sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Campanha estimula filiação de mulheres a partidos políticos

Objetivo é aumentar em 30% a representação feminina no Poder Legislativo
Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Campanha estimula filiação de mulheres a partidos políticos
Jô Moraes (ao microfone): a campanha é importante para acabar com o cenário de estagnação
A Câmara dos Deputados lançou no último dia 11 campanha para estimular o ingresso de mulheres nos partidos políticos. Com o lema “Mulher, tome partido. Filie-se”, a meta é aumentar em 20% o número de mulheres filiadas até o dia 5 de outubro, prazo final de filiação para quem deseja concorrer a um cargo político nas eleições gerais de 2014.
A campanha foi organizada pelas Procuradorias Especiais da Mulher da Câmara e do Senado, e conta com o apoio da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) e da Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República.
As organizadoras também esperam ampliar em 30% a representação da bancada feminina na Câmara e no Senado no próximo ano. Atualmente, o Congresso possui 46 deputadas e 8 senadoras. Juntas, elas representam apenas 9% do universo de congressistas (594).
A primeira fase da campanha terá inserções publicitárias em rádio e televisão de abrangência nacional. Depois do prazo de filiação, a campanha continuará por meio de ações direcionadas a dirigentes partidários para que as mulheres filiadas realmente registrem candidatura. A segunda fase da campanha segue até 30 de junho do ano que vem.
Vida política
Durante o evento que marcou o lançamento da campanha na Câmara, a deputada Iriny Lopes (PT-ES) disse que a iniciativa é fundamental para despertar nas mulheres o interesse de participar da vida política. “Somos a maioria da população, a maioria dos eleitores. Porém, nossa participação na vida política geral é pequena”, destacou. “As mulheres precisam ocupar mais espaços de poder”, defendeu.
O mesmo argumento foi usado pela deputada Rosane Ferreira (PV-PR). Para ela, as mulheres têm que aproveitar o momento político do País, de insatisfação com as lideranças tradicionais, para ocupar mais espaços. “Haverá uma grande renovação do Parlamento. As ruas falam isso. O povo está ávido por novos nomes e aí as candidaturas femininas são fundamentais”, afirmou.
Já a coordenadora da bancada feminina, deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), disse que a campanha é importante para acabar com o que ela chamou de “cenário de estagnação”. A deputada acrescentou que “em 2006 foram eleitas 46 deputadas, o mesmo número que existe hoje. Nesse intervalo houve uma eleição geral em 2010. Queremos ampliar a incorporação das mulheres na política”, disse Jô Moraes.
De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 51,5% da população brasileira são mulheres, ou seja, mais de 97 milhões de brasileiras. Mas, nas eleições de 2010, apenas 45 mulheres foram eleitas deputadas federais, representando 8,77% das cadeiras da Casa. No Senado, foram eleitas sete mulheres das 54 vagas preenchidas no Senado naquele ano, o que representou 12,99% do total.
Pesquisa
Pesquisa de opinião pública realizada pelo Ibope e pelo Instituto Patrícia Galvão, em abril deste ano, em todo o País, com 2002 entrevistados com mais de 16 anos de idade, revelou que oito em cada dez brasileiros consideram que deveria ser obrigatória a participação paritária de mulheres e homens nas casas legislativas municipais, estaduais e federais.
Entretanto, de acordo com o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, do IBGE, se o avanço da participação feminina continuar no ritmo atual, a paridade entre os sexos nos espaços municipais demorará ainda 150 anos para ser alcançada.

Da Agência Câmara Notícias
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