quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Cariri comemora o Dia do Folclore

Municípios procuram manter viva a tradição com uma programação voltada para a manifestação popular
Juazeiro do Norte A tradição popular se repete no Cariri. Os grupos saem espontaneamente para comemorar a semana dedicada ao folclore. No Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, os cortejos acontecem hoje, nas ruas centrais da cidade. Também há manifestações por toda a região, considerada um celeiro da cultura popular no Estado.

A Semana do Folclore será encerrada com um grande cortejo pelas ruas das cidades do Crato e Juazeiro do Norte, nesta quarta-feira. Os grupos se apresentam e conquistam a população FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS

Para o presidente da Fundação Cultural Mestre Eloi Teles de Morais, Catullo Teles, no Crato, há 12 anos que a tradição se repete sob a organização da entidade. Ele segue a trajetória do seu pai, o mestre Eloi. Segundo Catullo, essa é uma manifestação espontânea dos grupos. O cortejo no Crato acontece a partir das 16 horas, saindo do largo da RFFSA, no Centro Cultural do Araripe, finalizando na Praça da Sé, por volta das 18 horas, com a abertura da festa da padroeira do Crato e da Diocese, Nossa Senhora da Penha.

Em Juazeiro, a saída das dezenas de grupos de reisado, bandas cabaçais, maneiro-pau e outros folguedos, saindo principalmente dos bairro João Cabral, Franciscanos e Pio XII acontece desde cedo. A forte tradição religiosa dos grupos faz com que muitos busquem, após o cortejo pelas ruas principais da cidade, as igrejas como percurso final para os desfiles pela cidade, a exemplo da Basílica de Nossa Senhora das Dores e do Socorro, que este ano se encontra com a parte externa em obras. Normalmente, os grupos fazem essas apresentações também durante o Dia de Reis. Muitos se reúnem nas casas de outros mestres da cultura para comemorar a data.

A abertura da Semana do Folclore, no Crato, aconteceu com o grupo dos irmãos Aniceto, que se apresentaram de frente à Sé Catedral, no último domingo, e contou com a entrega da comenda Mestre José Aniceto. Também houve a participação do coco da Batateira e reisado Dedé de Luna. Ontem, mais cinco grupos se apresentaram.

Catullo afirma que dos 36 grupos da cidade, metade deles estará se apresentado. A semana conta também com a participação dos integrantes da Academia de Cordelistas do Crato, além dos grupos de reisado, maneiro-pau, emboladores e coco. De acordo com o presidente da Fundação, as apresentações continuam sendo realizadas no mesmo formato há 35 anos.

Na Praça da Sé, as apresentações dos grupos começam a partir das 18 horas. Nesta quarta-feira, haverá o cortejo, mas os grupos a se apresentarem na Praça da Sé são o reisado do mestre Aldenir, além do maneiro-pau do Baixio das Palmeiras. Haverá a entrega da Comenda Mestre Dedé de Luna.

Há vários anos as bandas levam às ruas da cidade a cultura dos ancestrais. Para Catullo, é um verdadeiro caldeamento que reúne as diversas etnias. "Os Aniceto, com 178 anos de tradição; o cocô da mestre Edit, com 36 anos, o reisado do mestre Dedé de Luna, com 58 anos. Tudo isso representa uma trajetória cultural, com vários elementos reunidos", diz.

Para Catullo Teles, é importante destacar a origem dos folguedos, a exemplo do reisado, de Portugal, o maneiro-pau, com elementos da cultura árabe, entre outras influências. Ele destaca a relevância da inserção das escolas no contexto de integração com os grupos, para multiplicação desse conhecimento. "Acho que o mais importante seria isso, porque não é à toa que um grupo de pessoas vem aqui e luta com uma espada. Isso tem uma história, um corredor longo de integração de culturas e raças, para que se chegue a um folguedo unido".

Segundo o presidente da Fundação, entender figuras míticas do jaraguá, burrinha, os passos do coco, tem uma origem e é a história da gente. Durante as apresentações dos grupos, é repassada de forma objetiva um pouco da história de cada grupo. "O reisado é o mais completo que nós temos", afirma, ao acrescentar a sua composição, que envolve elementos do teatro e a dança, música. Para a mestre Maria José Oliveira Luna é uma alegria estar presente desde a abertura das comemorações. Ela destaca a dificuldade que a maioria dos grupos sente em poder manter a tradição, mas que a espontaneidade para garantir a festa é o que mantém a riqueza cultural.

Mais informações:
Fundação do Folclore Mestre Eloi
Endereço: Rua Major Evangelista Gonçalves, 22
Bairro Pimenta - Crato - CE
Telefone: (88) 9299.3430

ELIZÂNGELA SANTOSREPÓRTER
Postar um comentário