quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Romaria de São Francisco reúne cerca de 20 mil fiéis



A cidade fica pequena para tanta gente. Uma multidão invade o Município na busca da cura e da fé. No levantamento da bandeira, quem não conhece de perto todo o processo, fica emocionado. No entanto, mais tocante é o fervor religioso dos devotos.

Em hotéis, pousadas, casas de alugueis ou mesmo em instalações improvisadas em espaços públicos, os romeiros não medem esforços para o pagamento de suas promessas e, sobretudo, reconhecer na intermediação de São Francisco a graça alcançada.

O ritual se repete. As mãos disputam espaço em meio ao tecido santo. Mesmo com o cansaço da madrugada, os fiéis fazem questão de permanecer junto ao símbolo de devoção. Muitos rezam e agradecem, alguns até choram. Tudo para estar perto da bandeira franciscana.

Com pagamento de promessas e agradecimentos de graças alcançadas, uma grande multidão de católicos repete todos os anos a reverência ao padroeiro de Canindé no segundo maior centro de romaria a São Francisco


Ainda na tarde de quarta-feira, comunidades rurais de Canindé e de municípios vizinhos organizaram as tradicionais "caminhadas", dos locais onde moram até a Basílica de São Francisco, pelo 26º ano consecutivo.

Festejos
Os festejos foram iniciados em frente ao santuário, com uma celebração eucarística presidida pelo frei João Amilton dos Santos, além do hasteamento das bandeiras e de espetáculo de fogos de artifício. A estimativa da Paróquia é de que cerca de 20 mil pessoas tenham assistido à missa de abertura.

Um dos franciscanos mais fervorosos era o aposentado Luciano Pereira de Sousa, natural de Canindé. Há 30 anos, ela repete o ritual de se postar ao lado da bandeira de São Francisco, segurando-a, ajudando a erguê-la e ficando ali durante toda a missa. "Tenho muita fé. Ele já me livrou da porta da morte", diz, revelando já ter sido desenganado pelos médicos. "Por isso, pago minha penitência: não largar a bandeira enquanto eu for vivo. Ano passado, até desmaiei no pé do mastro", lembra emocionado. A dona-de-casa, Maria Silva dos Santos, saiu da localidade de Vertentes, às 17 horas de quarta-feira, e só chegou à Basílica depois de 3h30 de ontem.

Vestida de franciscana, ela participava da caminhada pela primeira vez. "Meus pés estão doendo muito, mas quero pagar minha promessa", disse, ao revelar a graça alcançada.

"Meu marido ia ter as pernas amputadas, mas fiz a promessa com São Francisco e ele está aí para contar a história. Não foi preciso fazer a cirurgia´´, diz dona Maria.

Quando é necessário, nem dormir nas calçadas, nas praças, nas ruas assusta os romeiros. O agricultor Manoel da Silva Dias chegou à meia-noite da quarta-feira, junto com a esposa, Ana Rita Paulino, todos moradores da comunidade de São Domingos, no município de Caridade.

Deitados sobre pedaços de papelão, eles se protegiam do frio com lençóis. Desde os 10 anos, Manoel repete o ritual de ir caminhando até Canindé, para ver a abertura da romaria. "Todo ano, venho a pé. Comecei a vir com meu pai", explica. "É muita fé em São Francisco, nosso intermediador", completa a esposa.

Homilia
Durante a homilia, o frei João Amilton destacou que a festa deste ano tem um significado muito forte na devoção ao santo em Canindé. O pároco pediu que os fiéis orassem pela paz.

"Somos chamados a externar essa paz nos nossos relacionamentos. A sairmos do comodismo, do medo, das incertezas e fazermos a nossa caminhada, buscando a verdadeira paz", pregou o sacerdote.

Em dez dias de festa, que segue até o dia 20 de outubro, a organização da romaria prevê a passagem de cerca de 2 milhões de fiéis por Canindé.

ANTÔNIO CARLOS ALVESCOLABORADOR
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