domingo, 7 de setembro de 2014

MEC seleciona 39 municípios que poderão receber cursos de medicina

Governo pretende criar 11,5 mil novas vagas do curso superior até 2017.
Municípios têm mais de 70 mil habitantes e ainda não oferecem medicina.



Lucas SalomãoDo G1, em Brasília
Com o objetivo de criar 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina até 2017, os ministérios da Educação e da Saúde anunciaram nesta quinta-feira (4) que selecionaram 39 municípios aptos a receber novas faculdades do curso superior. As cidades escolhidas têm 70 mil habitantes ou mais e não ofereciam a formação médica.
De acordo com o Ministério da Saúde, a intenção do governo é dar atenção às necessidades da população e à infraestrutura dos serviços. A pasta informou que deu priorizou localidades com escassez de médicos.
Os 39 municípios escolhidos para sediar novas faculdades de medicina estão distribuídas em 11 estados: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Além dos municípios apontados pelo Executivo federal, outros sete - Crato (BA), Bacabal (MA), Ananindeua (PA), Itaboraí (RJ), Assis (SP), Indaiatuba (SP) e Pindamonhangaba (SP) - terão seis meses para promover adequações recomendadas pelo MEC para também poderem sediar o curso.
Uma comissão de especialistas dos dois ministérios vistoriou 205 cidades que se habilitaram para receber faculdades de medicina. Segundo o Ministério da Educação, os 39 pré-selecionados atendem, entre outros, a pré-requisitos de infraestrutura, importância da cidade em relação aos municípios vizinhos e condições de receber novos alunos.
Dados de julho divulgados pelo governo apontam que, atualmente, há no Brasil 21.674 vagas de medicina.
O ministro da Educação, Henrique Paim, disse que ainda não há prazo para que os cursos sejam oferecidos à população, já que, apesar dos municípios terem sido selecionados, as instituições de ensino ainda não estão definidas.
"Nossa preocupação, primeiro, é a qualidade. Vamos dar um prazo para que elas [as faculdades interessadas] apresentem seus projetos. Esse ano ainda queremos aprovar a seleção destas instituições. Automaticamente, elas terão as vagas autorizadas este ano. [...] Esse processo vai até 2017. A criação de um curso de medicina requer um grande investimento", afirmou Paim.
Mais Médicos
Nesta quinta, o Ministério da Saúde também divulgou pesquisa encomendada pela própria pasta, executada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Política e Econômicas (Ipespe), que revela as impressões de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) com o programa Mais Médicos. A iniciativa federal disponibiliza médicos brasileiros e estrangeiros a municípios da periferias de grandes centros urbanos e do interior do país para atuar no primeiro atendimento médico.
Segundo o ministério, a UFMG e o Ipespe ouviram, entre os dias 4 de junho e 6 de julho, 4 mil pessoas que foram atendidas por médicos do programa. Ainda de acordo com a pasta, o estudo apontou que 86% dos entrevistados consideram que a qualidade do atendimento melhorou após a chegada dos profissionais contratados pelo Mais Médicos.
Para 58% das pessoas ouvidas, os pontos fortes do programa são a ampliação do atendimento e o aumento no número de consultas. Outro ponto destacado foi a presença de profissionais diariamente nas unidades básicas de saúde (33%).
O estudo revela ainda que 74% dos entrevistados disseram acreditar que o Mais Médicos está melhor do que o esperado. Apenas 2%, segundo a pesquisa, consideram que o programa está pior do que o anunciado pelo governo.
De acordo com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, atualmente o programa conta com 14.462 profissionais em 3.785 municípios e em 34 distritos indígenas. O atendimento, segundo Chioro, foi expandido a 50 milhões de brasileiros em um ano.
"Todos aqueles [números] levantados contra o Mais Médicos, todos eles, um a um, foram destruídos. Primeiro, que faltava médico no Brasil. Segundo, que esses médicos que vieram trabalhar não tinham qualidade", afirmou o titular da Saúde.
"O outro mito era o de que nós não teríamos uma ampla estrutura para garantir as condições de trabalho, que a língua seria um empecilho. E, por último, de que era um programa meramente pontual. O programa demonstrou de fato que entra estruturalmente para mudar a situação no país", completou.
Pesquisa Datafolha
Em agosto, pesquisa feita pelo instituto Datafolha, a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM), revelou que 93% dos eleitores brasileiros avaliam os serviços público e privado de saúde como péssimos, ruins ou regulares. Entre os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), 87% dos entrevistados declararam insatisfação com os serviços oferecidos.
O Datafolha ouviu 2.418 pessoas com mais de 16 anos entre os dias 3 e 10 de junho deste ano. A pesquisa foi realizada em 200 municípios de todas as regiões do país.
À época, o Ministério da Saúde divulgou nota na qual afirmava que o levantamento "reitera desafios importantes", mas também "aponta avanços" do sistema público de saúde, e lamentou "a interpretação tendenciosa e parcial dos dados e o esforço do CFM na tentativa de desconstrução do SUS".
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