sexta-feira, 9 de março de 2012

Atitude: o “colírio” certo para a miopia existencial


Alguma vez você já se pegou pensando em pessoas que têm uma dificuldade, que pode ser muito sutil, de visualizar a vida em sua plenitude? Tomando emprestado um termo usado pela medicina, podemos classificar esses indivíduos como “míopes existenciais”. Por meio dessa metáfora, definimos uma forma de comportamento baseada em características como reclamações constantes e uma terrível falta de engajamento em iniciativas de médio e longo prazos. Assim como quem não consegue enxergar com nitidez o que está fora do seu campo visual, quem sofre da miopia existencial está privado de perceber oportunidades de crescimento e superação.
Hoje, é muito comum vermos essa forma de agir no mercado de trabalho. Caso contrário, expressões como “Estou muito cansado para isso” ou “Nunca tenho tempo para aquilo” não seriam cada vez mais corriqueiras. De forma simples, pequenas trapaças mentais como essas têm o papel de disfarçar a falta de ação diante do que de fato gera a insatisfação. Seja o salário, sejam as metas, seja o ambiente organizacional, não importa: sempre é possível promover transformações quando nossos atos estão alinhados ao planejamento estratégico.
“Estou preso ao cotidiano”
Essa talvez seja uma das justificativas mais comuns de quem sofre de miopia existencial. A questão-chave para transpor essa barreira é a atitude que se toma diante da vida e da carreira. Em grande parte dos casos, podemos observar que as pessoas operam pelos conceitos do “devo” e do “tenho de”. Veja dois exemplos clássicos: “Não gosto do meu trabalho, mas devo continuar nele para...” e “Tenho de permanecer na minha área de atuação...”.
A dica, nesse caso, é fugir dessa mesmice e praticar seu olhar global, refletindo sobre a sua realidade e o que precisa ser feito para que ela mude de acordo com seus desejos. Quem não cria um plano de ações tem mais dificuldades para guiar à carreira, uma vez que irá tomar suas decisões de forma improvisada e nem sempre alinhadas ao objetivo principal. Questione-se: se nada ou ninguém pudesse impedi-lo de fazer o que realmente deseja, qual seria o cenário atual da sua vida, nos campos pessoal e profissional?
É importante sempre ter como referência o lugar onde queremos chegar, tirando o foco das complicações do cotidiano, especialmente em momentos delicados de nossas carreiras. Afinal de contas, quem quer alcançar uma promoção na empresa, por exemplo, não pode passar meses se lamentando por atividades que detesta fazer. Em vez disso, nossa energia deve ser canalizada para o desenvolvimento das habilidades que nos tornarão aptos para ocupar o novo cargo. Quem trabalha dessa forma acaba, naturalmente, chamando atenção dos colegas de equipe e dos seus superiores, pois transmite a mensagem positiva de ter força de vontade e muita dedicação.
Lembre-se de que sempre há pontos fortes e fracos em um cenário profissional, cabendo a você escolher em quais deles depositará sua atenção. Esse poder representa uma grande responsabilidade, pois, de fato, dá a liberdade necessária para se conduzir a jornada. Tire seus óculos da caixa e pare de enxergar apenas o que está ao seu redor, criando uma visão de futuro ampla e baseada em atitudes concretas. Há muito mais oportunidades do que estamos percebendo em nosso cotidiano, o que exige um esforço contínuo de mirar o horizonte com curiosidade e paixão.
Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional e escritor. É especialista em desenvolvimento das competências de liderança e preparação de equipes e autor dos livros Viva como você quer viver e A vida é um milagre, publicados pela Editora Gente e disponíveis em audiolivro pela Editora Nossa Cultura. Para mais informações, acesse: www.edushin.com.br
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