sábado, 14 de junho de 2008

Cordel do Francis Gomes

A briga das Fuxiqueiras



Seu moço eu vou lhe falar,
De duas muié desastrada,
Mas vou pedir prô sinhor
Por favor, num dê risada,
Num vou contar anedota,
Nem vou fazer paiaçada
Num é história de pescador,
Este causo se passou,
Num é nenhuma piada.

Duas peste fuxiqueira
Gente sem ocupação,
Como bem diz um ditado,
Lá no meu veio sertão.
Que mente desocupada
É oficina do cão,
Maquinando o que num presta
Fazendo o que Deus detesta
Arrumando confusão.

Gente desmazelada,
O que não ver, ela inventa,
Gosta uma fofoca,
Tudo que ouve, aumenta,
Não pode ver ninguém quieto
Que logo se apoquenta
Vive de mexerico,
Se não fizer um fuxico,
Fica que num se agüenta.

Apois bem, onde eu morava,
Lá no morro do petisco,
Tinha duas praga assim
Que adorava de um mexerico.
A muié de Zé Calango,
E a muié do Tico -Tico,
Duas cobra venenosa,
Que prá incurtar a prosa,
Caiu no próprio fuxico.

A muié do Zé Calango,
Gorda que nem um elefante,
Falou prá do Tico-Tico,
Que ele tinha uma amante,
Só não ia dizer quem era
Prá num ser deselegante,
E ainda disse a muié,
Quem avisa amigo é,
E saiu exuberante.

A muié do Tico-Tico
Também fez a merma coisa,
Foi falar prá Zé Calango,
-Cuidado cá sua esposa,
Com aquela cara de santa,
É uma veia raposa,
Enquanto tu tá drumindo,
Ela tá te traindo,
Fique atento cá a mariposa.

Descobriram a mentira
E as duas se infesaram,
Duas semanas dispois
As infeliz se encontraram,
Como dois touro enraivado
As cabouca se atracaram,
O reboliço começou
Foi por pouco sim sinhor,
Que as pestes num se mataram.

Foi num dia de domingo,
Logo dispois do armoço,
Eu tava quase drumindo,
Quando escutei o distroço,
Uma gritava:- safada
Eu vou quebrar seu pescoço.
Seu moço a coisa era feia,
Parecia duas baleia
Brigando no mermo poço.

A outra então respondeu:
- você é que é sem-vergonha
Se você nunca apanhou,
Apois hoje você apanha.
E a molecada gritando
-quero ver quem é que ganha.
Se atracaram pelos cabelos,
Pareciam dois novelos,
Todo coberto de banha.

Uma por cima da outra,
Saíram rolando no chão.
Moço nem vou falar,
As espécie de palavrão
Que as marditas falavam
No meio da confusão
Num sei se era aplaudindo,
Mas tinha cachorro latindo,
Batendo as patas no chão.

A poliça como sempre,
Chegou um pouco atrasada,
De tanto rolar no chão,
Já tavam todas relada,
As banhas tudo de fora,
A roupa toda rasgada,
E a molecada gritando,
Nenhuma saiu ganhando,
A briga foi empatada.

O destroço desta estória
Nem conto prá vosmesê,
Tem coisa que é melhor,
Ficar mermo sem saber,
E nem tudo que agente sabe,
É aconselhave dizer,
E fuxico é um tal guisado,
Quanto mais mexe o danado,
Mais se dana a feder.



Francis Gomes
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