sábado, 14 de novembro de 2009

Cuidado: animais na pista

Animais soltos em rodovias federais e estaduais oferecem riscos a motoristas no Ceará. Em BRs, uma pessoa morreu e 40 ficaram feridas após acidentes este ano. Já foram recolhidos, somente em 2009, 13.282 bichos nas pistas. Abandano de jumento é uma das principais causas.

RODOVIAS

Cuidado: animais na pista - 1Mais foram retirados das rodovias estaduais e federais do Ceará somente neste ano. A circulação dos bichos nas estradas preocupa os órgãos de fiscalização e segue causando acidentes e mortes. Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Departamento Estadual de Trânsito (Detran) apontam que a maioria das apreensões é de jumentos. O professor Edilberto Reis, 41, lembra com detalhes de sua colisão com um jumento. Ele ensina História no Sertão Central e, há 10 anos, voltava de Piquet Carneiro para Quixadá, na Estrada do Algodão (CE-060). A viagem foi interrompida entre Quixeramobim e Senador Pompeu. "A estrada era muito ruim. E o motorista que vinha do outro lado estava com luz alta. Fiquei sem ver nada", recorda. O professor colidiu contra um jumento, mas saiu ileso. Outro condutor também não conseguiu desviar dos animais. De acordo com o comandante da Companhia de Policiamento Rodoviário (CPRv), tenente-coronel Werisleik Matias, a Estrada do Algodão é a rodovia estadual com maior fluxo de animais na pista. Segundo ele, o pior trecho é compreendido entre Quixadá e Iguatu. A apreensão de animais em rodovias estaduais é função do Detran. O órgão informa que, somente este ano, já foram recolhidos 10.508 bichos. Segundo o coordenador da Supervisão de Regionais do Detran, João Carlos Costa, 95são jumentos. O Detran não possui dados específicos sobre acidentes causados por animais em estradas. A malha viária das rodovias estaduais é de cerca de 10 mil quilômetros. Já nos 1,8 mil quilômetros de estradas federais a retirada compete à PRF. A corporação detalha que, em 2009, já houve o recolhimento de 2.774 animais. De acordo com o chefe do Núcleo de Comunicação, inspetor Darlan Antares, foram registrados 101 acidentes, com 40 pessoas feridas e uma morte. João Carlos e Werisleik explicam que, geralmente, os jumentos são soltos pelos donos como forma de abandono. "São animais debilitados, com pernas quebradas, bicheiras. Não tem quem queira o jumento", afirma João Carlos. Os bichos recolhidos são levados a uma fazenda do Detran, em Santa Quitéria, na região Norte. O prazo para o dono resgatar o animal na fazenda é de 10 dias. Mas, segundo João Carlos Costa, é raro um proprietário de jumento buscálo. Somente bichos de maior valor, como bovinos e caprinos, são resgatados.

5 MIL JUMENTOS ESTÃO CONFINADOS

A apreensão de animais é feita por caminhões adaptados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). São 14 veículos fazendo rotas em busca de bichos soltos. Os animais apreendidos pelo Detran permanecem em um dos 12 postos regionais do órgão por 10 dias, à espera do dono. Em seguida, o bicho é levado a uma fazenda, em Santa Quitéria. Já os animais recolhidos pela PRF são conduzidos diretamente à fazenda e podem ser resgatados em 10 dias. De acordo com o coordenador da Supervisão de Regionais do Detran, João Carlos Costa, os animais de carne comestível, como bovinos e caprinos, são doados a instituições se não forem resgatados. Este ano, 705 animais foram doados a diversas instituições. Já os cavalos podem ser entregues a associações de agricultura. Os jumentos, porém, quase nunca são resgatados. Há cerca de cinco mil jumentos hoje confinados na fazenda. (DL).

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ÚLTIMO ACIDENTE FATAL OCORREU ONTEM

A Companhia de Policiamento Rodoviário (CPRv) registrou na madrugada de ontem mais um acidente fatal, por causa de animais na pista. O caso ocorreu no distrito de Cangati, em Mombaça, no Sertão Cearense, a 293 quilômetros de Fortaleza. Segundo a Polícia, o condutor da moto, de 50 anos, não conseguiu evitar o choque, depois que um jumento invadiu o trecho da pista da CE-060, a dois quilômetros da sede do município. A doméstica Francisca Otaciano Domingos de Souza, 25, que viajava na garupa da moto, sofreu traumatismo craniano e morreu no local. Segundo equipe do hospital municipal, o condutor não corre risco de morte. O professor Fábio Aarão, do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica as formas de como um acidente entre veículo e animal pode se dar. Segundo o professor, há duas possibilidades, em caso de carro, que é mais comum: o animal ser arremessado para frente ou ficar grudado na parte dianteira do veículo. Fábio detalha que, geralmente, a colisão entre um carro e um jumento acerta o animal à altura das patas. O impacto faz com que o bicho seja levantado, em forma de rotação. Em seguida, como o veículo continua em movimento, o animal pode colidir contra a parte da frente, como o para-brisa, ou passar por cima do teto. As consequências do acidente, a rigor, são imprevisíveis.

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ATENÇÃO

De acordo com o chefe do Núcleo de Comunicação da Polícia Rodoviaŕia Federal (PRF), inspetor Darlan Antares, a maioria dos acidentes acontece à noite. Ele explica que o fato é causado pelo orvalho vagetação, que causa frio aos animais e os faz se refugiarem na estrada.

O comandante da Companhia de Policiamento Rodoviário (CPRv), tenente-coronel Werisleik Matias, explica que o pior período é entre 17 e 19 horas. Ele recomenda que os motoristas trafeguem em velocidade moderada, com atenção redobrada à frente da rodovia, principalmente nos trachos listados com críticos de animais.

SAIBA MAIS

Os animais apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) são levados diretamente para a fazenda do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em Santa Quitéria.

Já os bichos recolhidos pelo Detran permanecem no posto regional do órgão por até 10 dias, a espera do dono. Há 12 postos espalhados por todo o Ceará. Em seguida, o animal é levado à fazenda e pode ser resgatado em mais 10 dias.

A multa para resgatar o animal é de R$ 111. Por cada dia de permanência do bicho na fazenda é cobrada uma taxa de R$ 22.

O resgate também é condicionado à assinatura de um termo de responsabilidade por parte do proprietário, também é necessário ao dono comprovar a propriedade do animal por meio de testemunhas.

Segundo o Detran, os animais são acompanhados por veterinários e não podem ser sacrificados. A fazenda é de 500 hectares e possui quatro açudes.

[12/11/2009] - Fonte: Jornal O Povo/Fortaleza

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