quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Valor de Uma Escola

O valor de uma escola em nosso parecer , rema nestas águas: traz à tona pessoas e momentos de uma escola para sentirmos o agradável sabor de tantos frutos já produzidos por outras vidas.

Alunos da primeira turma (1961) do Colégio Estadual Wilson Gonçalves

A consciência de pertencermos a uma escola deverá nos colocar numa dimensão mais ampla: somos um povo, um povo que tem história e portanto, chamado a contribuir para a história do amanhã.

Desfile de 7 de Setembro do Colégo Estadual Wilson Gonçalves na década de 60

O Colégio Estadual nasceu de um anseio de um grupo de estudantes quais sejam: José de Brito Filho, Aécio Pinto Neves, João Mouzinho, , Wellington Alves de Souza, José Waldesley Alves, Elói Teles de Moraes, Geraldo Alves Formiga, Jurandir Timóteo, José de Paula Bantim, J. Lindemberg de Aquino e tantos outros que a memória nos faz esquecer. Esses jovens fundaram a Frente Estudantil Nacionalista, tendo como presidente: padre Antônio Gomes de Araújo, nos idos de 60 e lançaram a campanha pelo Colégio Wilson Gonçalves. Essa luta foi fruto da necessidade de uma Escola Pública de Ensino Médio, haja vista, que àquela época, só havia ensino privado, ficando os filhos das classes populares à margem do conhecimento formal. Esse grupo de estudantes, liderados por José de Brito dirigiram-se em passeata até a residência do Sr. Wilson Gonçalves então ,vice- governador do estado para reivindicar a fundação do Colégio.Tornou-se pioneiro no ensino público de ensino médio no sul do Ceará e nos estados de Pernambuco, Piauí e Paraíba.

Discurso do professor Joarivá Macêdo. Presente na foto: Seu Gilson e Huberto Cabral

Foi fundado em 04 de abril de 1960, fundamentado na lei nº 46.611 de 27 de outubro de 1959 por Wilson Gonçalves, tendo como seu primeiro diretor Dr. Luís de Borba Maranhão.

A política educacional brasileira dessa década impõe a escola pública, uma orientação clássica humanista, de cultura geral fundada na tradição Greco- romana.



Alunos da primeira turma em 1961

Interessa-nos saber por que o colégio durante a década de 60, obteve bons índices de qualidade de ensino? A resposta estaria na seletividade do sistema educacional que estava a serviço da classe média com conteúdos elitizados, humanistas que atendia ao perfil que a sociedade aceitava, embora já denotasse a contradição entre o modelo educacional e o político econômico.

Nossa “Honra ao Mérito” a esses grandes mestres que com seu sangue e espírito abnegado construíram a saga do Colégio Estadual Wilson Gonçalves.

Cumpriu as determinações legais, citando como exemplo, a 5.692 que adéqua o sistema educacional à política socioeconômica e tenta em vão responder à crescente demanda por melhores níveis de escolaridade.

Esse conflito só pode ser compreendido numa perspectiva social, a partir do ensino da língua materna, dentro de uma contribuição integrada da Sociologia, da Sociologia da Linguagem e da Sociolingüística, indispensável a uma prática de ensino que, fundamentando-se em conhecimentos sobre as relações, seja realmente competente e comprometida com a luta contra as desigualdades.

Professores da década de 80

Os fatos traduzem com clareza o que tem sido a preocupação dos docentes, servidores técnicos administrativos e gestores do Colégio Estadual Wilson Gonçalves nesses cinqüenta anos em favor da educação da juventude da região centro-nordestina. Agora, em pleno século XXI, novos desafios se impõem em decorrência das transformações sociais tais como: conceito de família, difusão de saberes sistematizados e que se renovam continuamente, aplicação de novas tecnologias em todos os campos da atividade humana, descobertas científicas, aplicação de novas estratégias de trabalho, entre outros.

Durante esses anos, o colégio acompanhou, ajustou-se e enfrentou as mudanças realizando um trabalho digno, formando cidadãos e profissionais que, hoje contribuem com o seu trabalho no engrandecimento da nossa região. Entretanto, estamos conscientes de que não basta apenas ensinar em moldes antigos. O professor, na concepção do cientista da educação da Universidade de Lisboa, Antonio Nóvoa,” não é um mero transmissor de conhecimentos, não é apenas uma pessoa que trabalha no interior de uma sala de aula”, mas um organizador de aprendizagens para responder aos novos desafios sociais, partindo de uma visão de ser humano dotado de conhecimentos, sensibilidade e de vontade de intervir no meio, formando portanto, um novo cidadão.

Este há de ser o nosso compromisso como educadores: contribuir para preparar homens e mulheres capazes de atuar na sociedade de forma ética. Em muitas circunstâncias, temos de preencher lacunas que outros segmentos sociais negligenciam. Empenhemo-nos, portanto, na realização desta ingente tarefa: preparar novos seres capazes de atender às demandas do presente e aquelas que estão por vir.

Raimundo Luiz do Nascimento
Professor de Língua Portuguesa do Colégio Estadual Wilson Gonçalves e da Universidade Regional do Cariri.
Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Federal da Paraíba


Maria Laice Almeida Lacerda
Professora de Língua Portuguesa do Colégio estadual Wilson Gonçalves.
Especialista em Língua Portuguesa pela URCA
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