segunda-feira, 28 de abril de 2014

Papas são declarados novos santos


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A celebração foi chamada de o“dia dos quatro papas” por causa da presença de Bento XVI(e)e Francisco (d),na canonização de outros dois pontífices
FOTO: REUTERS
Cidade do Vaticano Diante de 800 mil fiéis na Praça São Pedro, o papa Francisco celebrou ontem a missa de canonização dos papas João XXIII e João Paulo II. O ritual foi concelebrado pelo papa emérito Bento XVI e transmitido em telões em vários pontos de Roma e em 500 cinemas em mais de 20 países, segundo informou a Rádio Vaticano.
Os agora São João XXIII e São João Paulo II foram lembrados por Francisco como dois homens corajosos e sacerdotes dedicados, que "colaboraram para restabelecer e atualizar a Igreja". Os dois novos santos participaram do Concílio Vaticano 2º, convocado em 1961 por João XXIII para que teólogos e autoridades eclesiásticas discutissem temas referentes à doutrina católica e atualização da Igreja aos assuntos em voga no século XX.
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), arcebispo de Aparecida e cardeal dom Raymundo Damasceno, lembrou da importância de João XXIII ter convocado o Concílio Vaticano 2º quando era papa, classificando o evento como o "maior acontecimento da Igreja" no século XX, disse.
Sobre João Paulo II, dom Raymundo Damasceno lembrou-se dele como o papa mais conhecido da Igreja, que mais viajou levando a doutrina católica para quase todos os países. "Foi ele que começou o Sino dos Continentes, instituiu a Jornada Mundial da Juventude, o Dia Mundial das Famílias, foi um papa que marcou a história da Igreja nesses 25 anos de pontificado".
Cerimônia
Foi a primeira vez que dois papas foram canonizados ao mesmo tempo e que dois papas participaram juntos da cerimônia de canonização. Uma missa sem precedentes na história da Igreja Católica. Como parte dos protocolos desse tipo de ritual católico, os relicários dos dois novos santos foram colocados no altar.
De São João XXIII foi levado um fragmento de pele, retirado após a exumação de seu corpo em 2000. Já São João Paulo II teve como relíquia uma ampola com seu sangue, que já havia sido mostrada na cerimônia de beatificação em 2011.
Durante a celebração, o Evangelho foi lido em latim e grego.
O papa Francisco declarou São João XXIII como o "santo da docilidade do espírito" e São João Paulo II como o "santo da família".
Fiéis
Milhares de peregrinos passaram a noite em vigília pelos arredores da praça e igrejas de Roma para homenagear os novos santos católicos. Bandeiras da Polônia, terra de João Paulo II predominaram, mas caravanas de todas as partes do mundo foram a Roma, muitas delas do Brasil.
A celebração é chamada em Roma de o "dia dos quatro papas" por causa da presença de dois papas na canonização de outros dois. O Vaticano estima que pelo menos um milhão de pessoas acompanharam a missa, mas ainda não há números oficiais.
O papa agradeceu as autoridades italianas pelo suporte para o evento, considerado histórico também para a cidade.
Milagres
João Paulo II teria curado a freira francesa Marie Simon-Pierre Normand do Mal de Parkinson após ela clamar por sua interferência. A freira esteve presente à canonização de ontem.
O segundo milagre teria ocorrido em 2011 - natural da Costa Rica, Floribeth Mora Diaz, de 51 anos, diz ter sido curada de um aneurisma cerebral. Ela também participou da cerimônia.
Foi feita exceção para João XXIII virar santo: Francisco dispensou a comprovação de um segundo milagre e decidiu canonizá-lo pelas virtudes em vida. O italiano havia sido beatificado em 2000, por causa da cura de uma mulher em 1966 que teria problemas de estômago.
A canonização é o reconhecimento de que aquela pessoa viveu em estado de graça e pode ser venerada por todos os católicos do mundo, especialmente numa datal a ser escolhida para o acontecimento.

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