quinta-feira, 9 de abril de 2015

Internet faz pessoas se acharem mais inteligentes do que são, diz estudo

Depois de buscas na rede, pessoas superestimam o próprio conhecimento. 
Há confusão entre conhecimento real e o que se pode buscar na internet.

Mariana LenharoDo G1, em São Paulo
internet, facebook, laptop, notebook, redes sociais, twitter, teclado (Foto: Jay LaPrete/AP)Buscas na internet fazem pessoas acreditarem que sabem mais do que de fato sabem (Foto: Jay LaPrete/AP)
A possibilidade de pesquisar na internet leva as pessoas a pensarem que têm mais conhecimentos do que de fato possuem. Uma série de experimentos feitos por pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos, mostrou que, depois de um tempo de buscas na internet sobre determinado tema, voluntários tendem a superestimar seu conhecimento sobre outros assuntos.
Os resultados do estudo foram publicados no fim de março em um artigo no “Journal of Experimental Psychology: General”. Para os pesquisadores, as pessoas confundem o conhecimento que elas realmente têm com o conhecimento que podem acessar quando estão online.
Para testar essa hipótese, foram feitos nove experimentos com voluntários americanos. Um deles pediu para que um grupo de participantes buscasse na internet a resposta para várias perguntas. Para um segundo grupo, não foi dada a possibilidade de usar a internet nesta parte do teste.
Uma segunda etapa do experimento solicitou que os dois grupos avaliassem sua capacidade de responder por conta própria outras questões, não relacionadas com os primeiros temas. O grupo que pôde acessar a internet no começo foi muito mais otimista ao medir seus próprios conhecimentos sobre o assunto em comparação ao grupo que não teve acesso à internet.
"A internet é um recurso maravilhoso que torna o aprendizado sobre o mundo mais fácil de várias maneiras", disse ao G1, em entrevista por e-mail, o pesquisador Matthew Fisher, estudante de PhD de Yale e principal autor do estudo. "Isso pode ter um preço inerente, no entanto. Nossos resultados sugerem que as pessoas estão falhando em distinguir onde seu conhecimento acaba e onde começa o conhecimento externo."
Inteligência superestimada
A série de testes mostrou que os participantes que tiveram acesso à internet superestimaram sua capacidade de responder às questões propostas mesmo quando elas eram tão difíceis que as respostas não puderam ser encontradas na internet.
“Os efeitos cognitivos de ‘estar no modo pesquisa’ na internet podem ser tão poderosos que as pessoas ainda se sentem mais espertas mesmo quando suas pesquisas online não revelam nada", diz o professor de psicologia Frank Keil, um dos autores do estudo.
Na conclusão do artigo, os pesquisadores afirmam que "ao situar erroneamente o conhecimento externo dentro das próprias cabeças, as pessoas podem involuntariamente exagerar sobre quanto trabalho intelectual conseguem desempenhar em situações em que estão de fato por conta própria".
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