quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Ceará: Quadrilhas atacam 280 propriedades rurais

Antônio Carlos Alves
Conforme relatos das vítimas, o furto de animais, incluindo bovinos, ovinos, caprinos e suínos, tornou-se um tipo de ocorrência praticamente diário nas propriedades rurais de Canindé. (Foto: Antônio Carlos Alves)
Donos de propriedades rurais, agricultores, criadores de gado, ovinos e caprinos dos municípios de Canindé, Caridade, Itatira, Paramoti, Madalena, Choró e Aratuba estão revoltados com a onda de roubos de animais, motores de irrigação e fios elétricos, que vem assolando a região desde o ano passado. Mais de 280 produtores já foram vítimas das ações criminosas de quadrilhas especializadas nesse tipo de crime nos municípios mencionados. Uma reunião com autoridades ocorreu na última semana, em Canindé, para discutir o problema.

Os prejuízos ainda não foram contabilizados, mas os proprietários de sítios e fazendas estão assustados, pois muitos deles já foram assaltados mais de três vezes. O alvo principal das quadrilhas é a zona rural desses municípios, onde o policiamento ostensivo não está presente. As grandes distâncias entre as propriedades atacadas e as sedes dos municípios dificultam ainda mais o trabalho preventivo da Polícia nos locais.

Cercas elétricas

A situação, segundo as vítimas, "está ficando incontrolável". A reportagem constatou a instalação de cercas elétricas artesanais (gambiarras) em algumas propriedades com o objetivo de tentar se proteger dos bandidos. Em outras, os fazendeiros chegaram a contratar seguranças armados. Essa é, segundo eles, uma das saídas para intimidar os grupos de assaltantes. Em muitos casos, a ousadia dos bandidos chama a atenção até da Polícia.

Diante dos fatos, autoridades da Segurança Pública, criadores e representantes de classe reuniram-se no auditório da Prefeitura de Canindé, na última sexta-feira (22), para discutir formas de combate ao número crescente de furtos de animais no interior do município. A iniciativa do encontro foi do secretário de Desenvolvimento da Cidadania, Segurança e Transporte (Sedecist), Carlos Alberto Moreira Martins, e contou com a presença do comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar sediado em Canindé, tenente-coronel Natanael Soares, além do capitão Válber Ferreira, delegada de Polícia Civil, Gisele Martins, e o prefeito Celso Crisóstomo. Participaram do encontro cerca de 30 agropecuaristas que se dizem prejudicados.

Carlos Alberto Martins abriu a pauta fazendo uma estimativa do número de animais roubados somente este ano na zona rural de Canindé, de acordo com relatos de criadores. Em seguida, o prefeito Celso Crisóstomo destacou que o prejuízo atinge também a economia do município e manifestou seu apoio no combate a esse tipo de crime. "É mais do que necessário investigar, descobrir e punir os infratores. Estamos do lado da comunidade e queremos solução para esse grave problema", afirmou.

O tenente-coronel Natanael Soares ouviu relatos das vítimas e determinou que fosse realizado um mapeamento dos casos, visando facilitar o trabalho da Polícia Militar. Para o oficial, a cooperação da própria comunidade é fundamental no trabalho das forças policiais. "É preciso o engajamento de todos para realizarmos uma operação com status de força-tarefa contra essa onda abusiva de roubos", frisou.

A delegada Gisele Martins tem a mesma opinião e destacou que, com frequência, as vítimas de roubo de animais não cumprem seu papel de comunicar o fato à autoridade policial e registrar o Boletim de Ocorrência (B.O). "Prestar queixa na Delegacia é muito importante para o trabalho da Polícia", afirmou.

Animais

Não há estatística oficial de quantas cabeças já foram levadas, mas, conforme relatos das vítimas, o furto de animais, incluindo bovinos, ovinos, caprinos e suínos tornou-se um tipo de ocorrência praticamente diária nas propriedades rurais de Canindé. Criadores veteranos afirmam ter perdido dezenas de cabeças de gado de uma só vez.

"A partir dessas denúncias é que tivemos a ideia de nos reunir com as demais autoridades e adotar um conjunto de medidas visando reprimir esse tipo de crime. Com o que foi discutido hoje, acredito que já dispomos de melhores condições para traçar um plano conjunto e eficaz de ação", avaliou o secretário Carlos Alberto Martins.

Fonte: Diário do Nordeste
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