domingo, 15 de agosto de 2010

Assunção da Virgem Maria

A expressão de alegria de Isabel, ao acolher Maria, recorda a surpresa de Davi ao acolher a Arca da Aliança. É por isto que dizemos, na ladainha, que Maria é a arca da nova Aliança, por ser ela a Mãe do Menino que é chamado santo, Filho de Deus. Mas o elogio de Isabel a Maria vai além da sua maternidade física. A grande bem-aventurança de Maria é ter acreditado que as coisas ditas pelo Senhor iriam se cumprir. Isto está em perfeita sintonia com o Evangelho de Lucas, no qual ela aparece como modelo da discípula. O próprio Jesus afirma haver uma bem-aventurança que supera a da maternidade física: “Felizes, antes, os que ouvem a palavra de Deus e a observam” (Lc 11,17-28). Maria, a escrava do Senhor, merece a bem-aventurança dos ouvintes cristãos a quem Lucas chama de servos e servas do Senhor.

Ressaltamos, no contexto da grande festa do próximo domingo, que duas são as características mais importantes de Maria no relato da visita a Isabel. E são exatamente as qualidades do discipulado no Evangelho de Lucas: atenção e adesão absolutas à Palavra de Deus e, como conseqüência disto, serviço incondicional a quem necessita. Maria é discípula fiel (em relação a Deus) e solidária (em relação ao próximo).

Maria é a mulher feliz da fé, porque foi escolhida para cooperar ativamente na salvação dos homens. Ao ser saudada por Isabel, proclama o Deus misericordioso que exalta os pobres e pequeninos em detrimento dos ricos e poderosos.

No pontificado do Papa Pio XII, em 1950, foi definido o dogma da Assunção de Nossa Senhora. Ignoramos quando e como se deu a morte de Maria, desde muito cedo, festejada como “dormição”.

A Igreja celebra, com a Assunção de Nossa Senhora, a realização do Mistério Pascal. Sendo Maria a "cheia de graça", sem sombra alguma de pecado, quis o Pai associá-la à Ressurreição de Jesus.

Elevada aos céus, ela é imagem e modelo da criatura plenamente salva, liberta, realizada. Pela misericórdia e grande amor do Pai por nós, na Assunção de Maria, a terra e o céu se encontram.

Dom Eurico dos Santos Veloso

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