quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Unesco poderá dar selo verde ao Geopark Araripe

17/11/2010

A Comissão da Unesco, que avalia o Geopark Araripe, mostra-se entusiasmada com acervo natural
Crato. Depois de dois dias de visitas aos nove geossítios que fazem parte do Geopark Araripe, a Comissão da Unesco concluiu a pesquisa com uma avaliação positiva. No entanto, o laudo conclusivo só será divulgado no mês de março durante reunião da Unesco. "Os equipamentos visitados se enquadram perfeitamente no perfil de outros geoparks espalhados pelo mundo", disse a geóloga norueguesa, Kristin Rangner, integrante da Comissão da Unesco, acrescentando que o Cariri possui peculiaridades que não são encontradas noutras localidades do mundo.

Ela citou como exemplo o Centro de Interpretação da Universidade Regional do Cariri (Urca), que funciona no parque de exposições do Crato. A expectativa é de que será concedido e selo verde. A geóloga explicou que este processo de avaliação é permanente. "O geopark, segundo afirmou, nunca termina, está sempre acompanhando as mudanças e as exigências da comunidade onde está inserido".

A avaliação de quatro em quatro anos é um procedimento normal. "São valorizados o saber local, seu legado histórico, cultural e social, seus produtos locais (geoprodutos), a essência dos seres que habitam aquele sítio desde sempre", explicou a representante da Unesco. A Comissão percebeu que existe uma integração dos diversos órgãos regionais com o Geopark, o que, na avaliação da Unesco, é fundamental no processo.

História da humanidade
O francês Guy Martini, que até então se mostrava reticente em suas avaliações, está entusiasmado com o que viu. Cada um desses pontos têm uma história para contar. Este detalhe, segundo Martini, é muito importante para entender a história da humanidade. A Floresta Petrificada de Missão Velha, por exemplo, conta a história da separação do continente africano. "Os Geoparks são territórios de sustentabilidade, onde o ser humano deve conviver harmonicamente com o meio que o cerca, respeitando a história do lugar", afirmou Martini.

Para a vice-reitora da Universidade Regional do Cariri, Otonite Cortez, que acompanhou a Comissão, a perspectiva do selo verde é a coroação de um trabalho que foi feito, nos últimos dois anos, no sentido de fortalecer a infraestrutura do Geopark Araripe. "Todos estão conscientes de que o Geopark é um projeto de desenvolvimento sustentável", afirmou a vice-reitora.

A programação de ontem começou com uma visita à Floresta Nacional do Araripe (Flona). Debaixo de um "visgueiro", a chefe da Floresta, Verônica Figueiredo, fez uma explanação sobre a importância da Floresta para a região e a sua integração com o projeto do Geopark. Em seguida, a comissão fez uma trilha dentro da floresta. A norueguesa Kristin Rangner se deteve para fotografar uma cigarra, enquanto o francês Guy Martini chamou a atenção do látex extraído da janaguba, uma árvore nativa da serra, cuja seiva é utilizada no combate ao câncer.

A próxima parada foi na ponte de pedra, na descida da serra, no Município de Nova Olinda. O paleontólogo Álamo Feitosa explicou que a ponte corresponde uma geoforma esculpida em arenitos, resultado da erosão provocada pela água ao longo de milhões de anos. No passado, a ponte era usada como caminho para os índios Kariris para ter acesso a uma fonte de água cristalina que ainda hoje existe nas proximidades.

Os integrantes ouviam, com interesse, todas as explicações, inclusive as lendas em torno dos sítios. A programação de visitas foi concluída no fim da tarde com pesquisas no Memorial Casa Grande de Nova Olinda, Museu de Paleontologia e Parque dos Dinossauros e Ponta da Santa Cruz de Santana do Cariri.

Um dos critérios de avaliação é a visibilidade do geopark, e principalmente junto à comunidade local. Diante das experiências que vem conhecendo de países da Europa, a secretária-adjunta da Secitece, Tereza Mota, afirma que hoje o Geopark Araripe está numa posição privilegiada com um envolvimento gradativo da comunidade acadêmica, bem como da sociedade em geral na região.

Fique por dentroÁrea de abrangência
O Geopark Araripe está localizado ao sul do Estado do Ceará, na porção cearense da Bacia Sedimentar do Araripe e abrange seis municípios da região do Cariri. Possui uma área de aproximadamente 3.520,52 km² e que corresponde ao contexto territorial das cidades de Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri. Um geopark é uma área com expressão territorial e limites bem definidos, que contém um número significativo de sítios de interesse geológico, histórico-cultural e rico em biodiversidade.

MAIS INFORMAÇÕES
Geopark Araripe
Rua Teófilo Siqueira, 754, Bairro
Pimenta, Crato (CE)
Telefone/fax: (88) 3102.1237

ANTÔNIO VICELMOREPÓRTER
ABERTURA OFICIAL
Conferência reúne autoridades no tema
Barbalha. A Conferência Latino-Americana e Caribenha de Geoparks será aberta oficialmente, hoje, neste Município, no espaço Buffet Boulevard, com a presença do governador do Estado, Cid Gomes, e os maiores especialistas na área. São cerca de 20 países, principalmente da Europa, sete deles da América-Latina e Caribe. Na noite de ontem, na Universidade Regional do Cariri (Urca), no Crato, o reitor da instituição, Plácido Cidade Nuvens, recebeu toda a comitiva de participantes, iniciando os trabalhos.

A conferência é o maior evento realizado no Brasil relacionado ao tema, por conta do pioneirismo no País do Projeto, que englobe três principais pilares relacionados a geoconservação, geoturismo e geoeducação. A programação com conferências específicas estarão voltadas, segundo a geóloga Flávia Lima, principalmente para técnicos.

Segundo o coordenador Executivo do Geopark Araripe, Patrício Melo, essa é a oportunidade para instituições e pesquisadores da área aprenderem os princípios orientadores da criação e gestão de geoparques, dito pelos principais especialistas, que farão relato dos projetos de geoparques na Europa, Ásia e Brasil que deram certo.

Instituições, entidades parceiras e pesquisadores caririenses formam o público local que conhecerão as experiências do resto do mundo. São prefeituras, restaurantes, hotéis e agências de turismo que também trabalham para a realização da conferência. O Geopak Araripe tem atuado na região nos segmentos de meio ambiente, histórico-cultural e proteção do patrimônio.

ELIZÂNGELA SANTOSREPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste
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