domingo, 1 de junho de 2014

"Trilheiros" se mobilizam para retirada de lixo em áreas da Floresta Nacional do Araripe


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Munidos de luvas e sacos plásticos, homens, mulheres e até crianças atuam espontaneamente como agentes do processo de reeducação dos que pretendem caminhar na mata. Os ganhos são para todos
Crato. É cada vez maior o número de trilheiros que optam caminhar pelas veredas da Chapada do Araripe, principalmente aquelas abertas e direcionadas ao público. A busca de conhecer a natureza da Floresta Nacional do Araripe (Flona), muitas vezes não tem sido uma tarefa muito agradável. É cada vez maior a quantidade de lixo depositada nessas áreas.
Para isso, um grupo vem intensificando um trabalho de sensibilização, aproveitando também para recolher o lixo deixado pelo caminho. No último dia 1º de maio, foi realizada a 1ª Caminhada Ecológica - Operação Flona Limpa. A segunda edição será no próximo dia 8.
Munidos de luvas e sacos plásticos, os homens, mulheres e até crianças poderão ser agentes de um novo processo de reeducação dos que pretendem caminhar na mata.
Na primeira ação, participaram 14 pessoas voluntárias. A ideia é que nesta segunda caminhada um grupo maior esteja presente para ampliar a atividade, que será iniciada às 8 horas e deverá seguir até o meio-dia.
"A nossa ideia é sensibilizar as pessoas que frequentam as trilhas", diz o guia de turismo, Nilton Alves, que há oito anos atua como especialista em trilhas ecológicas na região. Uma delas, que chama a atenção pela grande quantidade de lixo deixado pelo caminho é a do Santo Sepulcro, com cerca de 2 quilômetros, no Horto do Padre Cícero. As placas de madeira com escritos dos preceitos ecológicos do Padre Cícero passam desapercebidas diante do rastro de garrafas de plástico, sacos e outros materiais nada biodegradáveis lançados no caminho. O local é frequentado principalmente por romeiros, que vão ao rezar e pagar promessas, além dos turistas e admiradores de uma bela paisagem natural, com panorâmica da região, numa das áreas mais altas da serra.
Necessidade
Para o coordenador da operação, o advogado George Macário de Brito, a ideia inicial veio da necessidade de colaborar para que esse problema seja minimizado. "Infelizmente, tem sido crescente a quantidade de lixo deixada em todas as áreas transitáveis, lamenta. A Flona é um marco na criação de florestas no Brasil, por ter sido a primeira instituída por decreto lei, em 1946, conforme lembra. Ainda conforme o advogado, o grupo foi movido pela falta de ação dos órgãos competentes em conter as pessoas que jogam lixo na floresta e estão deixando um saldo danoso para a natureza.
Para George, há uma necessidade das pessoas sensíveis ao problema darem a sua contribuição, por conta do descaso da grande maioria das pessoas que agridem o meio ambiente. "Caso isso não ocorra, isso poderá se agravar a cada dia", afirma. Ele destaca a importância da Chapada do Araripe como o "pulmão do Cariri" e ressalta a importância de manter a preservação. A operação inicial foi realizada em uma das trilhas mais conhecidas da região e consequentemente das mais visitadas, a do Picoto. Parte dela contou com a ação dos voluntários, além do Mirante do Serrano. George é enfático ao afirmar que o principal objetivo é proporcionar um eco da ação, como forma de conscientizar. Para isso, vem usando as redes sociais como instrumentos de divulgação e atrair voluntários para o processo além de mostrar o trabalho que vem sendo executado. São vídeos e páginas específicas, no canal Caminhos da Chapada. "É imprescindível mostrarmos a grande necessidade de cuidados com a floresta, as matas, as belezas naturais da região do Cariri", salienta.
Ele aposta na incorporação de mais voluntários à ideia, incluindo as pessoas dos municípios contemplados com a Chapada do Araripe, sejam dos estados do Ceará, Pernambuco ou Piauí. Segundo Nilton Alves, toda a ação é feita mediante comunicado aos órgãos ambientais. Um ofício é encaminhado ao ICMbio. Para os voluntários, há uma necessidade de maior fiscalização nas áreas, por parte dos órgãos ambientais. Conforme George, as trilhas precisam de boa conservação, para favorecer a população local, já que o turismo ecológico, que precisa ser muito mais explorada na região do Cariri.
Renda
As trilhas da Chapada do Araripe são fontes de renda, segundo o advogado, para muitos profissionais que atuam na área do turismo. Mas destaca que o espaço funciona como verdadeira sala de aula ao ar livre, para atividades de campo das escolas e universidades. "Nos tornamos faxineiros dessa grande universidade", ressalta.
Para ampliação da causa voluntária, ele diz que nesse momento é importante a parceria de empresários da região, além da própria população. A meta é programar a ação mensalmente. A principal parceria é a Associação dos Guias de Turismo da Região do Cariri, além de contar como apoio do Geopark Araripe. Já o ICMbio está sendo responsável por levar o lixo coletado pelos voluntários na floresta para o destino certo, onde possa ser separado. A primeira coleta chama a atenção pela boa ação dos participantes, entre eles estudantes e profissionais liberais. Para George, essa é uma causa que não tem líder, mas se tornou do interesse de todos. (E.S)
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