terça-feira, 19 de novembro de 2013

Principal fonte de renda para mais pobres do CE não provem do trabalho

Ipece mostra que renda teve aumento com Bolsa Família.
Programa repassou R$ 1,6 bilhão para o Ceará em 2012. 

Do G1 CE

Fonte de recursos que não provêm do trabalho representaram a principal origem da renda dos 10% mais pobres da população cearense de 2006 a 2012, incluindo Previdência Social e Programa Bolsa Família. Essa é uma das conclusões do estudo 'Bolsa Família e o Comportamento no Mercado de Trabalho Cearense', divulgado nesta segunda-feira (18) pelo  Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).
Em todo o Estado, 73.214 famílias são beneficiadas pelo Bolsa Família, segundo um outro estudo divulgado pelo Ipece em novembro. O repasse de recursos do Bolsa Família para o Ceará, em 2012, chegou a R$ 1,6 bilhão. Desse montante, Fortaleza recebeu mais de R$ 277,5 milhões, correspondendo a 17,22% do total para o Ceará. Em 98 dos 184 municípios cearenses (cerca de 53%), em 2012, o repasse de recursos do Programa representou mais de 50% do volume de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Esse resultado, explica o professor Flávio Ataliba, diretor do Ipece, demonstra a importância do programa para a maior parte dos municípios, pois “um volume de 50% da principal fonte de receita desses municípios é distribuído diretamente para as famílias beneficiadas, sendo revertida em consumo de subsistência e impactando positivamente na economia local”.
Segundo o estudo, "os dados mostram a persistência da desigualdade, mas também indicam que o crescimento real dos rendimentos e essas mudanças na composição da renda atuaram no sentido de reduzir a disparidade na distribuição da renda no Ceará". De acordo com o Ipece, em 2006, a renda per capita entre os 10% mais pobres essa era de R$ 26,92, enquanto que para o grupo dos 10% mais ricos era de R$1.655,33. Isso mostra que a renda média dos 10%  mais ricos representa 61 vezes a renda média dos 10% mais pobres. Condizente com a trajetória de redução da desigualdade, em 2012 a renda média do décimo mais rico (R$ 2.245,01) representa aproximadamente 48 vezes a renda média do décimo mais pobre (R$ 47,07).
O estudo mostrou que se por um lado, os rendimentos creditados a estas fontes de renda - Previdência Social e Bolsa Família - foram os que apresentaram o maior crescimento em termos reais e que mais ganharam participação como fonte de renda entre os cearenses, por outro, houve uma queda na taxa de participação da camada mais pobre no mercado de trabalho. A taxa de participação representa o percentual da população em idade ativa que está ocupada em alguma atividade ou está ativamente em busca de emprego.
Em 2006, a taxa de participação entre os 10% mais pobres era de 34,27%, com uma média semanal de 18,16 horas trabalhadas. Já em 2012, a taxa de ocupação caiu para 30,85%, com diminuição também no número de horas trabalhadas por semana, que foi de 13,65 horas. Para o Ipece, a queda na taxa de participação pode ser atribuída a uma maior exigência da camada mais pobre da população para as atividades laborais. "Indivíduos que obtinham seus rendimentos sob condições muito precárias de trabalho podem ter um incentivo a não se submeter às mesmas situações e desta forma reduzir sua jornada laboral, já que o custo de oportunidade dessas atividades se elevou com a expansão dos benefícios sociais", diz o estudo.

 

Postar um comentário