segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Servidores do IFCE do Crato aderem à paralisação

O campus do Crato* do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) decidiu ontem, em assembleia, entrar greve. A unidade foi a última dos 12 campi da instituição a aderir à greve geral de servidores técnico-administrativos e professores. A greve é nacional, mas cada uma das sedes tem autonomia para decidir pela paralisação, que tem duração indeterminada.

Entre as reivindicações dos grevistas cearenses, liderados pelo Sindicato dos Servidores do Instituto Federal do Ceará (Sindsifce), estão o aumento salarial de 14,77%, a reestruturação da carreira docente e a destinação de 10% do PIB brasileiro para a educação. Dois Projetos de Lei — o nº 248/98, que possibilita a demissão de servidores públicos, e o nº 549/2009, que congela os salários por dez anos — também são reclamações.

“Uma série de desrespeitos tira os nossos direitos de servidores públicos”, afirma a professora Eugênia Tavares, coordenadora de comunicação do comando geral da greve. Segundo ela, a paralisação foi a “última alternativa” encontrada pelos servidores para reclamar os pedidos, já que as negociações com o Ministério da Educação (MEC) ocorrem desde fevereiro sem progresso.

Ao todo, 23 seções do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica (Sinasefe) estão em greve em todo o País. Cada seção é responsável por um número diferente de campi — no Ceará são quatro. De acordo com Eugênia, a paralisação nacional é decorrência da falta de negociação com o MEC. “É muito difícil marcar uma reunião e, quando conseguimos, vai um representante que não trata do assunto”, diz ela. “Estamos percebendo um descaso do governo nessa questão”.

Eugênia aponta também a falta de estrutura do Instituto em todo Brasil, decorrente da política de expansão. “Foi uma expansão, muitas das vezes, sem qualidade. Nossos servidores estão sofrendo País afora”. Segundo ela, o prazo para o fim da paralisação será determinado pelos próprios servidores através de novas assembleias.

O reitor do IFCE, Cláudio Ricardo, afirmou que não apoia a paralisação, mas que esse é um direito dos servidores. “Essa é a forma de pressionar”. De acordo com ele, a negociação entre o Governo e os grevistas já começou: “Não há descaso do MEC, mas algumas coisas dependem de outros ministérios, como o do Planejamento”.

ENTENDA A NOTÍCIA

No Ceará há quatro seções do Sinasefe, que coordenam as ações dos servidores de 12 campi. As unidades estão em Fortaleza, Quixadá, Maracanaú, Limoeiro, Crateús, Acaraú, Canindé, Cedro, Crato, Sobral, Iguatu e Juazeiro

SAIBA MAIS

A greve do IFCE foi deflagrada no início do período letivo, prejudicando as aulas do semestre. “Sabemos que isso mexe com os interesses dos alunos, e por isso queremos esclarecer tudo”, explica a professora Eugênia Tavares.

Ela conta que, diariamente, estão sendo realizadas atividades para incluir e orientar os discetes. “Muitos alunos estão lá porque querem entender o que está acontecendo”.

Segundo a assessoria do IFCE, os campi de Sobral e Limoeiro, apesar de já terem aderido à greve, só vão interromper as atividades na segunda e quarta-feira, respectivamente.


Mariana Freire

Fonte: Jornal O Povo On-line

* Correção do Editor

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