sábado, 7 de abril de 2012

Jesus ressuscitou: a prova é você!

Dom Redovino Rizzardo
Bispo de Dourados / MS
Nos primeiros dias de março de 2012, alguns órgãos de imprensa – poucos, na verdade, já que o mundo do mercado se alimenta de outros interesses – informaram que «pesquisadores descobriram num túmulo localizado em Jerusalém, a mais antiga referência arqueológica à ressurreição de Jesus já registrada. A descoberta foi anunciada em Nova Iorque na última terça feira, dia 29 de fevereiro, pela equipe do professor James Tabor, diretor do departamento de estudos religiosos da Universidade da Carolina do Norte».

Ao longo da história, foram inúmeras as tentativas feitas por pesquisadores cristãos para encontrar provas “cientificas” que demonstrassem a ressurreição de Jesus. Uma das mais conhecidas é o Sudário de Turim, a mortalha que se acredita tenha envolvido o corpo de Jesus após a sua morte. Para inúmeros estudiosos, a figura que aparece no tecido não é obra de um pintor: a imagem aparece no negativo, uma técnica desconhecida na antiguidade. Nem foi formada por contato direto: a decomposição do corpo não permitiria a nitidez dos traços delineados. A resposta mais plausível seria a da irradiação: ao ressuscitar, o corpo de Cristo emitiu uma luz e um calor tão intensos, que sua imagem ficou impressa no Sudário.

Para a teologia cristã, porém, não é no Sudário ou em qualquer outra relíquia que fundamenta a certeza da ressurreição de Jesus. Nem mesmo nas descobertas feitas pela ciência ao longo da história. A prova decisiva da ressurreição de Jesus é dada pela Sagrada Escritura e, mais ainda, pelo testemunho de cristãos que a demonstram nas atitudes concretas de cada dia.

É o que procurava esclarecer São Paulo aos cristãos de seu tempo: «Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, não as da terra. Fazei morrer o que em vós é terreno: imoralidades, maldades, maledicências, mentiras, ódio, raiva, maus desejos e, sobretudo, a cobiça, que é uma idolatria. Vós vos despojastes da maneira de agir do “homem velho” e vos revestistes do “homem novo”, no qual não há distinção entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, estrangeiro e bárbaro, escravo e livre: o que agora conta é Cristo, que é tudo e está em todos» (Cl 3,5ss).

“Homem velho” é «quem nasce da carne e age impulsionado pela carne». “Homem novo”, pelo contrário, é «quem nasce do Espírito e se deixa guiar pelo Espírito». «Por isso – conclui Jesus – é necessário nascer de novo e do alto» (Jo 3,1ss). Para “nascer de novo e do alto” o caminho apresentado por São Paulo é a prática do amor fraterno: se “o que conta agora é Cristo, o qual é tudo e está em todos”, o que importa é amar a todos, sem nenhuma distinção de pessoas. Ou então, fazer como Deus, para quem os únicos que merecem uma “distinção” são os “últimos” da escala social.

Por tudo isso, o testemunho mais evidente de que Jesus está vivo e ressuscitado são as atitudes do cristão: «A fé se manifesta em gestos concretos» (Tg 2,14ss), «revestidos de amor» (Gl 5,6).  É através dele – e não do Sudário ou de outras provas mais ou menos científicas – que o mundo acredita ou não na ressurreição de Jesus.

Assim, se você carrega a sua cruz sem se fazer de vítima; se paga o mal com o bem; se não teme as zombarias e os insultos de quem não crê na sua sinceridade; se não se deixa contaminar pela corrupção do mundo; se faz de sua vida um serviço gratuito; e se não desanima quando, de tudo isso, pouco ou nada consegue fazer, mas continua acreditando que Deus é maior do que a sua fraqueza... então, tenha certeza, o Ressuscitado está agindo em sua vida!

É o que garante o Papa Bento XVI em seu livro “Jesus de Nazaré”, ao explicar, no capítulo sobre a ressurreição e a ascensão de Jesus, a maneira como Lucas termina o seu Evangelho: «Lucas diz que os discípulos voltaram a Jerusalém cheios de alegria depois que Jesus se afastou definitivamente deles. Nós, pelo contrário, esperaríamos que tivessem ficado transtornados e tristes. Os discípulos não se sentem abandonados. Não pensam que Jesus tenha sumido num céu inacessível e distante. Estão seguros de que o Ressuscitado precisamente agora está presente no meio deles de uma maneira nova e com poder: uma presença que não se pode mais perder. É este motivo de sua alegria duradoura».
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