domingo, 9 de outubro de 2011

Homenagem ao Reverendíssimo Pe. José Coringa, por Cícero Menezes

Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.

Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. 2 Timóteo 4:7-8

Revestidos do espírito do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo gostaríamos de, com sentimentos profundos de consternação e gratidão, apresentar a trajetória religiosa do servo de Deus Padre José Coringa, condutor do rebanho de Nossa Senhora da Conceição por 23 anos, 9 meses, 05 dias e 3 horas. Qual vela consumida sob o altar, no silêncio de seu lar e no contato com os mais humildes, perseverou até o fim. Homem do trabalho, marco de seu profícuo paroquiato, do início ao último dia de sua vida.

Nascido no dia 29 de dezembro de 1940, da Paraíba nos veio este servo de Deus. Batizado na Igreja Matriz de Itaporanga, no dia 18 de abril de 1941, pelo Cônego Manoel Firmino Pinheiro. Crismado com idade de 13 anos na Matriz de Senhora Santana por Dom Zacarias Rolim de Moura, em Santana dos Garrotes, sua terra natal.

Pela Ribeira do Icó chegou ao Ceará, no ano de 1960, em companhia do Padre Chagas Barros. Morou na Paróquia de Mombaça, depois se mudou para o Crato. Trabalhou no Seminário São José e no Hospital São Francisco, quando iniciou o curso primário no Grupo Escolar Alexandre Arrais. Em seguida, passou a residir em Campos Sales, cursou o Exame de Admissão ao Ginásio quando sacristão do Padre Newton Holanda Gurgel, hoje Bispo emérito da Diocese do Crato.

Voltou ao Crato, para trabalhar como auxiliar de limpeza no Seminário, onde cuidou de gados, ovelhas e porcos. Daí passou a trabalhar como atendente de enfermagem na Casa de Saúde Santa Tereza. Foi atendente de inúmeros sacerdotes, cuidando da saúde e do bem estar destes, na época, revestido do espírito vicentino.

A pedido de Dom Vicente, então bispo do Crato, ingressa no Seminário da Prainha em Fortaleza, no ano de 1977, vindo a ser ordenado sacerdote no dia 26 de julho de 1983 na Matriz de Senhora Santana, na Paraíba, pelas mãos do Senhor Bispo Diocesano do Crato, D. Vicente de Paulo Araújo Matos.

Iniciando os seus trabalhos pastorais como padre, serviu às comunidades de Assaré, Araripe, Ipaumirim e Umari. No dia 31 de janeiro de 1988, às 12:00h, chegou em Farias Brito, sendo recebido com muita expectativa pelo povo . Encontrou a Matriz Antiga fechada e a nova em construção.

Duas grandes missões: reerguer o templo físico e alimentar com o pão da palavra e da eucaristia a fé do povo. E foi sob a proteção divina e a confiança no manto maternal da virgem santa, que trilhou os caminhos por todas as comunidades. Foram momentos fortes de evangelização entre eles as Santas Missões Populares em 1989 e a visita de Frei Damião no ano de 1990.

A visita da Imagem da Padroeira e de Nossa Senhora da Penha do Crato, em todos os sítios e distritos marcaram a devoção e a fé do povo simples, com a finalidade de levar todos para o amor de Cristo e a pregação de seu santo evangelho.

O trabalho de catequese também foi marcante, numa época em que somente a Professora Telina Jorge, dedicava-se a esta nobre missão. Em sua autobiografia o vigário a compara “às santas mulheres exaltadas nas sagradas escrituras”. Fruto do seu apostolado e de seu ardor missionário a Paróquia passou a contar com a Pastoral do Dízimo, Crisma e Batismo, Matrimônio, Apostolado da Oração, Terço dos Homens, Catequese, Missionários, ECC, Coroinhas, entre outras.

Pelos mais longínquos lugares desta Paróquia ficará a marca intransferível do inesquecível e saudoso vigário de Farias Brito, Padre José Coringa, construtor do templo terreno e espiritual.

Como pai amoroso e presente na vida de seus filhos, nos disciplinou muitas vezes na lei de Deus. Homem de personalidade forte, de conselhos sérios e decisões precisas. Tinha muitas vezes a bravura de um leão e a tranqüilidade de uma criança.

Na vida aqui na terra foi um servidor humilde para os tímidos e fracos, e não se rebaixou diante dos poderosos, mas se curvou sim, diante dos pobres. Portador de inúmeros dons, um homem no campo de batalha, coração materno no conforto aos mais necessitados, um inimigo da preguiça, uma pessoa que se manteve sempre fiel.

O 14º Vigário Paroquial termina hoje a sua missão e terá a sua sepultura no nosso meio, a exemplo dos Reverendíssimos Monsenhor Joaquim Sóther de Alencar, falecido no dia 25 de janeiro de 1914 e do Cônego Manoel de Araújo Feitosa, falecido no dia 28 de dezembro de 1945. Ambos estão sepultados no interior da Antiga Matriz.

Ficam os seus ensinamentos, para a posteridade e registramos na crônica histórica, o dia de hoje como marco indelével nas páginas da memória religiosa de nossa terra e de nossa gente.

É com saudades, lágrimas e esperança que o homenageamos e que desejamos que seja bem recebido na corte celestial, onde está a tua Paróquia Eterna, onde Deus é o sumo juiz.

Farias Brito- Ceará, 05 de outubro de 2011.

Escreveu: Cícero Menezes
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