domingo, 6 de novembro de 2011

CARTA PASTORAL - RUMO AO JUBILEU DIOCESANO

CARTA PASTORAL
POR OCASIÃO DO INÍCIO DO TRIÊNIO
DE PREPARAÇÃO PARA O CENTENÁRIO
DA DIOCESE DE CRATO
 20 de outubro de 2011
Aos Padres, Diáconos, Religiosas e Religiosos, Seminaristas, Agentes de Pastoral das Paróquias e Comunidades, leigas e leigos consagrados: amados colaboradores no meu ministério pastoral a serviço da Igreja Particular que está em Crato.
 1. Introdução
Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel (Sl 12,6).
Povo de Deus, celebramos, nesta data, o 97º aniversário da criação da nossa Diocese de Crato. No dia 20 de outubro de 1914, o Papa Bento XV – em sua solicitude pastoral para com toda a Igreja – quis dar um novo impulso à ação e à presença da Igreja Católica no Ceará, dando-lhe uma nova diocese, situada no sul do Estado, com sede aqui no cariri, desmembrando-a da Diocese de Fortaleza. Nascia a nossa Diocese de Crato, que caminha agora para comemorar um século de vida e missão neste chão e celebrar um Ano Jubilar no seu centenário.
2. Diocese: Igreja de Cristo
Diocese é a porção do Povo de Deus confiada ao pastoreio de um bispo, legítimo sucessor dos Santos Apóstolos, e ocupa um determinado espaço territorial. Em cada Diocese, também chamada de Igreja Particular ou Igreja Local, encontramos plenamente a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. Na Diocese de Crato, portanto, está presente de maneira total a Igreja de Cristo, da mesma forma que está em Roma, ou em qualquer outra Diocese nos mais humildes e desconhecidos recantos da Terra.
Normalmente, os católicos estão mais ligados às suas comunidades e paróquias, faltando-lhes uma visão de Igreja como um todo. Porém, se uma comunidade não estiver em plena comunhão com sua Diocese, não pode propriamente se considerar uma comunidade católica. É a nossa comunhão na Diocese, pastoreada por um Bispo em plena comunhão com o Bispo de Roma, ou seja, o Papa, que faz da nossa comunidade também uma comunidade católica. Também os Padres não são pastores isolados em suas paróquias: eles fazem parte de um presbitério, de uma comunhão de presbíteros que, junto com o Bispo, pastoreiam a Igreja diocesana, e do mesmo sentimento de comunhão e colaboração participam os diáconos. Com esta motivação, no dia 20 de outubro de 2014, faremos cem anos de existência e podemos entender porque é tão importante celebrarmos o centenário da nossa Diocese. Significa que a Igreja católica, há cem anos, pelo ministério do Papa Bento XV reconheceu que aqui, no Sul do Estado do Ceará, havia uma maturidade eclesial suficiente para nos tornarmos uma Igreja Diocesana.
3. Jubileu: Demos graças ao Senhor nosso Deus!
Amados irmãos e irmãs, o Centenário da Diocese de Crato será precedido de uma preparação de três anos, que iniciamos com esta carta. No último ano, precisamente a partir de 20 de outubro de 2013, proclamaremos um ano jubilar, um ano de Graça. Peço a Deus, portanto, que esta carta pastoral os encontre com as melhores disposições de espírito, para realizarmos com grande empenho pastoral a celebração do JUBILEU DIOCESANO, com solene culminância no dia 20 de outubro de 2014.
O Jubileu é coisa da Bíblia Sagrada: já no Antigo Testamento, a cada cinquenta anos o Povo da Aliança dedicava um ano de louvor à santidade do seu Deus que, em seu Amor fiel, mandava perdoar as dívidas e libertar os escravos (Dt 15, 12-15). No Novo Testamento, o Ano Jubilar encontra em Jesus Cristo a sua realização definitiva (Lc 4,18-19): Ele realiza “um ano de graça” com as suas palavras e, sobretudo, com as suas obras; com sua Vida, Morte e Ressurreição.
No limiar do centenário da nossa Diocese, como Povo da Nova aliança, contemplamos quantas coisas bonitas marcaram a nossa história. E quantas outras coisas lindas nos esperam. O Senhor continua nos chamando a trabalhar na sua vinha. Com um olhar de fé e de amor, agradeçamos a misericórdia divina que confia em nós e nos envia para continuar, com novo ardor e novos métodos, a missão iniciada nesta Diocese há quase um século.
Pelos trabalhos missionários realizados, pelas luzes e as sombras na nossa ação evangelizadora, pelos avanços e recuos na caminhada, pela experiência da nossa pequenez e pecado, advertimos nesta hora os impulsos da Graça do Espírito, para buscar e testemunhar mais ainda a santidade de Deus na nossa vida. “Tudo é graça”, podemos dizer com Santa Teresinha. Queremos louvar e dar graças a Deus pelo passado, pelo presente e pelo futuro da nossa Igreja diocesana.
4. Anseios e exigências no Jubileu diocesano
Embora seja uma data importante e simbólica para nós, o interesse principal do Centenário é que cada um de nós renove sua alegre pertença, seu amor, seu serviço e dedicação à querida Diocese de Crato, na consciência de sermos uma “Igreja romeira e missionária”; que busquemos ser uma Diocese: comunidade de discípulos missionários sempre a caminho; afinada e solidária com os buscadores do Reino de Deus e da sua justiça, trilhando junto com a humanidade, sem parar, os longos caminhos de pedra e areia da romaria de um povo em busca da salvação que vem de Deus.
Porque almejamos mais que uma simples comemoração histórica, há algum tempo, estamos nos preparando para o Ano Jubilar no Centenário da nossa Diocese. Mais recentemente, em todas as nossas Paróquias e Comunidades, as Santas Missões Populares foram um verdadeiro mutirão de formação de missionários e de evangelização. Demo-nos conta que vivemos novos tempos, que os desafios culturais e religiosos no nosso meio nos obrigam a uma ação pastoral estudada, planejada e organizada. Já não podemos improvisar as nossas atividades. As Santas Missões Populares nos incentivaram a organizar em setores pastorais e missionários as comunidades das nossas Paróquias, tornando as Paróquias redes de comunidades. Para isso, precisamos avançar mais, vencendo resistências, apostando no Espírito que fala à nossa Igreja através do Magistério e acolhendo o convite pressuroso para passarmos de uma pastoral de manutenção para uma pastoral de conversão e inovação na nossa ação missionária.
Oxalá o Jubileu Diocesano, assim como a preparação para o 13º Encontro Intereclesial das CEBs em 2014 na nossa Diocese, motivem todas as nossas Comunidades e Paróquias para implantarem os COMIPAs (Conselho Missionário Paroquial), um serviço importante para a conversão pastoral, a renovação missionária e o crescimento da consciência missionária no Povo de Deus, a serviço da vida. As nossas comunidades e Paróquias, em memória das Santas Missões Populares e em preparação ao Jubileu Diocesano, estão acolhendo a visita do Santuário Missionário da Missão Continental em suas Capelas e Igrejas. Trata-se de um símbolo muito eloqüente: Jesus, o Enviado e Missionário do Pai, visita comunidade por comunidade, povoado por povoado, paróquia por paróquia; é acolhido pelo povo, evangeliza com a sua presença e com a sua Palavra (leitura orante da Bíblia) e conclama para a conversão: uma vida nova no Amor do Pai e dos irmãos. Quem acolhe Jesus em sua casa, torna-se missionário como Jesus: imita Jesus Missionário que saiu da sua casa, o céu, se fez nosso companheiro de viagem e nos convida para segui-lo no caminho da missão: Ide, anunciai o Evangelho!
“O princípio da missão consiste no seguinte: não podemos esperar que as pessoas venham a nós, precisamos nós ir ao encontro delas e lhes anunciar a Boa Nova ali mesmo onde se encontram. Isso parece quase óbvio.... Missionário não é, em si, aquele que acolhe, mas é o acolhido... Uma Igreja enviada é uma Igreja que está fora de casa, que faz a experiência radical do seguimento, do despojamento e da itinerância, como companheira dos pobres (cf DA 398) e como hóspede na casa dos outros. O discípulo é essencialmente um peregrino e um enviado que deixou casa, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, terras, por causa de Jesus. Esse Jesus disse: “Eu sou o Caminho” (Jo 14, 6) e não: “Eu sou a chegada”... Se “missão” significa “envio”, todo envio pressupõe um deslocamento e uma saída... A conversão missionária da qual fala o Documento de Aparecida (DA) em uma de suas páginas centrais (cf 7.2 - Conversão pastoral e renovação missionária das comunidades) trata-se substancialmente de uma saída. Na saída de si, do círculo da própria comunidade e dos confins da própria terra, se realiza para a Igreja essa conversão. Paradoxalmente, é nessa saída que a Igreja encontra sua razão de ser e sua própria identidade” (E. Raschietti, Conversão Pastoral e Renovação Missionária, em Revista Missões , Maio 2009).
5. Preparar e celebrar o ano da graça do Senhor
Iniciamos hoje, a caminhada rumo ao Grande Jubileu no centenário da Diocese de Crato. Três anos para fazer memória da vida da nossa Igreja diocesana, para ouvir a voz de Deus que nos fala através dos Pastores e da história do nosso Povo, para acolher os apelos da Providência de Deus a renovar a nossa missão no mundo e na Igreja, para celebrar com alegria as maravilhas do Senhor e professar a nossa fé: Jesus Cristo é o Senhor! Da nossa Diocese Ele é o Senhor! Do nosso passado, do nosso presente e do nosso futuro Ele é o Senhor!
Ao longo destes três anos muitas iniciativas pastorais, históricas, culturais e litúrgicas irão acontecer. Na Assembléia Diocesana de Pastoral, que acontecerá nos dias 25 e 26 de novembro do ano em curso, serão definidas e agendadas estas atividades. Posso já antecipar que, acolhendo o chamado do Papa Bento XVI para toda a Igreja no domingo, dia 16 de outubro, celebraremos, de outubro de 2012 a outubro de 2013 o Ano da Fé. No ano de 2014, ano conclusivo do Jubileu Diocesano celebraremos festivamente o III Congresso Eucarístico Diocesano e a Dedicação da nossa Catedral. Preparemo-nos para participar com empenho, e com espírito de comunhão fraterna, redescobrindo e valorizando a “diocesaneidade” que nos deve sempre motivar e alegrar em todos os nossos empreendimentos.
É tempo de Jubileu! Toquem os sinos das nossas Paróquias e Capelas anunciando a todos que chegou a hora de Deus para festejar o centenário da nossa Diocese romeira e missionária. E que os Anjos digam: Amém! Nós também, em coro, digamos: Amém! É Tempo de louvar e, com São Paulo, dizer: “Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda bênção espiritual nos céus, em Cristo” (Ef 1,3). É tempo de conversão! O Jubileu é por sua natureza uma chamada à conversão. É tempo de festejar a caminhada!
Jubileu é tempo para mostrar o nosso rosto diocesano. Toda a Igreja particular tem seu rosto próprio. O rosto da Igreja de Crato tem em seus traços uma Igreja acolhedora, romeira, solidária, samaritana, educadora, missionária, fortemente eucarística e mariana. Uma diocese ministerial, agraciada com numerosas vocações para os ministérios Ordenados e não Ordenados, uma Igreja que se reconhece nas CEBs, que acolhe os Movimentos eclesiais, que reconhece nas Novas Comunidades o sopro do Espírito Santo, que se articula em Pastorais, que planeja e avalia a sua ação pastoral articulada, orgânica e de conjunto. É lindo o rosto da nossa Diocese. Cuidemos para que ela, Esposa de Cristo e nossa Mãe, seja sempre mais bela, com seu rosto sem rugas e sem manchas, uma Igreja que agrade ao Coração do Pai e seja sinal de santidade e de vida para todos.
6.Memória e Gratidão: não estamos sós na caminhada
A Dom Quintino Rodrigues, nosso primeiro Bispo, a Dom Francisco Pires, a Dom Vicente Matos, nossa gratidão e oração de sufrágio. A Dom Newton Gurgel, nosso Bispo Emérito, sinceros votos de boa saúde e felicidades. Aos Padres e Religiosos que doaram sua vida pelo bem do nosso Povo, aos leigos e leigas que deixaram em suas famílias e comunidades, exemplos de virtude e de fidelidade a Cristo e à sua vocação na Igreja, nossa admiração e gratidão pelo estímulo a sermos os herdeiros e continuadores do seu zelo. E a vocês, queridos Sacerdotes, Diáconos, Seminaristas, Servos e Servas do Povo de Deus, leigos e leigas caríssimos e amados, o meu sincero agradecimento pelo seu testemunho de amor e fidelidade à nossa Diocese, e pelo afeto fraterno e imerecido para comigo, vosso Bispo e pobre servidor.
 7.Conclusão
Que a Virgem Maria, Nossa Senhora da Penha, a excelsa Padroeira da Diocese, São José seu castíssimo Esposo, todos os Santos e Santas da nossa devoção nas nossas capelas e paróquias, nos acompanhem e nos motivem na celebração do Jubileu. Mas também os amigos e amigas de Deus da nossa Diocese não canonizados, e são mais do que vocês podem imaginar, todos aí no céu olhando e sorrindo para nós – obtenham uma bênção especial para a nossa e sua Diocese neste Jubileu. Entre eles, além do Pe. Cícero Romão Batista, podemos saudar e reconhecer a Menina Benigna, a criança de 13 anos que no dia 24 de outubro de 1941, há setenta anos, foi assassinada no Distrito de Inhumas, Município de Santana do Cariri, preferindo antes morrer do que ofender a Deus pecando contra a pureza. Desta Menina Benigna, que já é chamada de mártir da pureza, já iniciamos o Processo de Beatificação, nesta Diocese. Se Deus quiser, não vai demorar muito, o esperamos, a nossa Diocese de Crato terá uma Santa Mártir, reconhecida pela Igreja e beatificada. Assim seja!
Queridos, é festa no céu e na terra também! Deus nos conceda viver plenamente a graça do Jubileu da nossa Diocese. Corações ao alto, Igreja centenária de Crato!

Dom Fernando Panico, MSC
Bispo Diocesano de Crato

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