quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Atraso ou comodismo?

Amigo a gente encontra, o mundo não é só aqui, repare naquela estrada que distância nos levará”. Não fui eu quem disse isso (quem dera tivesse sido!). Isso é um trecho de uma letra de Domiguinhos, se não me falha a memória, do começo dos anos 80. Na época o conselho era bem dado, porém, hoje, nos tempos das veredas digitais, os jovens descobriram por si só (digo: sem a ajuda do velho mestre sanfoneiro) que se vai muito mais longe pelas vias internéticas.
O mundo encolheu ou fui eu que cresci? Sei lá... Só sei que se a distância a percorrer, citada pelo cantor, for utilizando o sistema de transporte de Farias Brito o viajante vai sofrer um bocado.
Que nome se dá à fobia de moto? Não sei, mas a minha eu perdi na estrada poeirenta da Betânia. Aliás, perder não é bem a expressão correta. Troquei o meu medo de moto pelo medo dos mini paus-de-arara. Acho que saí ganhando nesse rolo. Aquilo é uma afronta aos direitos de nossa gente.
Pode preservar a imagem original que você criou na sua mente do tal pau-de-arara. É isso mesmo: pessoas dividindo um espaço curto com mercadorias diversas, de sacos de cereais a frutas e galinhas. Uma cena clássica de filme mexicano.
O meu medo não era bem do pau-de-arara, mas do apego que eu poderia desenvolver pelo bicho. Porque me pareceu que corria esse risco.
Só uma paixão justifica a preferência das pessoas por tal transporte. E eles se amontoam ali com uma alegria de festa, fazendo de conta que nem vêem as vans que cruzam a cidade em direção ao Crato.
O transporte de pessoas no mini pau-de-arara não é apenas o estacionamento do progresso, é mais do que isso, é um retrocesso, uma macha ré no desenvolvimento, pois pelo o que eu pude constatar houve um retorno a essa prática. Uma imposição dos motoristas que não se adaptaram às vans que, segundo eles, reduziam a margem de lucros. E o povo que se dane.
Exemplo seguido pela prefeitura que aluga o tal “bicho” para fazer de transporte escolar, uma prática ilegal e imoral. É triste assistir àquela cena bizarra: as futuras cabeças pensantes de nosso município sendo transportadas em carrocerias de caminhões, como se fossem animais e não a nossa garantia de progresso. É o novo se utilizando do velho, aliás, do muito velho, ultrapassado, para chegar ao futuro.
Tomara que essa ponte não se rompa.


Joilson Kariry Rodrigues
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