quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Re: Homenagem a Nitinha

Homenagem a Ana Liberalino de Menezes

ANA 
 
Origem: 
HEBRAICO 
 
Significado: 
CHEIA DE GRAÇA

ANITA 
 
Origem: 
ESPANHOL 
 
Significado: 
FORMA ESPANHOLA CARINHOSA PARA ANA.

      No solo abençoado do Sítio Lagoa de Dentro, berço tradicional  dos descendentes de Pai Lino e Mãe Quinora, nasceu Ana, aos 14 de outubro, pelas mãos serviçais de "Aninha de Bárbara", parteira do lugar. No momento, a memória me falha para detalhar o ano. Contaram-me que este fato, marcante para a vida de Zé Lino e Mundinha, se deu às quatro horas da tarde daquele dia e a notícia correu todo o Vale do Cariús, o que ocasionou a visita de compadres e amigos das proximidades, já que o casal gozava de prestígio e admiração em todo o Quixará.

     Era franzina a menina, com traços de simplicidade. Assim sendo começaram a tratá-la por Anita, forma carinhosa para o nome "Ana".

     No sítio Lagoa, viveu a sua infância, alegrando-se com os seus brinquedos e divertimentos. Conta da sua emoção ao receber de presente uma boneca de pano trazida da feira do Crato por sua mãe, e enumera as suas amigas de infância, guardando um carinho especial para com Juceneuza, Zilma, Irene e Nair de Rosa.

     Pouco letrada,mas com formação superior pelas lições de vida, lembra a cartilha do ABC da saudosa e boa Tia Bilinha, sua primeira professora. Depois, Nair de Libório, vindo de Assaré, lhe deu os conhecimentos escolares equivalentes à 4ª Série primária.

     Alguns anos depois, a instrução recebida lhe serviu de base para se tornar alfabetizadora do Sítio Lagoa de Dentro, a convite do Cel Né de Almeida, através da experiência já adquirida  pelos  longos anos como catequista, sob a orientação do Pe. José Ferreira Lôbo. As festas religiosas marcavam a primeira eucaristia daquelas crianças, que tinham na sua mestra, um exemplo de virtudes cristãs.  
 

     Mais tarde, com o surgimento dos primeiros traços da modernidade, a Lagoa de Dentro recebia, através da sua conceituada professora, o primeiro rádio, pela ação do Projeto de Escolas Radiofônicas da Fundação Pe. Ibiapina.

     A trajetória de Anita, longa em serviços prestados, é uma constante ação em benefício dos seus. De tanto servir aos outros com ações de bondade e presteza, não teve tempo para pensar em casamento, embora alguns pretendentes não lhe faltassem. Mantém-se solteira, mas mãe de inúmeras gerações por laços sólidos de afetividade.

     Com o desaparecimento dos seus pais, tornou-se referência para a família, sendo a sua residência o ponto de apoio para todos. Criou alguns de seus sobrinhos e sobrinhas com todo carinho e amor. Não se restringiu a estes, ampliou essa ação na acolhida a afilhados, primos e amigos,  trazendo para si a responsabilidade de educar a  todos aqueles que sempre confiaram em si e nos seus. Cumpre assim, a tradição herdada de seus pais, de amparar aos que os procuravam para pedir refúgios. Nessa ação, tem sempre em Naete o apoio necessário para as batalhas que a vida lhe apresenta.

     Até  hoje, essa realidade é uma constante. Na calçada mais movimentada da cidade, Anita, sempre serviçal, convida a todos para o cafezinho tradicional, como fazia Zé Lino com os que passavam pela estrada da Lagoa.

     Na sua trajetória, foi servidora pública no Posto de Saúde e  funcionária Estadual na Escola Getúlio Vargas. Comerciante em diversos ramos: dona de "Budega", Loja de Tecidos, farmacêutica e ourives.

     Hoje, aposentada, cercada de uma multidão de familiares que a amam, comemora com júbilo a sua data octogenária.

     Ana, "cheia de graça", como diz o significado de seu nome, continuam sendo "Anita", carinhosamente falando. Dada a amplitude que o seu nome encerra, alguns familiares preferem tratá-la por "Nitinha", pequena em estatura, mas grande no ato de servir. Outros, informalmente, a chamam de "Didi".

     Mas para nós, ela é, e sempre será,  a "Tia Nita" dos Linos e de toda a Farias Brito.  

Por Cícero Menezes
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