sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Campanha combate a febre aftosa



Dose da vacina custa R$ 1,50 e a multa para quem não imunizar o rebanho é de R$ 13,43 por cabeça
Guaiúba. A segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa no Ceará foi lançada na manhã de ontem, na Fazenda de Experimentação Agropecuária da Universidade Estadual do Ceará (Uece), em Guaiuba, a 26 Km de Fortaleza.

O secretário Nelson Martins participou do lançamento da segunda campanha contra a febre aftosa. Mesmo com a seca, Estado mantém calendário FOTO: ALCIDES FREIRE


A meta para esta etapa é superar os números da primeira fase, quando o Estado alcançou 93% do rebanho de bovino e bubalinos. "Isso significa imunizar mais de 2,5 milhões de cabeças de um total de 2,7 milhões de animais", afirma o titular da Secretaria do Desenvolvimento Agrário, Nelson Martins.

Calendário
Apesar das dificuldades com uma das piores secas dos últimos anos, o Ceará, confirma Martins, irá manter o calendário dessa etapa que se encerra no dia 30 deste mês. "O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) flexibilizou o período de imunização para os municípios nordestinos em situação de emergência devido à estiagem.

No entanto, entendemos que até janeiro, o prazo final dado pelo governo federal, não modifica em nada o quadro de seca no nosso estado, por isso, convocamos os criadores para vacinar seu rebanho até o fim do mês".

A dose da vacina custa, em média, R$ 1,50 e a multa para quem não cumprir o prazo chega a R$ 13,43 por cabeça. Além disso, no criador não poderá participar de feiras agropecuárias e seu gado ficará restrito a propriedade rural. Também não poderá tirar a Guia de Trânsito Animal (GTA). De acordo com o presidente da Agência de Defesa Agropecuária (Adagri), Augusto Júnior, a segunda etapa da campanha é mais um marco da campanha contra a aftosa no Ceará para que este alcance o status de zona livre com vacinação. Atualmente, o estado está na faixa do risco médio para a doença. "É importante a participação de todo o criador, seja pequeno ou grande, pois essa é uma das exigências do Mapa para sermos reconhecidos como zona livre para a aftosa", frisa.

A superintendente do Mapa no Ceará, Maria Luíza Rufino destaca que se o Ceará cumprir a meta da vacinação, a perspectiva é que até março de 2013 o Estado consiga mudar de faixa. "Por isso, em paralelo à vacinação, estamos colhendo material do rebanho para a sorologia. Também uma das exigências".

A vacinação, destaca Maria Luíza, é um dos passos mais importantes para o que Ceará saia da zona de risco médio da aftosa e alcance a zona livre com vacinação, o que vai permitir abertura do comércio de animais com outros Estados. Apenas Bahia e Sergipe são os Estados nordestinos livres da doença.

"Passando para o status de livre com vacinação, o Ceará poderá comercializar animais e os produtos derivados destes com todos os demais Estados do Brasil e também para o Exterior. Atualmente, o Ceará está impedido de comercializar e enviar rebanhos e produtos para os Estados que estão livres da doença", destaca ela. Atualmente, Santa Catarina é o único Estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação. Os Estados do Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas estão na zona de médio risco, realizando um esforço conjunto para melhorar de classificação.

Livre
Em livre com vacinação estão os Estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste, além do Acre, Rondônia, Bahia, Sergipe, Paraná e Rio Grande do Sul. Amapá permanece como risco desconhecido, enquanto Roraima é considerada zona de alto risco da doença. No Amazonas, uma pequena área está livre com vacinação e o restante é classificado como risco desconhecido. No Pará, há áreas classificadas como risco alto, médio e livre com vacinação. A febre aftosa é uma doença transmitida por um vírus, que é resistente ao congelamento e só é inativado em temperaturas superiores a 50ºC. Sobrevive nos gânglios linfáticos dos animais e na medula óssea, onde há pH neutro, mas morre nos músculos onde o ph é inferior a 6. Pode sobreviver em forragens contaminadas e no meio ambiente por até um mês se houver condições favoráveis de temperatura e pH.

A enfermidade uma das mais contagiosas para os animais e causa importantes perdas econômicas. A mortalidade é baixa em animais adultos, mas nos jovens provoca miocardites que levam à morte. Atinge animais bovinos, ovinos, caprinos, porcos e todos ruminantes selvagens. Camelos, dromedários, lhamas e vicunhas têm baixa suscetibilidade, e cavalos não são afetados.

Mais informações:
SDA
Avenida Bezerra de Menezes, 1820 São Gerardo - Fortaleza
Telefone: 3101-8002
http://www.sda.ce.gov.br/

LEDA GONÇALVESREPÓRTER
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