quarta-feira, 12 de março de 2008

Gian Calvi, o mestre que deu asas a Juazeiro.


O tempo passa, o tempo voa, e uma distância
de 40 anos separam o nascimento, e o desabrochar
de Juazeiro do Norte, para a mídia, e para o título de maior
produtor de arte popular do interior cearense.

Quando fui de mudança para o Rio de Janeiro
na década de 60, levei a tiracolo, uma boa quantidade
de peças artesanais produzidas no nosso Cariri.

No Rio tive a sorte de ser adotado por um dos mais
importantes artistas plásticos, e designer gráfico da época,
o italiano Giavittore Calvi, mais popularmente
conhecido por Gian Calvi, que ficou encantado
com a qualidade e criatividade daquelas peças.

Fui convidado a uma viagem, e como cicerone,
desembarcamos no aeroporto do Crato,
e durante uma semana percorremos, fotografamos,
e gravamos, tudo que pudesse servir de base
para uma grande exposição que seria realizada
no eixo Rio/São Paulo.

Com o empenho do Dr. Mauro Sampaio, Padre Murilo,
Aderson Borges, e mais um grupo de pessoas de Juazeiro,
juntou-se o que de mais significativo representava
o lado cultural da cidade, e foi enviado para o Rio.

Com o patrocínio da Aroldo Araújo Propaganda,
montou-se no Museu de Arte Moderno, uma mostra
intitulada “Nordeste da Bússola” que bateu todos
os recordes de visitação, e inserção na mídia, que uma
exposição já tivesse conseguido até a presente data.
O sucesso foi total.
Banda de Pífanos, Artesões, Bordadeiras, Violeiros,
e todos que ajudaram nesse trabalho vibravam
de contentamento.

Nasceu aí a verdadeira investidura de Juazeiro,
no cenário mundial.

As pessoas que fizeram parte dessa história, Dr.Mauro,
Pedro Bandeira, e mais alguns poderão relatar muito bem
o que foi essa empreitada. Juazeiro conheceu a glória,
e o mundo abriu as portas para sua arte.

Mestre Noza, José Ferreira, Manoel Graciano,
Cícera Araújo, Cicera Fonseca da Silva, Nino do Crato,
Zulmira, Cizim, foram um grande exemplo.

E hoje me pergunto?

Juazeiro algum dia fez um ato de reconhecimento
ao mestre Gian Calvi?

Alguma comenda passou pela Câmara de Vereadores
retribuindo essa obra maravilhosa dedicada a Juazeiro?

Está na hora de consertar esse grande erro,
e esquecimento, e fazer do grande artista, no mínimo,
um verdadeiro e legítimo Cidadão Honorário de Juazeiro.

Elmano Rodrigues Pinheiro

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