domingo, 13 de março de 2011

Paulistanos mudam rotina para evitar atrasos e prejuízos com enchentes

Reportagem do Bom dia Brasil, da Rede Globo, entrevista o médico Dr. Marco Aurélio em São Paulo.

Veja o vídeo da reportagem clicando aqui.

Quem mora em São Paulo sai de casa com a certeza de que vai chover. A dúvida é saber quando vai conseguir chegar ao destino.

O paciente com hora marcada não aparece. O empregado falta ao trabalho. A loja fica vazia o dia todo. É o prejuízo que São Paulo enfrenta por causa da chuva. Alguns bairros da cidade ainda estão isolados. É só chover mais forte que essas áreas ficam, literalmente debaixo, d’água.

Isso acontece com uma frequência tão assustadora que os moradores começam a criar estratégias próprias para diminuir os prejuízos. Eles instalam bombas de água, comportas e sirenes e até adaptam móveis para que eles fiquem sempre elevados. Mas o medo de ter a casa invadida pela água nunca vai embora.

Nesta época, quem mora em São Paulo sai de casa com uma dúvida e uma certeza. A certeza é que vai chover. A dúvida é saber quando vai conseguir chegar ao destino. “Atrapalha. Demorei quatro horas para chegar em casa”, conta um jovem.

“A gente já perdeu compromisso, porque não consegue chegar por causa da chuva e do trânsito. Tudo é um caos, você não consegue táxi, porque está tudo engarrafado. É bem comblicado”, reclama a produtora Taís Pereira.

O médico Marco Aurélio Lacerda diz que alguns pacientes desistem da consulta, outros acabam se atrasando – ele também. “Estou bastante atrasado no trabalho, duas horas. Os pacientes reclamam bastante”, comenta o médico.

No comércio, quando a tempestade chega, a freguesia vai embora. “Recebo uns 20 clientes em dias de sol. Em dias de chuva, recebo metade. É prejuízo”, calcula o sapateiro Ronaldo Castro.

Sempre que chove forte no bairro Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo, ruas ficam alagadas. Por isso, os moradores fizeram adaptações nas casas. Em uma delas, por exemplo, logo na entrada tem um portão de ferro para impedir o avanço da água.

Dentro da casa, os moradores fizeram outras alterações. Num dos quartos, por exemplo, o guarda-roupa nunca fica no chão, e sim em um local elevado. No quarto ao lado, os moradores instalaram canos nas paredes para que as camas e os colchões fiquem sempre suspensos em dias de chuva.

A dona de casa diz que na maioria das enchentes a porta de ferro impediu que a casa ficasse alagada. “Resolveu em 90% das vezes”, garante.

Apesar dos cuidados, qualquer previsão de chuva tira o sono dos moradores do bairro. “Ficamos a madrugada inteira esperando que não vá encher a rua para poder dormir sossegado. Não fecha os olhos. Tem de esperar acabar a chuva para poder deitar e dormir tranquilo”, conta a cabeleireira Cibele Alce.
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