quarta-feira, 7 de julho de 2010

Hospital do Cariri só funcionará em agosto

Ainda faltam algumas conclusões na estrutura predial. O orçamento do hospital é superior a R$ 44,2 milhões

Juazeiro do Norte. O Hospital Regional do Cariri (HRC) iniciará suas atividades no próximo mês. Pelo menos essa é a expectativa da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Nos 15 primeiros dias, o restante dos profissionais estarão contratados para atuar no local e os equipamentos, que ainda estão chegando, funcionarão praticamente em sua totalidade.

Segundo o secretário adjunto da Saúde, Marcelo Sobreira, a meta é entregar o hospital ainda no final de julho para o funcionamento ser iniciado em agosto. Mais de 800 funcionários serão contratados por meio de uma organização social, que fará a seleção dos currículos e entrevistas. Serão 242 médicos de diversas especialidades.

No entanto, uma das entradas do hospital ainda falta ser concluída. Serão duas em funcionamento, uma delas destinada ao serviço ambulatorial e de exames especializados e, a outra, será para emergência. Sobreira afirma que os equipamentos, em sua maioria importados, foram adquiridos no tempo previsto, mas as empresas não entregaram na data determinada.

Por essas condições, o secretário adjunto afirma que o governador Cid Gomes decidiu entregar o hospital em agosto, mesmo sem a sua presença durante a entrega, pelo menos com os equipamentos e o prédio pronto, restando o lançamento do edital para contratação do pessoal em 15 dias. "Somente depois da primeira quinzena de agosto é que iremos funcionar com a carga total", diz.

Profissionais

O médico cardiologista de Juazeiro do Norte, Ângelo Roncalli, demonstra preocupação em relação à contratação de profissionais para o hospital, principalmente de médicos que irão atuar com tratamento de alta complexidade. "Talvez não tenhamos anestesistas suficiente, por exemplo. E isso tem que ser pensado de forma antecipada", diz o médico, que vem acompanhando o trabalho na região. Ele afirma que, possivelmente irá faltar profissionais de algumas especialidades na região. Quanto a isso, o secretário adjunto afirma que estão mantidos contatos com médicos de outros Estados, principalmente do Interior de Pernambuco.

O médico juazeirense alerta para a possibilidade de se iniciar um grande centro de saúde com deficiências no seu funcionamento. Ângelo Roncalli diz ser importante que os profissionais de saúde da região e os conselhos de saúde e enfermagem tenham informações sobre as reais condições de funcionamento do hospital, como e quando realmente vai iniciar suas atividades e os recursos que estarão disponíveis. O profissional de saúde também questiona a forma como é feita a seleção de profissionais, por meio curricular, principalmente por ser ano eleitoral. Ele concorda que esse tipo de contratação deva acontecer por meio de concurso público ou por intermédio de órgãos específicos, como as próprias universidades.

Administração

O secretário adjunto diz que a forma de administração trabalhada pelo hospital, por meio do Instituto de Saúde do Cariri, segue o mesmo modelo do Hospital Waldemar Alcântara, em Fortaleza. E mais sete hospitais em São Paulo são administrados da mesma forma. Ele destaca a importância desse serviço, no sentido de proporcionar uma dinâmica de trabalho.

Marcelo Sobreira destaca também os plantonistas: "teremos médicos que farão plantões de poucas horas e deverão corresponder às expectativas de trabalho, mediante o tempo estabelecido de permanência", explica. Alguns especialistas, além do Estado do Pernambuco, são contatados em Fortaleza e a outra parte da própria região.

O secretário adjunto afirma que o sistema de saúde da região terá uma melhora significativa. O equipamento também funcionará como hospital-escola, dando acesso aos profissionais de saúde que estão sendo formados na própria região, incorporando alunos da medicina tanto da Universidade Federal do Ceará (UFC-Cariri) e da Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte.

O Hospital Regional do Cariri terá 209 leitos e vai garantir à população de 1,3 milhão de habitantes das regiões de Juazeiro, Crato, Barbalha, Icó, Iguatu e Brejo Santo assistência especializada em diversas áreas da saúde. No hospital, a população terá acesso a serviços comuns à Capital. O investimento é da ordem de R$ 44,2 milhões, sendo que R$ 23,5 milhões foram destinados para a compra dos equipamentos.

Carência

"O Hospital foi feito pela própria carência de mais equipamentos de saúde na região e profissionais"
Marcelo Sobreira
Secretário Adjunto da Saúde do Estado

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Saúde do Estado - Avenida Almirante Barroso, 600, Praia de Iracema - Fortaleza
(85) 3101.5123

Elizângela Santos
Repórter

FONTE: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=810608
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