quarta-feira, 27 de junho de 2012

Agricultores protestam em agências do BNB no Interior

Renegociação da dívida e agilização do Garantia Safra integram a lista de reivindicações dos agricultores cearenses
Crateús Na manhã de ontem, cerca de 200 trabalhadores e trabalhadoras dos Municípios de Ararendá, Tamboril, Nova Russas, Independência e Crateús, organizados pelo MST, ocuparam a sede da agência do Banco do Nordeste deste Município. A manifestação é para cobrar dos governos municipal e estadual uma solução para a situação da seca pela qual passam os agricultores da região, tais como liberação imediata do programa Garantia Safra e as renegociações das dívidas. O movimento também integra protesto em nível de Região Nordeste

Com apitos, bandeiras, palavras de ordem e até um sanfoneiro tocando músicas regionais, a mobilização impediu o funcionamento da agência. Gerente e funcionários entraram, mas a agência não funcionou. A Rua D. Pedro II, no Centro, ficou interrompida durante a manifestação que iniciou às 9 horas. Por volta de 11 horas, as lideranças do movimento foram recebidas pela gerência para uma reunião.

Durante o protesto de trabalhadores rurais, a agência do Banco do Nordeste em Crateús ficou impossibilitada de prestar os serviços aos clientes FOTO: SILVANIA CLAUDINO

A reivindicação do abastecimento de água para as comunidades atingidas pela seca, especialmente os assentamentos da região, igualdade na venda em balcão do milho pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o repúdio pelo desvio dos R$ 100 milhões do Banco do Nordeste são outros pontos da pauta do movimento.

"É um absurdo o que está acontecendo. Enquanto os trabalhadores no campo sofrem com a seca e necessitam de recursos, ocorrem desvios no Banco e não se pune os culpados. Os assentamentos não têm sido prioridade. O Banco burocratiza e não libera os recursos emergenciais. Só sairemos quando formos atendidos, pois todos os pontos da pauta são passíveis de atendimento", destaca o coordenador do movimento em Crateús, Messias Bezerra. Até o fechamento deste edição, os manifestantes continuavam na agência.

Região Nordeste

Segundo Bezerra, o MST fará manifestações como essa em toda a região Nordeste, nos Estados castigados pela seca deste ano e em outros Municípios do Estado. "No Ceará, foi dado o pontapé inicial aqui em Crateús e em outros Municípios, pois a situação é a mesma em todos", afirmou ele.

Os movimentos sociais consideram que as ações anunciadas pelos governos são insuficientes para resolver os problemas estruturais causados pela seca. Solicitam medidas que possibilitem a permanência dos agricultores no campo, como construção de barragens subterrâneas, poços artesianos, açudes, cisternas de placa e materiais para pequenas irrigações.

"O movimento é pacífico e não queremos prejudicar ninguém. Porém, entendemos que o Banco do Nordeste está emperrando as negociações. Enquanto não resolver a pauta, não saímos daqui", disse Paulo Henrique, da direção estadual do MST.

O agricultor Zacarias Loiola, do assentamento Santa Rosa, distrito de Montenebo, em Crateús, reclamou da lentidão do Banco em resolver a situação. "Há vários meses encaminhamos a documentação solicitando renegociação e não recebemos resultado. Em um ano de seca, ficamos de mãos atadas, sem safra, sem água e sem poder fazer empréstimo".

Vindo do assentamento Palestina, em Independência, o trabalhador rural, Raimundo Nonato Alves, cobrou soluções. "Vim participar do movimento em busca dos nossos direitos. Não podemos ficar nessa situação nesse tempo de seca, queremos solução", destaca.

Existe R$ 1 bilhão em créditos para Municípios em situação de emergência, que só no Ceará já são 170. E alongamento de prazo para quitação das dívidas. É o que informa o Banco do Nordeste, apontando alternativas aos agricultores sem recursos e endividados. De acordo com José Andrade, superintendente da área de recuperação de crédito do BNB, além dos programas governamentais, o banco também tem programas próprios de prorrogação das dívidas e financiamento para produtores e mesmo agricultores em assentamentos. O que dificilmente será obtido é o perdão das dívidas.

"No ano passado foi aplicada a lei dando o perdão da dívida a quem tinha contratos até 2001, mas desde que a dívida não passasse de R$ 10 mil. Hoje acho muito difícil haver o perdão, mas o banco tem colocado essa demanda dos produtores no Congresso Nacional", afirmou.

Parcelamento
As operações de custeio da safra 2011-2012 podem ser renegociadas em até cinco parcelas anuais, com vencimento da primeira até um ano após a formalização da renegociação. Para safras anteriores, a renegociação pode ser feita em até um ano após o vencimento da última parcela.

O Conselho Monetário Nacional criou normativas para créditos a endividados. O alongamento dos vencimentos para quitação vão para até um ano do prazo inicial, permitindo que os produtores que estejam com dívidas de até 12 meses possam, mesmo assim, receber financiamento. As medidas também valem para os assentamentos rurais. "Mas o agricultor tem que estar adimplente com o banco. Para que eles fiquem assim, existem programas do governo, ou mesmo próprios do banco", disse José Andrade.

As ações emergenciais podem gerar impacto direto na vida de mais de quatro milhões de brasileiros na região Nordeste. O total de investimentos do Governo Federal em ações emergenciais é de R$ 2,7 bilhões.

Mais informações:
Banco do Nordeste do Brasil
Fortaleza: (85) 3347.1212
Crateús: (88) 3691.2211

SILVANIA CLAUDINO
MELQUÍADES JÚNIOR
REPÓRTERES
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