segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Festa homenageia Patativa

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Patativa é homenageado em festa da padroeira, em Assaré (Foto: Antônio Vicelmo)

CAVALHADA ECOLÓGICA

Assaré. A festa de Nossa Senhora das Dores, padroeira de Assaré, foi aberta ontem com uma homenagem a Patativa do Assaré, no âmbito das comemorações do centenário de nascimento do poeta. Cerca de 200 cavaleiros, tendo a frente o vigário, padre Vileci Vidal, participaram de uma cavalhada ecológica, que saiu da igreja matriz, às 6 horas, e terminou na serra de Santana, em frente à casa onde nasceu Patativa, com a celebração de missa, seguida de partilha de alimentos produzidos na localidade: tapioca, mungunzá, macaxeira e baião-de-dois. Os alimentos foram feitos na casa de Afonso Gonçalves, filho de Patativa, que justificou: "Este cardápio era a base alimentar de nossa família, principalmente o milho e a mandioca, que inspirou o poema "O Puxador de Roda", uma das suas melhores poesias, que fala sobre as farinhadas do passado.

Os violeiros Manoel do Cego e Antonio de Saturnino, que acompanharam o cortejo em cima de um trio elétrico, encheram de poesia a paisagem seca do sertão, improvisando versos ao longo dos l8 quilômetros de estrada de terra. A Escola de Ensino Fundamental Antonio Ângelo da Silva, localizada no sítio "Bonita", onde Patativa costumava participar de cantorias, prestou uma homenagem ao poeta centenário. Um jogral formado por alunos da escola recitou um poema, exaltando Patativa como "o trovador do sertão".

A advogada Maria Cleonice da Silva Melo destacou o amor que o poeta tinha pela serra de Santana. "Ele era uma pessoa simples, que se confundia com os seus irmãos sertanejos". Patativa sempre pensou grande. Da sua aldeia, ele cantou o mundo. E o fez com a leveza do pássaro que lhe deu o apelido e com a contundência de quem foi capaz de se indignar fazendo do verso uma arma poderosa", complementa.

Para o prefeito de Assaré, Evanderto Almeida, que acompanhou a cavalhada, Patativa, mesmo com toda a projeção nacional e internacional, nunca se afastou das suas raízes. Foi e continua sendo o maior divulgador de sua terra, que agora o reverencia.

Depois da homenagem, o cortejo subiu a serra de Santana. Entre os cavaleiros, a modelo Natália Carvalho Almeida, filha de Assaré que desfilou nas passarelas de São Paulo. Natália recorda que, mesmo no Sul do País, a cidade de Assaré é conhecida graças a Patativa. Natália que deixou as passarelas para cursar Jornalismo, em Fortaleza, está de férias em sua terra natal, participando da festa da padroeira.

Missa

O ponto alto do evento foi a missa celebrada em frente à casa onde nasceu Patativa, hoje transformada em museu. Com o toque de chocalhos e uma oração em ritmo de aboio, o padre Vileci deu inicio à cerimônia, abrindo, oficialmente a festa de Nossa Senhora das Dores, que se prolongará até o dia 15.

Na homilia, o celebrante lembrou Patativa como um homem da terra, porta-voz dos excluídos nas suas manifestações poéticas: "Ele utilizou a palavra como instrumento de denúncia contra a exploração do trabalhador, sem terra". O religioso justificou que a homenagem tem como objetivo fazer com que a população tome consciência da importância de Patativa numa dimensão religiosa. Patativa, segundo o vigário, tinha uma ligação muito forte com a festa da padroeira. Ele se deslocava com a família da serra de Santana para o Assaré, para assistir as cerimônias religiosas.

A cavalhada, além de ser uma oportunidade de confraternização, de reunir amigos, é também um grito em favor da ecologia. É também uma tradição cristã que vem sendo utilizada no processo de evangelização, partindo do principio de que a Igreja deve permanecer sempre a serviço do ser humano, colaborando concretamente para a sua libertação. "Patativa foi um evangelizador na defesa dos direitos humanos, da dignidade da pessoa, na luta pela reforma agrária e no seu compromisso pessoal como Nossa Senhora das Dores", disse.

ANTONIO VICELMO
REPÓRTER
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