quinta-feira, 15 de abril de 2010

Dia Nacional da Conservação do Solo

Nesta quinta-feira, dia 15 de abril, é instituído por lei como Dia Nacional da Conservação do Solo. A data serve para rever conceitos e avaliar as práticas no uso do solo que tem gerados problemas na produção agropecuária. No Rio Grande do Sul, um exemplo são os crescentes danos causados pela estiagem, resultado da compactação do solo que impede a sobrevivência das raízes superficiais e a penetração da chuva.

A preocupação com a conservação do solo na agricultura começou na década de 60, quando a mecanização intensificou a produção de grãos e exigiu melhor gerenciamento no manejo. As primeiras ações voltaram-se para o controle de enxurradas - que lavavam o solo levando insumos e abrindo valas nas lavouras – com a adoção em larga escala dos terraços, estruturas de contenção que desenhavam ondas nas lavouras. Pouco depois, a semeadura direta preconizava o abandono do “preparo do solo” através de trabalhos como arações, escarificações e gradagens. O Sistema Plantio Direto surgiu nos anos 80, estendendo o conceito de semeadura direta para um sistema de manejo mais complexo que, além da mobilização do solo apenas na linha de semeadura, ainda valorizou a rotação de culturas e a cobertura permanente.



Máquinas cada vez maiores podem trazer problemas

Segundo o pesquisador da Embrapa Trigo, José Eloir Denardin, todas os modelos de conservação apresentados até hoje mostram apenas uma visão parcial do sistema: “Implantou-se a rotação e abandonou-se o terraço. Veio a semeadura direta, mas manteve-se o pousio no inverno. É preciso entender que a conservação do solo depende de plantas, de cobertura de qualidade”. No Brasil, a área manejada com plantio direto é de 26 milhões de hectares. No Rio Grande do Sul, o Plantio Direto está presente em 90% da produção agrícola, contudo o monocultivo da soja predomina no verão, deixando 75% da área de inverno sob pousio, com plantas expontâneas como aveia e azevém que não produzem matéria orgânica suficiente para atender a demanda da biologia do solo. “Apesar dos conceitos de conservação de solo e agricultura conservacionista ainda estarem confundidos com semeadura direta ou mesmo plantio direto, no início dos anos 2000 foi incorporado o processo colher-semear, que busca reduzir o intervalo entre a colheita e a próxima semeadura. Assim, podemos ver no campo a máquina colhendo e, logo atrás, o trator semeando. Esse novo sistema permite manter o solo fértil e aumentar a renda na propriedade através do maior número de safras”, explica Denardin.

Outro cuidado apontado pelo pesquisador é o descompasso entre a produção e a geração de tecnologias. Denardin aponta a demora na pesquisa em gerar cultivares capazes de atender um calendário agrícola cada vez mais flexível, com ciclos de maturação super precoces, maior tolerância a estresses como secas e geadas. Na indústria, a criação de máquinas maiores que permitem realizar os trabalhos de campo com mais rapidez, mas com pouco planejamento enquanto que a mecanização se torna mais pesada e incapaz de se adaptar às curvas do terreno, além de rolos e sulcadores que precisam ser revistos.

“Com um solo que lentamente perde a capacidade de absorver e transformar nutrientes, o gasto com fertilizantes tem aumentado”, diz José Eloir Denardin, lembrando que os prejuízos com o déficit hídrico também tendem a ser cada vez maiores: “a degradação física do solo não permite o aprofundamento das raízes e, com poucos dias sem chuva (5 a 10 dias), o cenário é de seca nas lavouras porque as plantas não conseguem absorver água num solo compactado”. As informações são de assessoria de imprensa.


Fonte:Agrolink
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