quarta-feira, 15 de setembro de 2010

12 mineradoras de calcário são fechadas



Desprovidas de licença ambiental, áreas de extração de calcário sofreram intervenção do Ibama e Polícia Federal

Doze áreas de extração de calcário foram paralisadas ontem pelo Departamento de Produção Mineral (DNPM) no município de Santana do Cariri. Uma equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recurso Naturais Renováveis (Ibama) de Fortaleza encontra-se no Cariri acompanhando a operação que envolve também a Polícia Federal. O gerente do escritório Local do Ibama, Francisco Sales, informou que os trabalhos serão concluídos na próxima sexta-feira, com o embargo de outras áreas que estão funcionando ilegalmente sem as licenças ambientais.

O minerador Antônio Barros foi preso e autuado em flagrante pela Polícia Federal. Depois de pagar a fiança, foi liberado.

A operação atende a uma recomendação do Ministério Público Federal e visa regularizar a situação das pedreiras na região do Cariri. A maioria não possui licença junto aos órgãos ambientais. Em novembro de 2008, o Ministério Público estipulou um prazo para que as pedreiras pudessem se licenciar junto aos órgãos. O prazo foi prorrogado e, mesmo assim, os mineradores não conseguiram reunir a documentação necessária para regularização.

O presidente da Cooperativa dos Mineradores da Pedra Cariri, José Humberto Jeremias informou que, com o fechamento das pedreiras, os mais prejudicados são os trabalhadores rurais que perderam o plantio em consequência da seca e agora estão perdendo o emprego. Conforme ele, com a falência da agricultura de subsistência, eles dependem da extração da pedra Cariri. O fechamento das pedreiras vai gerar uma crise econômica na região. "A estimativa é de que com o fechamento das pedreiras nos dois municípios, aproximadamente 1.800 trabalhadores fiquem desempregados, o que fatalmente também afeta a economia e, principalmente, o comércio das cidades, afinal de contas somos responsáveis por quase 60% da receita de Nova Olinda e Santana", ressaltou José Humberto.

A Cooperativa, segundo Humberto, contratou um advogado para defender os mineradores. A atividade de produção da pedra cariri se constitui na economia básica dos municípios de Nova Olinda e Santana. A utilização desses calcários é feita sob a forma de lajes e utilizadas principalmente em pisos, enquanto que o calcário cristalino dos municípios de Altaneira e Farias Brito são utilizados mais na indústria de cal. Nesta época do ano, de acordo com dados da cooperativa do setor, o impacto do desemprego não é muito grande porque a maioria dos trabalhadores está cuidando de suas roças.

A produção da pedra Cariri em Nova Olinda e Santana do Cariri é de 80 mil toneladas por ano, sendo a principal atividade da economia dos dois municípios, a cargo de 80 microempresas, das quais apenas 15% utilizam máquinas cortadeiras de placas. Já em Farias Brito e Altaneira, a extração do calcário cristalino constitui uma das principais fontes de renda.

Predomina o artesanato na produção, sem emprego de tecnologia mecanizada.

ANTÔNIO VICELMO
REPÓRTER
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