativista para   o público que, por falta de outro ângulo de observação, sempre cordeiristicamente a absorver todo este lixo de um jornalismo imprudente, mesquinho e  oportunista.

 

Creio que, com a chegada da internet, com o aumento dos sites, blogs e toda estrutura de liberdade do mundo on-line, estes linchadores dos penitentes vão ter menos espaço para injetar na veia da sociedade a sua ira ou sadismo desenfreando, usando o cargo de formador da opinião pública, para desinformar, para confundir e para oprimir uma {categoria} que sempre sofre calada com a ação cada vez mais violenta e virulenta de um jornalismo escrito de um sadismo estarrecedor.

 

Creio que nesta Semana Santa com o olhar de respeito e liberdade característico dos olhos do mundo on-line, todos nós que participamos da construção deste mundo virtual em benefício da epistemologia genética da humanidade para o bem, não vamos mais aceitar práticas que atacam o estado democrático de direito à liberdade de culto no estado Laico como é o nosso caso.

 

Nós do mundo oline sempre ficamos a mercê das embromações da  imprensa escrita, sempre consumimos o produto e o sub produto do deuses da imprensa escrita, Eu, particularmente, como integrante da Ordem Santa Cruz já fui tachado de todo adjetivo negativista que suja a história da humanidade via imprensa escrita, ainda que não diretamente em citação a minha pessoa, mas a ordem como  um todo, porém,   com o ataque a Sublime Ordem, sinto-me também atacado, Assim, como todos os irmãos devem se sentir.  Nós da ordem Santa Cruz, bem como em todas as nossas oficinas jamais direcionamos um olhar pejorativo ou de desgaste para com as ordens sublimes existentes no Brasil.

 

Estou convicto de que os meus irmãos, não interessa o credo ou profissão de fé aos olhos do mundo oline, também estarão em alerta  para conhecer estes oportunistas  de plantão.

 

Praza Deus, com os ventos de liberdade e da internet nem existam mais, ou não usem o teclado do computador para depreciar e molestar  o que não se vive, não se conhece e não  responde as provocações de  lobos  vestidos de cordeiros.

 

Luiz Domingos de Luna.

Mestre de Ordem, Ordem Santa Cruz – Penitentes – Santa Igreja de Roma forania de Aurora aos 7 dias do mês de Abril,2009.

domingo, 5 de abril de 2009

Divagações de um velho romântico esquecido nas bibocas do mundo

Por: José Cícero
 
Em outros tempos quando o fantasma da tecnologia ainda não havia descaracterizado por completo a naturalidade das cousas e dos acontecimentos marcantes do nosso dia-a-dia interiorano, tínhamos por assim dizer, razões de sobra para acreditar no futuro por meio de um prisma diferente, isto é, sem este sentimento contraditório de que seria preciso abrir mão dos nossos valores. Justamente os mais importantes que ainda nos restam hoje.

Agora à medida que os anos correm levam também consigo, grandes atributos que outrora constituíam o esteio de toda uma tradição própria das gentes dos sertões. A fome insaciável desta pseudomodernidade segue destruindo sem perdão nem piedade, aspectos que dantes, nos tornavam diferentes dos que Euclides da Cunha chamava de caboclos "neurastênicos da capital". De modo que, quase tudo o que agora existe à guisa de novidade em nossos grotões é cópia mal feita, clone mal concebido; produto de uma padronização desenfreada que não faz bem a ninguém. Uma engenharia mancomunada das elites monopolistas tramada nos porões do neoliberalismo pós-moderno com o fito exclusivo de explorar até a última gota do nosso sangue e da nossa individualidade e liberdade.

Será que estamos condenados ao que Sartre denominou de 'mau da civilização?' Será que este é o único caminho que nos resta? Será que este é de fato um caminho sem voltar. Nunca haveremos de ter/construir uma rota alternativa?
Não deve ser normal a idéia, assim como o propósito dos que nos querem transformar em parcas mercadorias. Isso não é direito querer coisificar o humano com o interesse mercadológico.Temos o dever ao menos moral de nos indignar e dizer Não a toda esta farsa: ópera bufa destes argentários de merda! Além dos velhos políticos agindo lá em cima, como se raposas fossem a pastorear nossas galinhas dos ovos de ouro.

Por isso é urgente defendermos com unhas e dentes as nossas raízes sócioculturais, assim como os nossos mais elementares direitos enquanto cidadãos. O nosso folclore, as nossas mais autênticas manifestações da cultura popular. Tudo isso nós é fundamental. São nossos referênciais históricos que ainda nos mantêm ligados de alguma forma a nossa ancestralidade. Não podemos nos transformar numa geração de teleguiados. Sem idéias, sem crenças, nem individualidades, diferenças, amor-próprio, auto-estima e até o livre-arbítrio para pensar e puder escolher o que bem nos convier. Este modelo que nos impõem já nasceu fracassado e ferido de morte em suas próprias constradições. Não serve portanto ao conjunto da sociedade.

A padronização imposta pelo capitalismo, por intermédio dos meio de comunicação de massa, sobretudo a TV é algo visivelmente contrário à natureza humana. Não podemos aceitar toda esta orquestração, calados com a indiferença dos pulsilânimes. Por que assim estaríamos sendo, no mínimo, coniventes com todo este estado de coisa apodrecida.

Por que a modernidade teima tanto em não conviver em paz, em harmonia com os nossos valores tradicionais? A quem interessa toda essa pantomima? Por que querem pôr fim as coisas maravilhosas que ajudaram no passado a cimentar o caminho do nosso presente?

Por que querem transformar as pessoas do mundo em simples consumidores. Não somos mercadorias e, tampouco meros consumidores como querem nos fazer acreditar.

Não somos retrógrados, reacionários, saudosistas, românticos, apenas por querer trilhar um caminho diferente. Nosso novo amanhã dependerá do tipo de atitude que ousamos praticar no agora. O caos social está batendo a nossa porta e não suporta mais protelações...

Sejamos romântico e daí! Utópicos, poetas, sonhadores de uma nova realidade alicerçado no chão dos nossos antigos valores ancestrais.

Queremos de voltar a arte circense como no passado, forte, respeitada e construtora de sonhos e integração nacional. Queremos o retorno do trem como um transporte por excelência popular e propulsor do progresso, mesmo que os lobistas dos transportes rodoviários não o queiram. Queremos o cinema como no passado ajudando a educar o nosso povo. O teatro de mamulengo(o Casimiro coco), o violeiro, o artista, o vaqueiro, o artesão, o professor, o caboclo do sertão; todos eles detentores do respeito nacional e da garantia de poder sobreviver dignamente por meio do seu ofício e da sua arte. Queremos extipar o fantasma do êxodo rural. Queremos uma cidade diferente, feliz, fraterna, igualitária e segura para todos. Uma educação realmente de qualidade e gratuita, construtora do saber e da cidadania popular.

Queremos a prática do respeito à natureza, à fauna à flora como incentivos para uma convivência sustentável, harmoniosa baseada na ética, no respeito e na tolerância. Ainda como exemplos sólidos de relacionamento digno, pacífico e respeitoso com todos os nossos recursos naturais, bem como da própria caatinga sertanela/nordestina. Queremos o direito de acesso à terra, sobretudo para os que nela produz e mora. Aspiramos com os punhos cerrados a reforma agrária, assim como a sociedade igualitária e coletiva dos nossos sonhos.

Queremos as noites dos sertões enluaradas embaladas pelos cânticos sorumbáticos dos penitentes da ordem santa cruz ou de outras irmandades espirituais. Queremos o ecossistema livre da ignorância, bem como do louco desejo de lucro e de poder dos homens. Queremos dá um basta ao gregarismo barato, assim como ao orgulho, o preconceito e o egocentrismo dos idiotas.
Queremos de novo nossas bibocas e nossas cidades visitadas pelas caravanas de Ciganos com suas belas mulheres coloridas, quiromantes, exímios trocadores a encher nossos dias de eternas fantasias.

Queremos de novo todo o romantismo de um passado que nos fez pensar grandes sem, no entanto, ser preciso tirar os pés do chão para se enxergar as estrelas. Porque desta forma foi que aprendemos a acreditar verdadeiramente no futuro.
Deixemos que as estrelas do céu nos vejam mais fraternos com parcimônia e inteligência, brilhando assim como todas elas.

Por: José Cícero
Professor, escritor e poeta
Secretário de Cultura, Turismo e Desporto
Aurora – CE.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A CÂMARA MUNICIPAL E O PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA

Por: José Edivanio Leite
Entre os princípios conhecidos pertencentes ao Direito Administrativo, facilmente se destaca o Princípio da Eficiência. Primeiro porque trata-se de novidade entre a Administração Pública, introduzido no ordenamento jurídico através da Emenda Constitucional n° 19/98. Segundo, por representar algo que todos almejam: A eficiência, qualidade e celeridade na prestação dos serviços públicos.É comum ouvirmos reclamações em relação a prestação de serviço público em toda a esfera estatal. Todavia, mister se faz observar a questão da prestação do serviço exercido pela Câmara municipal.Como a câmara municipal, na pessoa de seus vereadores podem ativar este Princípio? Bem sabe-se que o papel do vereador é legislar e fiscalizar os atos do Poder Executivo. Porém, para que haja a tão sonhada “EFICIÊNCIA”, tem-se que atuar da melhor forma possível. Isso importa em atender a população e incorporar-se como instrumento em favor dos munícipes, os quais os elegeram para representar seus interesses. Aliás, as leis propostas na casa legislativa deverão refletir a real vontade do povo e não a conveniência política, sob pena de deixarmos à margem a real democracia.O artigo 37 da Constituição Federal assim dispõe:“Art. 37 - A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...”Consoante se extrai da Carta Política brasileira, o serviço público deverá ser prestado eficientemente. É uma imposição da nossa lei maior. Daí nasce o dever de trabalhar com qualidade para os munícipes, sem distinção, defendendo os seus interesses, os da cidade como um todo.Ademais, é desgastante o processo de cobrança pelos munícipes, os quais são os mais prejudicados. Porém, é o que deveria ser feito: O vereador cobrar o Prefeito e o povo cobrar o seu vereador, pois sempre é ele que está mais próximo, pois representa uma determinada região.Ora, a câmara municipal tem o seu papel e o povo também sua responsabilidade. Isso quer dizer que durante uma sessão legislativa, onde uma matéria de suma importância estará em votação, mister se faz a presença marcante da população em geral ou mesmo somente a principal interessada na matéria a ser votada e, cuja região o projeto de lei abarcará.A participação da população é imprescindível para que os vereadores, legisladores que são e porta-vozes, exerçam de maneira eficiente e Constitucional a sua responsabilidade de defenderem a democracia.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

ALCANÇANDO O OBJETIVO

Alcançando O Objetivo

Por: J. EDIVANIO LEITE

Um dos obstáculos que constantemente verifico nas pessoas é que muitas iniciam um projeto e simplesmente acabam por abandoná-lo no meio do caminho.



Acham que não são capazes e até mesmo chegam a pensar que nunca irão completá-lo, culminando num sentimento de incapacidade e desânimo brutais, ante a falta de paciência.



Portanto, é necessário fazer um cronograma de toda a jornada a ser percorrida através de METAS.



Mas o que é uma meta?



A meta é um dos degraus do objetivo. Imagine um objetivo partido em vários pedaços. Um desses pedaços é o que chamamos de Meta. Por isso elas são tão importantes.



Imagine-se subindo numa escada e de repente percebendo que falta um degrau. Dependendo da distância entre os degraus, pode ser impossível continuar a subida.



Por isso, é importante estabelecer metas e cumpri-las uma a uma. Ex. Se o seu objetivo é ser um juiz de direito, primeiro tem-se que enfrentar o vestibular. Essa é uma meta. Depois, o curso de direito (5 anos no Brasil), esta é outra meta ou degrau; depois o próximo será exercer a atividade jurídica por 3 anos (como advogado; procurador; delegado etc.), para que alcances o penúltimo degrau que é prestar o concurso para juiz, pois o último será passar no concurso. Vencidos esses degraus ou cumpridas essas metas, terás alcançado o seu OBJETIVO que é de SER JUIZ.



“Considere OBJETIVO como o resultado final que você desejou alcançar e METAS como os resultados intermediários conquistados.”



Em outras palavras, as METAS representam o OBJETIVO dividido em partes.



Com o intuito de atingí-lo, melhor é cumprir cada etapa estabelecida como se estivesse subindo os degraus de uma escada.



Dessa forma, estabelecidas as metas, passa-se ao cumprimento delas, as quais exigem certa paciência. Deve-se preparar-se para o exercício da paciência, uma vez que nada se obtém da noite para o dia.

Perfil o autor:

J. EDIVANIO LEITE
GUARULHOS, são paulo, Brazil
Cearense de Farias Brito, 37 anos, Advogado, Bacharel em Direito pela Universidade Guarulhos - SP, membro da J. REUBEN CLARK LAW SOCIETY - USA (Capítulo São Paulo), membro da comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB Guarulhos.

Fonte Artigos - Artigonal.com

quarta-feira, 1 de abril de 2009

História da Comunicação sonora de Aurora

"Quando o Sol nasce teu nome é lembrado" É assim que é nominada a minha querida cidade "Aurora" na força do astro rei {sol} e nas bênçãos do Menino Deus, abriga todos que residem "neste teu solo que identificam nossas vidas, o acolher de teus filhos e imigrantes". Assim, como o "Egito é um presente do Nilo", Aurora é um presente do Rio Salgado, pois, nos meados do ano 1950, nasce, pelo ideal de jovens humanistas, livres, democratas o primeiro veículo de Comunicação Sonora de Aurora, A Voz do Rio Salgado, é festejado, pelo povo aurorense, quando da abertura oficial pelo seu idealizador o estudante Antonio Jaime de Alencar Araripe, atual Desembargador Jaime de Alencar Araripe estirpe familiar oriunda da capital cultural do Cariri – Crato – Ceará; com a força de seu idealismo é plantada a primeira semente da comunicação em Aurora no estado do Ceará. Semente esta, que foi regada em sequência, primeiramente, pelo idealismo do também estudante, Moacir Soares Pinto, com a criação do "Centro de publicidades aurorenses" na força deste ideal, já nos anos 70, a plantinha ganha robustez com a inauguração da Voz do Araçá, pelo grande benfeitor de Aurora, O Prof. Francisco Moacir Leite, que foi sequenciado no primeiro galho de defesa dos Trabalhadores Rurais de Aurora, pelo seu Presidente, Dr.Joaquim Daniel com a implantação do Sistema de Comunicação A Voz do Trabalhador Rural, apresentado o primeiro programa -Sindicalismo em marcha - pela jovem, Francisca Evandra Leite Gonçalves. O ano de 1985 termina a primeira fase da Comunicação Sonora por Sistemas de alto falantes, com a implantação última, da Voz da cidade de Aurora que por mais de 10 anos formatou a unidade social do nosso povo, numa transição pacífica, sustentável, segura, pois, entram no ar rádios comunitárias que muito fizeram pelo processo de aprimoramento democrático neste município, Fm 104, Fm 97 e Fm Por do sol, mas na verdade o sol não quis pousar; pois, o sonho do pioneiro da comunicação sonora em Aurora, Antonio Jaime de Alencar Araripe, sonho do estudante, e hoje desembargador Jaime de Alencar Araripe é de forma majestosa realizado de forma plena neste momento, onde de braços dados, povo, instituições livres, poder executivo, legislativo e judiciário, participam da inauguração oficial da "Arvore sonho do Desembargador Jaime Alencar Araripe, pioneiro da comunicação neste municipio" a concretude do ideal dos seus verdes anos, agora sim, legalizada, oficializada, emancipada, onde na sua sombra iremos presenciar, o dia a dia da história, dos fatos, do entretenimento, da noticia, da utilidade pública, da prestação de serviço, ao nosso povo, a força democrática de um som cristalino, levando em ondas, o que  construímos com a força dos pioneiros, o ápice da pirâmide  do verdadeiro poder, o poder fazer, o poder dar, o poder, doar-se, o poder dar caminhada a nossa civilização.

Parabéns Aurora! Parabéns povo de aurora, parabéns ao poder público, e parabéns a todos nós por dar parabéns a nossa língua sonora, verdadeira, uniforme, segura, no relato do tempo e da nossa história. A Nossa eterna e querida Rádio Fm Educativa 102,3. Aurora do Povo que nasce como aspiração dos pioneiros da comunicação e com a força do povo forte e altaneiro do meu querido município de Aurora-Ce; Assim, no raiar de mais uma aurora no próximo 1º de maio, 2009, na base de um tripé imaginário mais um aniversário do maior Patrimônio Imaterial de Aurora, A rádio Educativa, Fm 102,3 -Aurora do Povo, a bailar na construção da argamassa do pensamento social, emanando o som cristalino de um povo que soube na escada da existência trilhar no caminho do prumo, da escala, da luz, perfurando no estado laico o orifício que deixa escapar o mel da existência do convívio social harmônico com todas as forças pulsativas que originam o estado Democrático de direito, Assim, neste dia os diretores José Fernandes de Oliveira, Pedro Guedes Rolim e toda equipe a compartilhar de uma história feita do paradoxo coronelista a fenda de luz iluminista, pois, sendo Aurora a cidade que introduziu o rei do Cangaço na Ordem Santo Cruz- Penitentes - é hoje, ao som do microfone a academia humanística do povo de Aurora, tecendo os pontos para o repasse de uma urbe voltada para o bem estar comum e do bem estar da coletividade e civilidade como um todo. 

Luiz Domingos de Luna. Mestre de Ordem. Ordem Santa Cruz – Penitentes, Santa Igreja de Roma, forania de Aurora ao primeiro dia do mês de abril, 2009.

Domingo de Páscoa tem Vesperal

Bandas:
  • Forrozão Tome Amor
  • Forró no Ponto
Gravação do CD de Tome Amor AO VIVO!

Data: 12/04/2009 (13h)
Local: Clube Recreativo Recanto da Serra (CRRS) - Farias Brito/CE

Mineração em crise

A região do Cariri amplia sua crise conjuntural. Com seu potencial hídrico inexplorado, a elevada produtividade da cana-de-açúcar sem aproveitamento, a erradicação por inteiro da cultura algodoeira e o desestímulo dominando os produtores de leite, em razão do preço irrisório, são restritas as saídas para reerguer a agroindústria regional pela indiferença das agências de desenvolvimento.

Para agravar a economia do sul do Estado, o Ibama, o DNPM e a Semace encerraram as atividades de 30 mineradoras dedicadas à exploração econômica do calcário laminado, largamente utilizado em piso de residências, bordas de piscina e, ultimamente, nos canteiros centrais das avenidas dos centros urbanos, por somar duas vantagens: a beleza da pedra e o preço relativamente baixo. Independentemente da legalidade do fechamento, há o custo social da medida.

A crise econômica dominante na exploração mineral da pedra cariri - concentrada em Nova Olinda e Santana do Cariri - resultou, em primeiro lugar, da falta de informação entre os pequenos empreendedores dessa atividade artesanal e do respaldo dos órgãos técnicos vinculados às atividades mineradoras e à abertura de novas frentes produtivas. Não tendo sido cumprido o prazo para regularizar o licenciamento da empresa, o processo resultou em multa e interrupção da lavra.

O Estado vem fazendo esforço gigantesco para atrair empreendimentos industriais de outras praças, mobilizando o Conselho de Desenvolvimento Econômico e a Agência de Desenvolvimento Econômico, com a colaboração do Sebrae, na estruturação de microempresas. Se os mineradores tivessem sido melhor orientados tecnicamente, por órgãos estatais de assistência econômica, o fechamento de suas empresas poderia ter sido evitado.

Os recursos minerais, neles incluídas as jazidas - em lavra ou não - bem como os potenciais de energia hidráulica, pertencem à União e constituem propriedade distinta do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento. Ainda assim, garante ao concessionário a propriedade do produto da lavra.

O calcário laminado encontrado em Nova Olinda e em Santana do Cariri dispõe de potencial representado por 97 milhões de metros cúbicos, equivalendo a 241 milhões de toneladas. Em Altaneira e Farias Brito, há extração do calcário cristalino, também de forma artesanal.

Os pequenos lavradores do calcário relegaram a segundo plano as exigências da legislação sobre lavra de riquezas minerais. Como atividade artesanal, foram crescendo até reunir 80 microempresas engajadas na produção terceirizada anual de 80 mil toneladas da pedra cariri, 15% das quais recorrendo a máquinas cortadeiras. O resto opera com baixos níveis de tecnologia. O poder público, ao interromper a produção de 30 pequenas empresas encravadas numa região sem oportunidade de negócios, emprego e renda, pune as camadas mais sacrificadas. Esses empresários merecem ser assistidos para legalizar as mineradoras, o mais rapidamente possível.



Fonte: Diário do Nordeste 

Lançamento em Brasília.